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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus - Ano C

Comentários à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Um coração humano dotado de infinita capacidade de amar: eis o admirável paradoxo existente no Sagrado Coração de Jesus, do qual emana um auge de bondade divina.
Manancial inesgotável de bondade
I – O extremo da Bondade divina se une à humana
A Santa Igreja celebra, na sexta-feira após o 2º Domingo depois de Pentecostes, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, símbolo mais elevado da bondade e do amor de Deus para com suas criaturas, de modo incomparável para com aquelas que criou à sua imagem e semelhança. Os textos litúrgicos desta comemoração foram escolhidos especialmente para mostrar a dimensão da benquerença divina, mas, sobretudo, evidenciam o empenho ilimitado de Deus em nos salvar.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade
Cada um de nós possui dentro de si um coração que pulsa dia e noite e discerne com clareza os próprios gostos e preferências. No entanto, quão diferente é o Coração adorável de Jesus, humano e, ao mesmo tempo, divino! Jamais qualquer movimento deste Coração destoará do beneplácito da Santíssima Trindade. Uma vez criado, uniu-Se aos desígnios que o Pai, o Filho e o Espírito Santo tinham para Ele, desde toda a eternidade e para toda a eternidade, e manifestou a Deus o mais perfeito e sublime amor, penetrado de respeito, adoração e submissão. Amor ilimitado — porque sua natureza humana está unida hiposta ticamente à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade —, capaz de abarcar infinitas humanidades possíveis de serem criadas e que recai em profusão sobre a ordem do universo saída de suas mãos, em particular sobre as criaturas que possuem sua mesma natureza. Conhecendo nossas misérias e debilidades, Ele tudo tolera, compassivo, sem nunca diminuir seu amor, apesar das inúmeras ocasiões em que Lhe damos motivo para isso…
Qual deve ser, pois, a grandeza do Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade? Para mais nos aproximarmos da compreensão de sua imensidade, consideremos o período em que se deu a Encarnação.
Plenitude dos tempos, plenitude da miséria humana…

domingo, 29 de maio de 2016

Evangelho X Domingo Tempo Comum - Ano C - Lc 7, 11-17

Comentários ao Evangelho X Domingo do Tempo Comum - Ano C
"Naquele tempo, 11 Jesus dirigiu-Se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13 Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: ‘Não chore!'. 14 Aproximou-Se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: ‘Jovem, eu te ordeno, levanta-te!'. 15 O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16 Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo'. 17 E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza" (Lc 7, 11-17).
O impacto das iniciativas do Redentor
Para fazer milagres, Jesus exigia uma prova de fé do favorecido. Mas, às vezes, era Ele que se adiantava a qualquer pedido e distribuía seus divinos benefícios. Esse modo de agir encerra em si um profundo significado.
I - O choque das grandes conversões
Na História da Igreja é frequente encontrarmos situações nas quais um apóstolo, inspirado por Deus, deseja a conversão de alguma alma afastada da Religião. Entretanto, muitas vezes seu ardor se vê coarctado pela negativa de quem é objeto de seu zelo. Todos os esforços se revelam inúteis, pois a argumentação não logra dobrar uma vontade obstinada.
Afonso Ratisbonne, por exemplo, era um israelita de raça e religião, profundamente enraizado em suas tradições. Seu amigo, o Barão de Bussières, movido por uma moção interior da graça, usou dos mais convincentes recursos da apologética para tentar convertê-lo à Igreja Católica, sem obter sucesso. Aferrado às próprias convicções e mais preocupado em gozar das delícias da vida que o futuro lhe oferecia, Afonso aceitou apenas levar ao pescoço uma medalha de Nossa Senhora das Graças, com a promessa, a contragosto, de recitar todos os dias o Memorare - o "Lembrai-Vos", a conhecida oração de São Bernardo. "Eu não podia me dar conta" - narraria mais tarde o Barão de Bussières - "da força interior que me impelia, a qual, a despeito de todos os obstáculos e da obstinada indiferença oposta por ele a meus esforços, dava-me uma convicção íntima, inexplicável de que, cedo ou tarde, Deus lhe abriria os olhos".1