Evangelho Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor Jo 20, 1-9 Ano C 2013
A RESSURREIÇÃO DO
SENHOR
Entre os acontecimentos daquele dia, há episódios que
passam muitas vezes despercebidos; porém, bem analisados, revelam em toda a sua
força o poder do amor.
Quia surrexit sicut dicit... Tal como havia anunciado aos seus (Mt 16, 21; 17,9; 17, 22;
20, 19; Jo 2, 19, 20 e 21; Mt 12, 40), Jesus ressuscitou. Esse supremo fato já
havia sido previsto por David (Sl 15, 10) e por Isaías (Is 11, 10).
São
Paulo ressaltará o valor desse grandioso acontecimento: “Se Cristo não
ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15, 14).
Daí a importância capital da Páscoa da Ressurreição, a magna festa da
Cristandade, a mais antiga, e centro de todas as outras, solene, majestosa e
pervadida de júbilo: “Haec est dies quam
fecit Dominus. Exultemus et laetemur in ea” — esse é o dia que o Senhor
fez, seja para nós dia de alegria e felicidade (Sl 117, 24).
Na
liturgia, essa alegria é prolongada pela repetição da palavra “aleluia”, pelo
branco dos paramentos e pelos cânticos de exultação. Com razão dizia
Tertuliano: “Somai todas as solenidades dos gentios e não chegareis aos nossos cinquenta
dias de Páscoa” (TERTULIANO.De idolatria, c 14 ML 1, 683).
Na
Ressurreição do Senhor, além de contemplarmos o triunfo de Jesus Cristo,
celebramos também a nossa futura vitória, sendo aplicáveis a nós as belas
palavras de São Paulo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu
aguilhão?” (1 Cor 15, 55).
Cristo foi o único
que ressuscitou por seu próprio poder
Elias
operara a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, em casa de quem vivia (1
Rs 17, 17-24). Mais tarde, o mesmo faria Eliseu com o filho de uma sunamita (2
Rs 4, 17-37).
O
próprio Salvador, tomado de pena ao encontrar o cadáver da filha de Jairo, ordenou
às mulheres que não mais chorassem, pois a menina apenas dormia. Jesus
conservou consigo apenas os pais e três apóstolos e, tomando-a pela mão, disse:
“Menina, eu te ordeno, levanta-te!” Ela se pôs de pé cheia de vida e de
alegria. Maravilhados com o prodígio, os pais nem se deram conta de que a
jovenzinha precisava se alimentar, e o próprio Mestre teve de lhes lembrar isto
(Mc 5, 35-43).
A
compaixão de Jesus pelos sofrimentos humanos se manifestou novamente ao deparar
Ele com um enterro, na cidade de Naim. Todos caminhavam consternados em
extremo, pois falecera o filho de uma viúva, seu único sustento. O féretro
encontrava-se cercado por gente desfeita em pranto. As misericordiosas
entranhas de Nosso Senhor se comovem: “Não chores”, diz Ele à pobre mãe. E,
colocando sua onipotência divina a serviço de sua bondade infinita, diz: “Moço,
eu te ordeno, levanta-te!” Obedecendo à solene voz do Criador, começou a falar
aquele que havia pouco ainda era defunto. Jesus tomou-o pela mão e o entregou a
sua mãe (cf. Lc 7, 11-16).
A
mais impressionante de todas as ressurreições operadas por Jesus foi, sem
dúvida, a de Lázaro. Maria, irmã do morto, advertiu o Mestre de que o cadáver
já entrara em decomposição, pois recebera o ósculo da morte quatro dias antes.
Entretanto, apesar de saber Jesus que o milagre a ser efetuado aguçaria a
inveja dos fariseus e, assim, apressaria sua própria morte, Ele ansiava
ardentemente por cumprir os desígnios do Pai. No Sagrado Coração de Jesus
encontram-se, então, dois fortes sentimentos harmônicos: a compaixão por seu
amigo Lázaro e pelas irmãs dele, e a pressa em realizar a finalidade de sua
Encarnação. Manda que se remova a lápide da entrada do túmulo. Um repugnante
odor se espalha entre os presentes. Uma voz possante e onipotente ordena:
“Lázaro, vem para fora!” À boca do túmulo cavado na pedra, um cadáver
revivescido apresenta-se com dificuldade, com vendas por todo o corpo. Uma nova
determinação: “Desatai-o e deixai-o ir”, dito com divina serenidade. Era a
mesma voz à qual os ventos e os mares obedeciam... (Jo 11, 38-44)
Na
Sexta-feira Santa, ressurreições numerosas se operaram, concomitantes ao
terremoto, às trevas e ao rasgão do véu do templo. Os justos deixaram suas
sepulturas, passearam pelas ruas e apareceram a muitas pessoas, certamente para
increpá-las pelo deicídio (cf. Mt 27, 52-53).
Ao
longo da Era Cristã haverá outras ressurreições: São Pedro fará retornar à vida
Tabita (At 9, 36-43); São Paulo, com um abraço, reerguerá da morte o jovem
Êutico (At 20,9-12); São Bento devolverá com saúde, a um camponês, o filho,
cujo corpo inerte havia sido posto à porta do mosteiro.
Mas,
se numerosas foram as ressurreições ao longo dos tempos, no que se distingue
especialmente a de Cristo?
Em
primeiro lugar, nunca ninguém profetizou seu próprio retorno à vida terrena.
Menos ainda pôde alguém operar por seu próprio poder esse milagre tão acima da
natureza criada.
“Destruí
este templo, e eu o reedificarei em três dias” (Jo 2, 19). Era a maior prova de
que Jesus dissera a verdade. Mais. De que Jesus é a Verdade. Nenhum ato poderia
ser mais convincente que esse, mas nem por isso se convenceram os maus:
“Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para
anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes. Reuniram-se estes em
conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro,
ordenando-lhes: ‘Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite,
enquanto dormíeis. Se o governador vier a saber, nós o acalmaremos e vos
tiraremos de dificuldades’. Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas
instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus.” (Mt 28,
11-15)
Demonstração
mais grandiosa de sua própria divindade, impossível. Má-fé mais entranhada
entre seus inimigos, inimaginável.
Um aspecto pouco
comentado da narrativa da Ressurreição de Jesus
Embora
não o tenham afirmado os Evangelistas, é de senso comum, e os bons autores são
concordes a este respeito, que Jesus apareceu em primeiro lugar a sua Mãe, logo
após a Ressurreição. Na sequência, apareceu a Santa Maria Madalena (Mc 16,9;
Jo, 1117) e, depois, a outras das santas mulheres (cf. Mt 28, 9-10).
Por
que motivo teria escolhido as mulheres para Se manifestar, antes dos próprios
Apóstolos?
Voltemos
nossa atenção para uma passagem do Evangelho muito pouco analisada:
“Passado
o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para
ungir a Jesus. E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o
sol havia despontado. E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da
entrada do sepulcro?” (Mc 16, 1-3)
Agiam
impensadamente, ou seja, de modo substancialmente imperfeito, por várias
razões. Sabiam que o cadáver havia sido ungido dois dias antes. Por que fazê-lo
de novo? Ademais, tratava-se do corpo de uma pessoa falecida havia quarenta e
oito horas. Por fim, é de bom senso que não se deve violar uma sepultura,
qualquer que seja, e as leis romanas não toleravam uma transgressão desse tipo.
Havia
dificuldades adicionais, como elas mesmas confessam: “Quem nos há de remover a
pedra...?” Naquela hora era improvável que encontrassem homens aos quais
pudessem pedir tal serviço. E na hipótese de lá haver alguns, prestar-se-iam a
realizar tarefa tão perigosa?
O
sepulcro havia sido lacrado com todos os cuidados dos odientos adversários de
Jesus, como sabiam os discípulos. Os príncipes dos sacerdotes e os fariseus
“asseguraram o sepulcro, selando a pedra e colocando guardas” (Mt 27, 62-66).
Como iriam elas convencer as sentinelas a lhes permitirem abrir o túmulo e
retirar o cadáver?
E
nada indica que elas tenham exposto seus planos a São Pedro e aos outros
Apóstolos. É mais uma nota de imperfeição. Agiam por conta própria num assunto
que poderia comprometer toda a Igreja nascente. Qualquer violação da sepultura
deixaria a incipiente comunidade cristã em complicada situação diante das
autoridades judaicas e romanas. O simples fato de chegarem a fazer aos vigias
alguma proposta quanto ao cadáver daria razão aos príncipes dos sacerdotes e
escribas, que haviam solicitado ao governador romano uma guarda diante do
túmulo de Jesus, pois “seus discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao
povo: Ressuscitou dos mortos”... (Mt 27, 64).
Outra
questão de grande peso para a avaliação dos fatos é esta: por que Nossa Senhora
não se juntou a elas? Terão perguntado à Mãe de Jesus se estava correto aquele
modo de proceder?
Além
do mais, elas mesmas não criam na Ressurreição. Do contrário, teriam preferido
ficar nas proximidades do Santo Sepulcro, para aguardar os acontecimentos. Igualmente,
não lhes teria ocorrido a ideia de embalsamar de novo o corpo, a fim de
protegê-lo da agressividade do tempo e da decomposição.
Este
juízo parece por demais severo, ainda que apoiado em autores de grande
importância. E de fato o é. Acrescente-se a isto que os próprios Apóstolos
consideravam a situação com a gravidade que estamos descrevendo. As terríveis
notícias sobre os acontecimentos da Paixão do Senhor, que se haviam propagado
por todos os lados, e o ódio que podiam sentir pairando no ar, haviam lhes
incutido terror até o fundo da alma. Por isto estavam trancados no Cenáculo.
Ora,
é precisamente em meio a esse clima de tragédia e pânico que aquele grupo de
piedosas mulheres, sem muito refletir sobre as conseqüências de seus atos,
resolve sair antes do raiar da aurora...
Apesar da sua
imprudência, as mulheres não foram repreendidas
Podemos
imaginar a enorme preocupação que tomou a todos no Cenáculo, ao darem por falta
dessas mulheres. E também o alvoroço que deve ter havido e os olhares de reprovação,
quando elas voltaram para contar o que haviam presenciado no túmulo de Jesus.
Apóstolos e discípulos não só não acreditaram na narração, como atribuíram tudo
à fértil imaginação feminina: “Mas essas notícias pareciam-lhes como um
delírio, e não lhes deram crédito” (Lc 24, 11). Ao narrar o episódio dos
discípulos de Emaús, São Lucas lhes coloca nos lábios um lamento sobre tais
mulheres, que haviam assustado a todos no cenáculo (cf. Lc 24, 22).
Apenas
São Pedro e São João resolveram se mover para certificar-se do que ouviram, e
creram em Santa Maria Madalena depois de examinarem o sepulcro de Jesus (Jo 20,
3-8).
No
fim de tudo, as próprias mulheres se deram conta do perigo a que se haviam
exposto e da imprudência cometida: “Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas
e amedrontadas; e a ninguém disseram coisa alguma (pelo caminho), por causa do
medo” (Mc 16, 8). Esta é a reação característica dos imprevidentes: antes do
ato, o perigo não existe; após as primeiras configurações deste, o pânico.
Diante
desses fatos, tornam-se incompreensíveis as atitudes de Nosso Senhor para com
elas. Façamos uma breve recapitulação dos fatos:
1.
Por escolha de Jesus, a precedência na pregação do Evangelho cabia aos homens
(os doze apóstolos e 72 discípulos). Ora, o mais importante de todos os
milagres, o fundamento de nossa fé, a Ressurreição do Senhor Jesus, não é
comunicada aos homens em primeiro lugar, mas sim às mulheres. Elas são
encarregadas pelo “raboni” de transmitir a Boa Nova para os próprios apóstolos
e discípulos, a fim de que estes a anunciem pelo mundo. Por cúmulo, eles nem
sequer chegam a lhes dar crédito... (cf. Mc 16, 11).
2.
Jesus manda dois Anjos (Lc 24, 4) para lhes comunicar o grande acontecimento
(Lc 24, 6; Mc 16, 6; Mt 28, 6). É a primeira vez que no Evangelho deparamos com
o termo “ressurreição” após a morte do Senhor.
3.
Elas não só não recebem a menor recriminação da parte dos mensageiros celestes,
mas são tratadas com enorme bondade e deferência. Um dos Anjos as recebe com
palavras carinhosas, procurando logo de início desfazer-lhes o medo e
mostrar-lhes que conhecia perfeitamente a alta razão que as movia até ali.
4.
Como ficou visto mais atrás, Jesus apareceu a Maria, sua Mãe, logo após sair do
sepulcro. Em segundo lugar, a Madalena (Jo 20, 16), com enorme ternura,
chamando-a pelo nome. E, em terceiro, às outras mulheres, também com muita
bondade, deixando que d’Ele se aproximassem e até osculassem seus pés (cf. Mt
28, 9-10).
O amor puro por
Jesus acaba compensando as imperfeições
A
esta altura nos perguntamos por que essa diferença de atitude de Jesus, para
com elas, de um lado, e para com os Apóstolos, de outro. O trato do Senhor para
os Apóstolos é bem descrito por São Marcos: “Finalmente apareceu aos onze,
quando estavam à mesa, e censurou-lhes a sua incredulidade e dureza de coração,
por não terem dado crédito aos que o viram ressuscitado” (Mc 16, 14). Sua
primeira palavra, portanto, segundo o evangelista, é de censura para com eles.
Que diferença! Por quê?
Não
teria entendido nada dessa sublime lição quem afirmasse que Jesus quis dar
preeminência à mulher sobre o homem. Não é este o caso. Na verdade, tais
episódios deixam transparecer claramente a essência do Evangelho, que Nosso
Senhor havia resumido nos seguintes termos: “Dou-vos um novo mandamento:
amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também deveis amarvos
uns aos outros” (Jo 13, 34). É no perfeito amor a Deus e ao próximo que está a
síntese do Evangelho.
Era
tão grande o amor que aquelas mulheres tinham por Jesus que até seu instinto de
conservação havia se definhado, no que significasse ir ao encontro d’Ele.
Carregavam imperfeições, mas o amor pelo Senhor era puro. E quando esse amor é
assim acrisolado, Cristo mesmo toma sobre si a tarefa de aperfeiçoar as ações
que a natureza humana decaída venha a realizar.
Com
essa afirmação, não é nossa intenção fazer uma apologia da imprudência enquanto
tal, mas ressaltar como as atitudes irrefletidas das santas mulheres do Evangelho
eram compensadas pelo puro amor de Deus — a caridade.
É
por demais exíguo o espaço destas páginas para discorrer sobre a falsa e a
verdadeira prudência. A primeira entrincheira a alma no mero raciocínio e abafa
o fervor. Mas nesse episódio do Evangelho vemos premiado o amor, mesmo quando
tingido de imperfeição. São Paulo se refere à essa supremacia do amor, ao afirmar
de nada valerem o dom das línguas, o de profecia, o de ciência, e outros, sem a
caridade (1Cor 13, 1-3).
O fervor é um
tesouro
São
Tomás transcreve este pensamento de Aristóteles: “Os que são movidos pelo
instinto divino são mais audazes...” (SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica I-II q. 45 a3c).
É
oportuno lembrar que também o coração do jovem costuma mover-se pelo amor,
sobretudo quando arrebatado pelo fervor primaveril. Tal como as santas
mulheres, muitas vezes não se guia pela prudência, nem pela razão, mas sim pela
audácia. Se se trata de um amor desinteressado e puro, Deus o premia.
Essa
chama é um tesouro, que precisa ser tratada com carinho. Cabe aos pais e aos
educadores não extingui-la, mas direcioná-la para as sendas do bem e da
virtude.
Terminemos
estas reflexões com uma explicitação de São Pedro Julião Eymard (1811-1868),
fundador da obra da adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento e da Congregação
Sacramentina:
“Nosso
Senhor quer suscitar em nós um amor apaixonado por Ele. Toda virtude ou
pensamento que não se torne por fim uma paixão, jamais produzirá algo de
grande. (...) O amor só pode triunfar se for em nós uma paixão vital. Sem isso,
podemos produzir atos isolados de amor, mas nossa vida não é ganha nem doada.
(...)
“Para
ser uma paixão, nosso amor deve seguir as leis das paixões humanas. Refiro-me
às paixões honestas, naturalmente boas; pois, em si mesmas, as paixões são
indiferentes. Fazemo-las más quando as dirigimos para o mal. Depende só de nós
utilizá-las para o bem. “Quando a paixão domina um homem, concentra-o. Determinado
homem quer chegar a uma certa posição honrosa e elevada. Só trabalhará para isto,
mesmo que tome dez ou vinte anos, não importa. ‘Chegarei lá’, diz ele.
Concentra nisto sua vida. Tudo fica reduzido a servir a este pensamento ou
desejo. Deixa de lado tudo o que não o conduza a seu objetivo. (...) Eis como
se chega, no mundo, ao que se deseja.
“Essas
paixões podem tornar-se más, e ai! muitas vezes não são mais que crime
contínuo. Mas, enfim, podem ser e são ainda, em si mesmas, honoríficas.
“Sem
uma paixão, nada alcançamos. Vivemos sem objetivo, arrastando uma vida inútil.
Pois bem, na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine
a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor
espera. Amai tal virtude, tal verdade, tal mistério apaixonadamente.
Devotai-lhe vossa vida, consagrai-lhe os vossos pensamentos e trabalhos. Sem
isso, nada alcançareis, sereis apenas um assalariado que trabalha por
empreitada, jamais um herói! (...)
“Olhai
os santos. Seu amor os transporta, faz sofrer, abrasa-os; é um fogo que os
consome, despende as suas forças e acaba por lhes causar a morte. Mas uma morte
feliz! Entretanto, se não chegamos todos a este ponto, podemos pelo menos amar
apaixonadamente a Nosso Senhor, e deixar que nos domine seu amor. (...) “Mas
poderíamos dizer: ‘Somos então obrigados a amar assim?’ Bem sei que o preceito
de amar deste modo não está escrito. Não é preciso! Nada o diz, mas tudo o
clama: esta lei do amor está em nosso coração. (...)
“Alguns
dirão: ‘Mas isto é exagero!’ Mas o que é o amor senão o exagero? Exagerar é
ultrapassar a lei. E o amor deve exagerar” (S. Pedro Julião Eymard, La Divine
Eucharistie).