
O Mons. João Clá Dias, na homilia de 15 de março de 2006, explica este trecho, que é contemplado a cada ano na quarta-feira da segunda semana da Quaresma.
"Nosso Senhor, já quando menino, dava idéia de uma capacidade única, de alguém que ia conquistar o mundo. Por exemplo, na discussão d’Ele com os doutores, no Templo, mas, sobretudo, quando começou a vida pública, Ele deve ter causado um verdadeiro estupor, uma verdadeira admiração. Nosso Senhor era um homem que tinha poder sobre o vento, sobre os mares, sobre a doença, sobre o pão, sobre o peixe, sobre os demônios, etc. Portanto, era um homem feito para tomar conta de tudo. E os judeus pensavam: “Este homem, em certo momento, com os poderes que tem, levanta um exército e dá um golpe! Primeiro, nos separamos dos romanos e, depois, nos tornamos o primeiro povo da Terra.”
"Nosso Senhor, já quando menino, dava idéia de uma capacidade única, de alguém que ia conquistar o mundo. Por exemplo, na discussão d’Ele com os doutores, no Templo, mas, sobretudo, quando começou a vida pública, Ele deve ter causado um verdadeiro estupor, uma verdadeira admiração. Nosso Senhor era um homem que tinha poder sobre o vento, sobre os mares, sobre a doença, sobre o pão, sobre o peixe, sobre os demônios, etc. Portanto, era um homem feito para tomar conta de tudo. E os judeus pensavam: “Este homem, em certo momento, com os poderes que tem, levanta um exército e dá um golpe! Primeiro, nos separamos dos romanos e, depois, nos tornamos o primeiro povo da Terra.”
Alguém diria: “Bom, com todos os milagres que fazia, Ele já tinha conquistado tudo e já tinha se realizado.” Não! A realização que o povo judeu queria era, de fato, uma realização política, uma realização na linha da carreira e Ele não tinha nada disso. Para as pessoas que governavam, para as pessoas que tinham influência — não para o povinho miúdo — Nosso Senhor aparecia como um grande curandeiro. E, portanto, um homem que não tinha realizado a carreira que parecia que ia realizar quando menino, e quando havia começado sua vida pública. O que os judeus queriam era um homem que tomasse conta do poder, um homem que fosse político e que alcançasse o que para eles era o mais importante: a supremacia de Israel sobre todos os outros povos. Isto não estava se dando, e não se deu. Nosso Senhor foi um fracassado de dentro dos olhos dos judeus amis influêntes, porque Ele passou por uma traição, foi preso, julgado, condenado e morto.

É por isso que o Evangelho de hoje narra:
Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes:18”Eis que estamos subindo para Jerusalém,…”[i]
Eles imaginavam que estavam indo para Jerusalém naquele momento para ser dado o golpe que seria um grande passo para a restauração política de Israel. A tal ponto que é nesta hora que a mãe de Tiago e João pede a colocação de seus filhos no reino.
“…e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará".
Quer dizer, do ponto de vista sobrenatural, toda a vitória; do ponto de vista humano, toda a derrota.

A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu reio, um à tua direita e outro à tua esquerda”. Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?" Eles responderam: “Podemos”.
É o que Nosso Senhor nos pergunta na liturgia de hoje: “Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” E nós devemos responder o que São João e São Tiago não responderam: “Desde que vós nos assistais com vossas forças, podemos, porque sem essas forças nós não conseguimos nada. Se Deus se afasta de nós, não fazemos mais nada!”.

Então, é preciso pedir forças para aceitar este cálice e beber dele. Mas, para beber deste cálice, é preciso que nós estejamos muito próximos de Deus, ou seja, que Deus esteja muito próximo de nós, porque só aí temos forças.
Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo”.
Portanto, beber do cálice significa compreender que seguimos a Nosso Senhor não para receber apoio, nem aplausos, nem a sustentação no nosso instinto de sociabilidade; nós estamos aqui para servir.
“Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
E nós devemos compreender que não viemos para receber louvores, gratidão, entusiasmo, aplauso, aprovação ou apoio, nós viemos para servir. E devemos rejeitar a idéia de que todos devem reconhecer aquilo que somos ou possuímos, pois isto é secundário. O que importa é ter oportunidade de servir, de fazer o bem, de ajudar os outros, sem o menor desejo de retribuição.

Portanto, nós precisamos pedir, nesta liturgia, a graça de beber do cálice do qual Nosso Senhor bebeu.
[i] Todas as citações bíblicas foram extraídas de “Liturgia Diária”, Paulus, março de 2006. Trecho adaptado para a linguagem escrita, sem revisão e conhecimento do autor.