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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)

Conclusão dos comentários ao Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)
III – O Imenso Dom da Eucaristia
A partir deste episódio que contemplamos aqui pela pena de São Lucas, São João, por sua vez, em seu Evangelho, demonstra na sequência da sua narração que com esse milagre Nosso Senhor tinha em vista a revelação formal da Eucaristia. O milagre da multiplicação dos pães é apenas uma introdução — pálida, mas quão cuidadosa — escolhida pelo Redentor para sublinhar o tema eucarístico e desenvolvê-lo com extraordinária clareza no discurso sobre o Pão da Vida (cf. Jo 6, 22-59). Eis a razão de ser lembrado pela Igreja ao comemorar a Solenidade de Corpus Christi.
O significado profundo do milagre está no fato de Deus ter criado o homem com a necessidade digestiva — como aludimos a princípio — porque iria oferecer-Se em alimento. Ele, que poderia ter-nos criado com a subsistência baseada somente no ar, por exemplo, quis que tivéssemos a necessidade de comer, para ficar patente que, assim como na alimentação se encontra a base da vida natural, a essência da vida da graça está na Eucaristia.12
Um banquete para a alma

sábado, 21 de maio de 2016

Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)

Comentário ao Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)
Naquele tempo, 11 b Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam.
12 A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”.
13 Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”.
14 Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”.
15 Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. 16 Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. 17 Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.
O mais substancioso dos banquetes
Ao criar o homem com necessidade de se alimentar, quis Deus estabelecer na nutrição o sustento da vida natural. Esta situação é imagem da vida da graça, cuja base também é um alimento celeste: a Eucaristia.
I – A Alimentação é conatural ao homem
A vida no Paraíso proporcionava ao homem inúmeros gozos e alegrias, pois a harmoniosa disposição de todas as coisas o cumulava de bem-estar. Nossos primeiros pais encontravam-se cercados de muitos privilégios concedidos por Deus, com vistas a que a felicidade da existência terrena os levasse a amá-Lo de maneira mais perfeita. Um desses deleites, quiçá pouco considerado, porém valioso, era a facilidade com que podiam servir-se dos melhores alimentos. Ensina São Tomás de Aquino1 que, sendo a alimentação parte do mandato divino (cf. Gn 2, 16), o homem pecaria caso não comesse. Não era necessário, entretanto, trabalhar para preparar o alimento, pois a própria natureza oferecia as mais deliciosas iguarias, prontas para serem degustadas. Prova disso é que Adão, quando foi posto fora do Éden, escutou de Deus estas duras palavras: “Ganharás o pão com o suor de teu rosto” (Gn 3, 19). O castigo revela que antes ele o recebia sem fadiga, embora não saibamos exatamente como isso se passava.
Com o pecado original, o homem perdeu este e tantos outros benefícios, conforme recorda São João Crisóstomo: “Foi como se Deus lhe dissesse: Eu te preparei, ao criar-te, uma existência isenta de dores, de trabalho, de fadigas e inquietudes. Tu gozaste de uma felicidade perfeita e, sem conhecer nenhuma das tristes sujeições do corpo, gozaste em plenitude de todas as delícias da vida. Mas tu não soubeste apreciar este feliz estado, e eis que Eu amaldiçoo a terra. Daqui em diante, se não a trabalhares e não a cultivares, ela já não te dará como antes seus diversos produtos; Eu inclusive acrescentarei, aos trabalhos e penosos labores, as doenças e contínuas fadigas, de sorte que tu não possuirás coisa alguma senão ao preço de teus suores, e esta tão dura existência será uma contínua lição de humildade e uma lembrança de teu nada”.2