Naquele tempo, 19 23 Jesus disse então aos seus discípulos: “Em verdade
vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus!
24 Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha
do que um rico entrar no Reino de Deus”.
25 A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: “Quem poderá
então salvar-se?”
26 Jesus olhou para eles e disse: “Aos homens isto é impossível, mas a
Deus tudo é possível”. ( Mt 19,23-26)
O problema não está em
possuir bens, mas de se apegar a eles
Nosso Senhor não está
falando da riqueza material em si, mas ao apego. Porque Lázaro não era só rico,
mas era a primeira fortuna de Israel, e hoje ele é São Lázaro. Como também
Santa Marta e Santa Maria Madalena. Não se vai para o Céu por ser rico, mas por
ter apego aquilo que possui.
Quando Nosso Senhor está
à porta do templo observando as pessoas que entram para colocar sua esmola,
aparece uma viúva com apenas uma moeda e deposita esta oferta a Deus. Nosso
Senhor pergunta para os Apóstolos:
— Quem deu mais aqui?
E eles começaram:
— Aquele deu mais, esse
outro foi quem mais deu...
— E Nosso Senhor diz:
quem deu mais aqui foi essa viúva.
Mas ela deu só um
denário! Sim, mas deu tudo o que ela possuía, e a deu com uma generosidade
única. O problema não é ter guardado isso ou ter guardado aquilo, mas sim é ter
apego àquilo que se tem.
Os Apóstolos entenderam
que a riqueza, como Nosso Senhor falava, significava apego por pouco que fosse.
25 A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá
então salvar-se?
Eles viviam entre um
povo super apegado ao dinheiro, e sabiam perfeitamente que tinham que
guardá-lo, pois tinham família e necessidades, portanto não podiam perder aquele
dinheiro, porque senão caíam na miséria.
26 Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a
Deus tudo é possível. Aquilo que para os homens é impossível, para Deus é
possível. 27 Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo
para te seguir. Que haverá então para nós?
Se para Deus tudo é
possível, então, significa que ainda que a pessoa abandone tudo, é preciso que
haja uma benevolência da parte de Deus. Porque de fato o Céu é um dom gratuito
e não é um negócio, não basta entregar tudo para depois eu adquirir aquilo que
eu quero, o que é preciso é entregar tudo, mas depois confiar na bondade de
Deus, estar à disposição d’Ele.
Mons João Clá Dias - Extraído de uma conversa sobre a liturgia 19/08/2003 - sem revisão do autor