Comentários ao Evangelho XI Domingo do Tempo Comum – Ano B
– Mc 4,26-34
Mons João Clá Dias
Naquele tempo: 26 Jesus disse à multidão: ‘O
Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27 Ele vai
dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele
não sabe como isso acontece. 28 A terra,
por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga
e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29 Quando as espigas estão maduras, o
homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou’. 30 E Jesus
continuou: ‘Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola
usaremos para representá-lo? 31 O Reino de Deus é como um grão de mostarda que,
ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32 Quando é semeado, cresce e se torna maior do
que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu
podem abrigar-se à sua sombra’. 33 Jesus anunciava a Palavra usando muitas
parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34 E só lhes falava por
meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava
tudo. (Mc
4,26-34)
Comentários
Não passa de pálido símbolo da íntima, enérgica e perseverante
ação do Espírito Santo sobre os fiéis, o dinamismo existente numa semente. Em
consequência, a força triunfante daquela que foi chamada a ser o Reino de Deus
— a Santa Igreja — deverá em certo momento conquistar o mundo inteiro.
O Mestre por excelência
“Ninguém
jamais falou como este homem” (Jo 7, 46) — foi a resposta dos guardas aos
sinedritas, quando estes, após tê-los enviado para prender Jesus, os
interrogaram: “Por que não O trouxestes?” (Jo 7, 45). De fato, que mestre houve
na História à altura do único e verdadeiro Mestre? Se Nosso Senhor é o Bem, a
Verdade e a Beleza absolutas, por que não deveria ser também a Didática em
essência? Não podemos nos esquecer que Ele é Deus, enquanto segunda Pessoa da
Santíssima Trindade, e, portanto, Sua didática só pode ser também substancial.
Ademais,
a alma de Jesus foi criada na visão beatífica, e possuía, pois, o conhecimento
conferido àqueles que contemplam toda a ordem da criação no próprio Deus. Se
isso não bastasse, lembremo-nos de que a Ele foi concedida também a ciência
infusa no seu mais elevado grau; e, acrescentado a essas insuperáveis
maravilhas, havia também o conhecimento experimental. Ora, esses tesouros todos
fazem, de Quem os possui, o Mestre por excelência. Assim, Cristo Nosso Senhor
ensinava a verdade como ninguém e com eminentes qualidades pedagógicas que
pessoa alguma teve desde Adão, nem terá até o fim do mundo.
Daí o
fato de os próprios soldados que foram prendê-Lo, por ordem do Sinédrio,
verem-se num complexo dilema: ou desobedeciam às ordens recebidas, ou eram
obrigados a agir contra a própria consciência. Tal era a grandeza manifestada
por Nosso Senhor Jesus Cristo no Seu ensinamento, que os soldados foram
constrangidos a optar pelo risco de perder o cargo e de até mesmo serem
lançados na prisão.