Naquele tempo, 41os judeus começaram a
murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do
céu”.
42Eles comentavam: “Não é este Jesus o
filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que
desceu do céu?”
43Jesus respondeu: “Não murmureis entre
vós. 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o
ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas: ‘Todos serão
discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi
instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem
de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui
a vida eterna.
48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais
comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce
do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne
dada para a vida do mundo”.
“Eu sou o Pão vivo descido do
Céu”
Ao comer do fruto proibido, nossos primeiros pais pecaram e
entrou no mundo a morte. Por meio de outro alimento, o “Pão descido do Céu”,
foi-nos restituída a vida. Na Eucaristia, o próprio Deus Se oferece ao homem
como comida, dando-lhe infinitamente mais do que havia perdido.
Mons.
João Scognamiglio Clá Dias, EP
I – Deus se oferece como alimento
Ao
tomarmos um primeiro contato com esta passagem do Evangelho de São João, logo
nos deparamos com a surpreendente, obstinada e ilógica incredulidade dos
contemporâneos de Jesus, em relação à Sua divindade.
Transcorridos
dois milênios, talvez nos seja difícil compreender como podia alguém duvidar da
divindade de Nosso Senhor ante provas tão evidentes: cura de todo tipo de
doenças, libertação de possessões diabólicas, ressurreições e outros milagres
assombrosos, entre os quais a mudança da água em vinho, ou a multiplicação de
pães e peixes, ocorrida pouco antes do episódio narrado neste Evangelho do 19º
Domingo do Tempo Comum.
Como
era, então, possível a alguém contestar as claras afirmações dEle a respeito de
Sua divindade e desprezar os Seus divinos atributos? O que levava seus
contemporâneos a tomar tal atitude?
Quando no homem prepondera a
matéria