Comentários ao Evangelho Vigília Pascal - Ano C
1 No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao
túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. 2 Elas encontraram a
pedra do túmulo removida. 3 Mas ao entrar, não encontraram o Corpo do Senhor
Jesus 4 e ficaram sem saber o que estava acontecendo. Nisso, dois homens com
roupas brilhantes pararam perto delas. 5 Tomadas de medo, elas olhavam para o
chão, mas os dois homens disseram: "Por que estais procurando entre os
mortos Aquele que está vivo? 6 Ele não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do
que Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: 7 ‘O Filho do Homem deve
ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro
dia'". 8 Então as mulheres se lembraram das palavras de Jesus. 9 Voltaram
do túmulo e anunciaram tudo isso aos Onze e a todos os outros. 10 Eram Maria
Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam
com elas contaram essas coisas aos Apóstolos. 11 Mas eles acharam que tudo isso
era desvario, e não acreditaram. 12 Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao
túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa,
admirado com o que havia acontecido (Lc 24, 1-12).
Uma “perseguição” da bondade divina
Destruído o plano
original da criação com o pecado de nossos primeiros pais, inicia Deus, em sua
bondade infinita, um processo que culmina de forma grandiosa na noite da
Ressurreição do Senhor.
I - A mais bela cerimônia do Ano Litúrgico
A noite que antecede o
Domingo da Ressurreição do Senhor é marcada pela riquíssima cerimônia da
Vigília Pascal, realizada em honra deste grandioso mistério. Nos albores do
Cristianismo, esta noite era muito considerada pelos fiéis, que costumavam
passá-la em oração, a fim de se prepararem para comemorar o triunfo de Jesus
sobre a morte com a celebração da Eucaristia, na madrugada do domingo. Desde a
Quinta-Feira Santa a Igreja primitiva, imersa na lembrança da Paixão e Morte de
Nosso Senhor Jesus Cristo, se abstinha do Santo Sacrifício, inclusive no
sábado, preferindo acompanhar no silêncio da sepultura o Corpo inanimado do
Divino Redentor. Com o decorrer do tempo perdeu-se esse costume no Ocidente,
onde, a partir do século XI, a Solenidade da Ressurreição foi aos poucos antecipada
para a manhã do Sábado Santo.1 Por fim, no ano de 1951, o Papa Pio XII
restaurou definitivamente a Vigília Pascal com a esplêndida pompa litúrgica que
a circunda, pervadida de profundo significado.
O mistério da morte de um Deus