Comentários à Solenidade do
Sagrado Coração de Jesus
Um
coração humano dotado de infinita capacidade de amar: eis o admirável paradoxo
existente no Sagrado Coração de Jesus, do qual emana um auge de bondade divina.
Manancial inesgotável de bondade
I – O extremo da Bondade divina se une à humana
A Santa Igreja
celebra, na sexta-feira após o 2º Domingo depois de Pentecostes, a Solenidade
do Sagrado Coração de Jesus, símbolo mais elevado da bondade e do amor de Deus
para com suas criaturas, de modo incomparável para com aquelas que criou à sua
imagem e semelhança. Os textos litúrgicos desta comemoração foram escolhidos
especialmente para mostrar a dimensão da benquerença divina, mas, sobretudo, evidenciam
o empenho ilimitado de Deus em nos salvar.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade
Cada um de nós
possui dentro de si um coração que pulsa dia e noite e discerne com clareza os próprios
gostos e preferências. No entanto, quão diferente é o Coração adorável de
Jesus, humano e, ao mesmo tempo, divino! Jamais qualquer movimento deste
Coração destoará do beneplácito da Santíssima Trindade. Uma vez criado, uniu-Se
aos desígnios que o Pai, o Filho e o Espírito Santo tinham para Ele, desde toda
a eternidade e para toda a eternidade, e manifestou a Deus o mais perfeito e
sublime amor, penetrado de respeito, adoração e submissão. Amor ilimitado —
porque sua natureza humana está unida hiposta ticamente à
Segunda Pessoa da Santíssima Trindade —, capaz de abarcar infinitas humanidades
possíveis de serem criadas e que recai em profusão sobre a ordem do universo
saída de suas mãos, em particular sobre as criaturas que possuem sua mesma natureza.
Conhecendo nossas misérias e debilidades, Ele tudo tolera, compassivo, sem nunca
diminuir seu amor, apesar das inúmeras ocasiões em que Lhe damos motivo para
isso…
Qual deve ser,
pois, a grandeza do Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade? Para mais
nos aproximarmos da compreensão de sua imensidade, consideremos o período em que
se deu a Encarnação.
Plenitude dos tempos, plenitude da miséria humana…