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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Evangelho Solenidade da Epifania do Senhor - Ano C - Mt 2, 1-12

Comentário ao Evangelho Solenidade da Epifania do Senhor – Ano – C Mt 2, 1-12
1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém.
4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.
7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.
11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
 Diante do Rei, os bons reis e o mau
Na longa viagem empreendida pelos Magos, nada há de razões profanas ou mundanas. E, diante de um tirano de má fama como Herodes, é comovedora sua confiança penetrada de coragem. Sem dúvida, estavam sustentados por uma especial moção do Espírito Santo.
Natal e Epifania
A festa da Epifania — também denominada pelos gregos de Teofania, ou seja, manifestação de Deus — era celebrada no Oriente já antes do século IV. É uma das mais antigas comemorações cristãs, bem como a Ressurreição de Nosso Senhor.
Não nos devemos esquecer que a Encarnação do Verbo se tornou efetiva logo após a Anunciação do Anjo; entretanto, apenas Maria, Isabel, José e, provavelmente, Zacarias tiveram conhecimento do grande mistério operado pelo Espírito Santo. O restante da humanidade não se deu conta do que se passava no período de gestação do Filho de Deus humanado. A Revelação feita pelos Profetas era envolta em certo mistério que só após o testemunho dos Apóstolos se tornou evidente.
A Liturgia do Tempo do Advento

domingo, 27 de dezembro de 2015

Solenidade da Santa Mãe de Deus

Comentários ao Evangelho - Lc 2, 16-21 - Solenidade da Santa Mãe de Deus
Naquele tempo, 16 os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.
17Tendo-O visto, contaram oque lhes fora dito sobre o Menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam.
19Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.
20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 21 Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do Menino, deram-Lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo Anjo antes de ser concebido (Lc 2, 16-2 1).
Predestinada desde toda a eternidade
Da consideração do maior dentre os privilégios marianos emanam maravilhas que nos permitem vislumbrar a sublime grandeza da Mãe de Deus e nossa.
UM PRIVILÉGIO CONCEBIDO DESDE SEMPRE
A Igreja escolhe o primeiro dia do calendário civil para celebrar a maternidade divina de Nossa Senhora, a fim de que iniciemos o ano por meio da gloriosa intercessão de Maria. Ela derrama sobre nós suas bênçãos de maneira muito especial nesta Solenidade, cuja coincidência com a Oitava do Natal nos indica que a melhor forma de louvar o Menino Jesus é exaltar as qualidades da Mãe d’Ele e nossa, bem como a melhor forma de elogiar a Mãe é festejar o nascimento de seu Divino Filho.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Evangelho Domingo da Sagrada Família - Lc 2, 41-52 - Ano C

Comentários ao Evangelho Domingo da Sagrada Família - Lc 2, 41-52
41 “Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando Ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43
Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44Pensando que Ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-Lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não O tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura.
46 Três dias depois, O encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47 Todos os que ouviam o Menino estavam maravilhados com sua inteligência e respostas. 48 Ao vê-Lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe Lhe disse: ‘Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e Eu estávamos angustiados, à tua procura’. 49 Jesus respondeu: ‘Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?’. 50 Eles, porém, não compreenderam as palavras que Lhes dissera. 51 Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-Lhes obediente. Sua Mãe, porém, conservava no coração todas essas coisas. 52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens (Lc 2, 41-52).
Como encontrar Jesus na aridez?
Há momentos de nossa vida espiritual em que também nós “perdemos o Menino Jesus”. Ou seja, com ou sem culpa, a graça sensível pode desaparecer. Para reencontrá-Lo, devemos procura-Lo por meio da oração e dos seus ensinamentos.
O paradoxo da Sagrada Família
Uma bela metáfora oriental, relatada pelo presbítero Hesíquio de Jerusalém (séc. V), narra que a Santíssima Trindade estaria num verdadeiro impasse, por serem as três Pessoas totalmente iguais. E seria preciso haver algum acontecimento pelo qual o Pai pudesse ser louvado enquanto pai, o Filho ser inteiramente filho, e o Espírito Santo dar mais ainda do que já havia dado. Nessa dificuldade, a solução teria surgido no momento em que Nossa Senhora aceitou a encarnação do Verbo em seu virginal corpo, tornando-Se, deste modo, o “complemento da Santíssima Trindade”.1

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Evangelho do Dia do Natal do Senhor - Ano C - Jo 1, 1-18

Comentários ao Evangelho do Dia do Natal do Senhor - Ano C
1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus.
2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito.
4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 9Era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano.
10A Palavra estava no mundo — e o mundo foi feito por meio dela — mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram.
12Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo.

14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade. 15Dele, João dá testemunho, clamando: 'Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim'. 16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.(Jo 1, 1-18)
“Se não vos tornardes como meninos não entrareis no Reino dos Céus” 
Quer na Gruta de Belém, quer durante sua vida familiar, Jesus foi o divino exemplo de quanto devemos nos fazer “como meninos”. Sua inocência cresceu em manifestações ao longo de sua vida até o momento em que, morrendo crucificado, redimiu o gênero humano. Passados dois milênios, continua necessária a inocência. Cabe aos homens tornarem-se “como meninos” para a resolução da grande crise atual. Bem junto ao Presépio, meditemos sobre o Divino Infante neste proceloso Natal de 2015.
 I–Fez-se menino e habitou entre nós 

 A pleno júbilo repicam os sinos à meia-noite. Numa envolvente atmosfera de alegria, paz e harmonia, marcam eles o início da Missa do Galo. No interior do edifício sagrado quase não há sombras, a luz domina o ambiente, em inefável sintonia com o órgão e as melodiosas vozes. Os fiéis sentem-se atraídos a meditar sobre um dos principais mistérios de nossa fé, a Encarnação do Verbo, o nascimento do Menino Jesus.
Deus quis se fazer conhecer pelos homens
Cada festa litúrgica, ao nos propor a consideração de um determinado aspecto do Salvador, desperta em nós reações às vezes intensas: o Tabor nos causa admiração pelo brilho do acontecimento; acompanhando os Passos da Paixão, as lágrimas banham nossas faces; vibramos de gáudio ao considerar a Ressurreição e a Ascensão. E a doçura radiante emitida pela manjedoura de Belém não só nos encanta, como pervade nossas almas e as envolve em doce suavidade.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Evangelho da Missa da Noite do Natal do Senhor – Ano C – Lc 2,1-14

Comentários ao Evangelho da Missa da Noite do Natal do Senhor – Ano C – Lc 2,1-14
1Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra.
2Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria.
3Todos iam registrar-se cada um na sua cidade natal. 4Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, 5para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
6 Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, 7 e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria.
8Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. 9Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. 10O anjo, porém, disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: 11Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”.
13E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da corte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: 14“Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.

“Lux in tenebris lucet”

A mais fulgurante das luzes brilha nas trevas e oferece à humanidade a verdadeira paz, sobretudo em nossa era crivada de guerras, catástrofes e ameaças. Junto a Maria, a José e aos pastores, no Pesépio, adoremos o Menino-Deus, o Príncipe da Paz.
Cristo, o Centro da História
Vivemos no ano de 2006 e ninguém levanta a menor dúvida a este propósito, pois assim foi estabelecido, por consenso universal, o critério para elaborar o nosso calendário. Só esse fato seria, de si, suficiente para comprovar que há dois milênios e seis anos, numa gruta em Belém, nasceu o Menino-Deus com a missão de salvar o mundo. Essa é uma das provas da grande importância que todos os povos, crentes ou não-crentes, atribuíram ao acontecimento que acabou por dividir a História em dois grandes períodos: antes e depois de Cristo. Não tardaram muitos séculos para que urbi et orbe, três vezes ao dia, os sinos das igrejas ecoassem a fim de recordar e alçar seus louvores aos Céus pela Encarnação do Verbo; o Ângelus passou a ser uma devoção universal. A emoção e o júbilo pervadiram a terra e, ao longo dos tempos, na celebração do Natal, sempre ressoaram os cantos litúrgicos e as canções destinadas a manifestar a mesma alegria de há mais de vinte séculos: “Hodie Christus natus est” (1).
“Uma luz resplandece nas trevas” (Jo 1, 5): “Christus natus est nobis”, foi para nós que Ele nasceu, para a humanidade de todas as épocas, até o Juízo Final. O glorioso nascimento do Menino Jesus constitui uma inesgotável fonte de salvação. E, invariavelmente — sobretudo neste ano tão atravessado por ameaças de guerras, convulsões e terrores — o convite que nesta festividade é feito aos homens vem carregado de promessas. Junto ao Divino Infante pode-se encontrar a verdadeira paz, como ocorreu com os pastores e os Reis Magos. Movidos por um sopro do Espírito Santo, abandonaram seus afazeres e puseram-se a caminho em busca da Paz Absoluta, para adorá-La. Esse mesmo convite nos é dirigido a nós na noite de hoje: “Venite adoremus”, pois “a graça de Deus, nosso Salvador, apareceu a todos os homens. (...) Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens” (Tt 2, 11; 3, 4).
Viagem de José e Maria a Belém

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Comentários Jo 1, 19-27

E este é o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para o interrogarem: “Quem és tu?” 20Ele confessou e não negou; mas declarou francamente: “Eu não sou o Cristo.
Ele fez questão de usar estes dois verbos: um afirmativo e outro negativo. Confessou e não negou. Bastaria ele dizer: “Confessou”, ou então: “Não negou.” Mas ele faz questão de dizer: “Confessou e não negou.” Ele quer dar a ideia de que houve uma confissão. Confissão é aquele que declara, que manifesta a sua fé. Então, está aqui para nós, já um primeiro ponto de conselho espiritual: nós devemos confessar e não negar. Confessou e não negou.
Ele vai repetir ainda.
João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias.”
Isso perturbava enormemente os judeus que tinham mandado os sacerdotes e levitas. Perturbava, porque eles gostariam de que fosse dito: “Eu sou o Messias.” Porque aí eles obrigariam João Batista a ir ao Sinédrio. O que aconteceria se ele não fosse ao Sinédrio? Aconteceria que João Batista, enquanto Messias, estaria rompendo com o Sinédrio e o Sinédrio podia fazer uma guerra. Assim como eles mataram os profetas ao longo dos séculos, eles também arrumariam um meio de matar este que se dizia Messias, porque estava prejudicando completamente toda a política deles, levitas, sacerdotes e judeus.
Mas ele diz que não: “Eu confesso, não sou o Messias.” Isso cria uma insegurança. Porque, uma vez que não é o Messias, então quem é ele? Isso perturba. “Será que tem alguém que ele vem anunciando?” Porque eles sabiam que era a época do Messias. Se ele não é o Messias, então ele vem anunciando-O.
Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?”
A fama de São João Batista era tal que os sacerdotes e levitas, a mando dos judeus, perguntaram-lhe se ele era ou não o Messias, se ele era ou não Elias. A primeira idéia era a de ser o Messias. Eles vão descendo a escala dos personagens. “Bom, uma vez que ele nega ser o Messias, então, de repente é Elias. Se ele diz que é Elias, estamos perdidos!”
Sim, porque Elias é aquele que manda abrir a terra, vir fogo do céu, que pára a chuva... Então, será Elias? E a tensão nervosa na pergunta:  “Então és tu Elias? És Elias? Dize com sinceridade...”
João respondeu: “Não sou.”
Com essas respostas, eles tinham um alívio imediato, mas depois crescia ainda mais a insegurança. Por que? Porque João devia ser uma figura meio mítica, legendária, saída de alguma toca ou gruta, ou de alguma eternidade desconhecida. Parecia uma figura eterna. E depois, anacoreta mesmo, alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre, vestido de pele de camelo, com um cinturão. Era um homem que espantava, dono de uma voz forte, segura. Ele era um homem seguro. Nada dessa indecisão: “Eu? Eu não... eu não sou Elias...” “Não sou!” 
Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou.” Eles perguntaram: “És o profeta?”
Porque podia ser um profeta. E já isto os apavorava também, porque a palavra dele seria tomada como palavra de Deus. Mas eles iam pedir um sinal se ele dissesse que era um profeta, porque nenhum judeu aceitava a presença de um profeta sem um sinal. No entanto, eles aceitavam Elias. Primeiro, devido àquele sacrifício feito, os oitocentos e cinquenta sacerdotes de Baal. Elias era o homem. E depois, o profeta que desapareceu e que tem ainda uma missão no fim do mundo. Isso tudo a respeito de Elias impressionava muito. Se ele dissesse:
— Sou um profeta.
 Imediatamente pediriam:
 — Dê-nos um sinal.
 E São João vai dizer mais uma vez com segurança, com firmeza.
“És o profeta?” Ele respondeu: “Não!” Perguntaram então: “Quem és, afinal?”  
 “Temos de levar uma resposta para aqueles que nos enviaram.”
Como que dizendo: “Diga-nos quem és, porque se nós chegarmos lá sem resposta, eles nos enforcarão.” Imaginem a pressão provavelmente feita sobre eles! ─ “Não apareçam aqui sem uma resposta muito clara.”
A resposta que ele vai dar é um discurso lindíssimo.
João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto:”
 “Que clama no deserto.” É uma referência a Isaías que eles conheciam perfeitamente. Antes do aparecimento do Messias, haverá uma voz que clamará no deserto. “Eu sou aquele que Isaías previu.”
Pânico. 
Eu sou a voz que clama no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’ — conforme disse o profeta Isaías.
Eles sabiam perfeitamente. Isaías tinha dito isso, e, no fundo, ele está dizendo: “Eu sou a realização dessa profecia de Isaías.”
E ninguém ousa dizer o contrário. Eles conheciam a Escritura, conheciam Isaías, sabiam perfeitamente esse trecho. Esse trecho devia ter girado pela cabeça deles incontáveis vezes. E estavam preocupados de que realmente se tratasse de uma voz que clama no deserto. “Sou a voz que clama no deserto.”
Ora, os que tinham sido enviados, pertenciam aos fariseus...
Portanto, eram sacerdotes levitas que pertenciam aos fariseus.
E perguntaram...
Porque os fariseus eram os mestres em obedecer todo o ritual.
Os fariseus tinham constituído uma religião com base em seiscentas e vinte três regras para serem observadas. E aquelas regras todas eram um tormento. Eles exigiam o cumprimento com lupa em uma mão e chicote na outra: “Tem que fazer isto agora, tem que fazer aquilo.”
E, segundo os fariseus, não era permitido haver um ritual fora das seiscentas e vinte e três regras; não se podia batizar outros se não fosse Elias, ou profeta, ou o Messias. Porque se fosse o Messias era compreensível. Se fosse profeta, também. E, mais ainda, se fosse Elias. Então, não entendiam. E por isso é que São João coloca aqui em tom ridicularizante. Por serem fariseus, eles não entendiam o batismo de João. Ora, todo o povo entendeu o batismo de João e aceitou-o. E agora está diante dele um grupo que não aceitou o batismo: os fariseus. Então os fariseus perguntaram:
“Por que, então, andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o profeta?” João respondeu:
E a resposta é tremenda... “Eu batizo com água...”
Como se dissesse: “Qual é o mal de batizar com água? Qual é o problema?”
“Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está aquele que vós não conheceis e que vem depois de mim.”
Já aqui é um deboche de São João Batista em relação a eles: diz que os fariseus que estavam aí não O conheciam. Ou seja, havia um no meio deles que eles não conheciam. Ou seja, ele está dizendo: “Eu sou o precursor. Eu venho antes daquele que vem depois de mim.”
“Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias.”
Este homem, com poder de influência, fama, mito, glória, com uma aura impressionante, no meio de toda a opinião pública, diz: “Eu não sou digno de me agachar e desamarrar as sandálias deste que vem depois de mim. Não é indignidade de lavar os pés, é de desamarrar as sandálias. Ou seja, perto d’Ele eu não sou nem sequer escravo. Eu não sirvo para ser escravo d’Ele.”
Isso deixou os fariseus, os que eram sacerdotes e levitas, assustadíssimos. “Quem será que este homem vem precedendo? Quem será?”
Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
E São João Evangelista coloca isso no começo do Evangelho dele. Isso é o capítulo I, versículos 19-28. Isso é para deixar claro que a figura de Nosso Senhor tinha sido atestada por São João Batista e por ele também, enquanto evangelista. Portanto, não havia como colocar em dúvida.
 Nós devemos ser aqueles que aplainam os caminhos do Senhor com nossas palavras e nossa atitude
Fica para nós, subjacente neste Evangelho, o seguinte convite: nós devemos ser aqueles que aplainam o caminho do Senhor. Nós devemos ser aqueles que clamam no deserto. Nós devemos clamar com as nossas palavras e com a nossa atitude.
E, pondo isto no Evangelho, São João está dizendo que não basta conhecer. É bom conhecer, porque quem não conhece, não ama; é preciso conhecer para amar. O conhecimento é fundamental, é preciso conhecer. Mas só o conhecimento não basta. É preciso que, além do conhecimento, nós sejamos testemunhas.
Então, cada um de nós, na sua idade; cada um de nós, no seu chamado; cada um de nós, na sua categoria social; cada um de nós, no seu ambiente, cada um de nós tem que dar testemunho. Cada um de nós deve, além de conhecer, viver aquilo que conhece e transpor o conhecimento à sua própria vida. E, na liturgia de hoje, nós somos chamados a clamar no deserto e a aplainar os caminhos do Senhor.

Muitas vezes, o que é preciso para aplainar os caminhos do Senhor? Tirar uma pedra. Se há uma pedra no caminho e não dá para passar, é preciso retirá-la.

Mons João Clá Dias - homilia 2/01/2006 - sem revisão do autor. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Evangelho IV Domingo do Advento – Ano C – Lc 1, 39-45

Comentários ao Evangelho IV Domingo do Advento – Ano C – Lc 1, 39-45
39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 
Com um grande grito exclamou: “ Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu."( Lc 1, 39-45)
A arrebatadora excelência da voz de Maria
Ao ouvir a voz da Mãe de Deus, São João Batista foi imediatamente purificado do pecado original. Tal prodígio prenunciava as grandes transformações reservadas aos que, ao longo da História, seriam objeto da maternal intercessão de Maria.
O OLHAR HUMANO E O OLHAR DA FÉ
Ensina o Apóstolo que “o justo viverá pela fé” (Gal 3, 11). Esta afirmação ressalta a natural insuficiência de nossa razão para atingir, por si mesma, determinadas verdades da Religião Católica. Quando a inteligência se dissocia de Deus, perde a capacidade de apreender o que a realidade possui de mais essencial: a presença d’Ele na alma e em todo e universo criado. Basta recordarmos o testemunho de Santo Agostinho que, após percorrer em vão o mundo do pensamento à procura do sentido de sua existência, exclamou: “Tu estavas dentro de mim, mais interior que o meu próprio íntimo e mais elevado que o ápice do meu ser”.1 Ora, esse conhecimento foi-lhe dado pela fé, pois a vista humana não alcança a Deus diretamente.2
De igual forma, quando analisamos as Sagradas Escrituras não é possível acompanhá-las com a pura inteligência. Esta fica aquém da amplitude sobrenatural dos episódios da História Sagrada, de modo especial dos Evangelhos, e a partir de certo limite deve se abrir para as inspirações do Espírito Santo a fim de penetrar em seu sentido divino. Cabe-nos meditar tais fatos enquanto acontecimentos movidos pela ação direta e eficaz do Criador.