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domingo, 12 de março de 2017

Evangelho III Domingo da Quaresma – Ano A

Comentários ao Evangelho III Domingo da Quaresma – Ano A
Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto de um terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-Se junto ao poço. Era por volta de meio-dia.
7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-Me de beber”.
8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que Tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-Me de beber’, tu mesma Lhe pedirias a Ele, e Ele te daria água viva”. 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que Eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b “Senhor, vejo que és um profeta! 20 Os nossos pais adoraram neste monte mas Vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21 Disse-lhe Jesus: “Acredita-Me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade”. 25 A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando Ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”.
26 Disse-lhe Jesus: “Sou Eu, que estou falando contigo”. 39a Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4, 5-15.19b-26.39a.40-42).
Amor a toda prova
O encontro com uma pobre mulher da Samaria prefigura o amor de Jesus por todos nós. Fatigado pelo calor do caminho, o Redentor necessita de água. Mas sua sede de converter aquela alma é incomparavelmente maior.
I – INTRODUÇÃO
Os judeus doutos e os discípulos de São João
Logo após o Batismo de Jesus, surgem os primeiros discípulos. Formados na escola do Precursor, estavam à espera do Messias e por isso seguem-nO de imediato. Fica bem descrito no começo do Evangelho de São João o convívio de Jesus com a comunidade eleita pelo Batista, orientada na fé, esperança e amor. A narração dos atos iniciais da primeira fase da vida pública do Salvador culmina com o episódio das Bodas de Caná e o da expulsão dos vendilhões do Templo.
Depois de falar dos discípulos, o Evangelista focaliza outra categoria de pessoas pertencentes à comunidade judaica: certos anciãos, os quais, apesar de crerem em Nosso Senhor, não ousavam declará-lo publicamente, por extremo respeito humano. Nicodemos, que os representava, ao se aproximar de Jesus, afirma: “Sabemos que foste enviado por Deus como Mestre” (Jo 3, 2). Ele diz: “sabemos”, e não confessa crer na divindade de Jesus. Vê-se que, aplicando a inteligência e apoiando-se em dados culturais, chegara à sua conclusão por puro raciocínio desprovido de fé. É um típico representante da corrente dos homens doutos instruídos na ciência farisaica.
O contraste entre o filão dos discípulos do Batista e o dos anciãos auxilia a melhor compreender – pela semelhança com um e a diferença com o outro – a figura da samaritana, contemplada na Liturgia de hoje.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Homilia Transfiguração

A lembrança da Transfiguração

Assista aos comentários de Mons João Clá Dias.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Evangelho II Domingo da Quaresma – Ano A

Comentários ao Evangelho II Domingo da Quaresma – Ano A
Naquele tempo, 1 Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2 E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o Sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3 Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4 Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, e outra para Elias”. 5 Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual Eu pus todo meu agrado. Escutai-O!” 6 Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7 Jesus Se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. 8 Os discípulos
ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus.
9 Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos” (Mt 17, 1-9).
Como será a felicidade eterna?
A Transfiguração foi para os discípulos um antegozo do Céu e uma imensa consolação para enfrentar as futuras provações da Paixão e Morte de Jesus. Também todo batizado recebe consolações, como estímulo a perseverar no serviço de Deus.
Mons. João Clá Dias, E.P.
I - A imensa felicidade do Paraíso Celeste
São Paulo declara aos Coríntios ter sido arrebatado ao Céu em certo momento de sua vida, e lá ter ouvido palavras impossíveis de ser transmitidas e menos ainda de poder explicá- las: "... foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis que não é lícito [ou possível] a um homem repetir" (2 Cor 12, 4).
De fato, para os místicos torna-se difícil externar suas experiências interiores, e daí bem podemos compreender o quanto faltaram a São Paulo os termos de comparação para relatar o que com ele se passara, pois, segundo o que ele mesmo havia dito anteriormente: "nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam" (1 Cor 2, 9). Essa é a maravilha que nos aguarda no momento de ingressarmos na vida eterna. E esse deve ter sido um considerável motivo para São Paulo perseverar até a hora de seu martírio, apesar de ter ele visto então apenas reflexos do Absoluto que hoje contempla face a face.
Consideremos em profundidade - até onde pode alcançar nossa inteligência fortalecida pela fé - qual será a essência de nossa felicidade quando ingressarmos na visão beatífica.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Evangelho I Domingo da Quaresma - Ano A

Comentários ao Evangelho I Domingo da Quaresma - Ano A
Naquele tempo, 1 o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome.  Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pãesl” 4Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-O sobre a parte mais alta do Templo, 6 Lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo! Porque está escrito Deus dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, e eles Te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!”
8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e sua glória,  Lhe disse: “Eu Te darei tudo isso, se Te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10 Jesus lhe disse: “Vai-te embora, satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto”. 11 Então o diabo O deixou. E os Anjos se aproximaram e serviram a Jesus (Mt 4, 1 - 1 1).
Sua vitória é nossa força
Ao triunfar sobre o demônio e as tentações no deserto, Nosso Senhor nos dá a principal garantia de que também nós, sustentados pela graça, podemos transpor incólumes todas as lutas espirituais.
“A VIDA DO HOMEM SOBRE A TERRA É UMA LUTA”
Os fenômenos da natureza humana, mesmo os mais comuns, não raras vezes obedecem a leis que, ao serem analisadas com atenção, podem nos proporcionar valiosas lições. E o que acontece quando sofremos uma fratura e somos obrigados, por exemplo, a manter engessado durante longo período um braço ou uma perna. No momento em que o gesso é retirado comprovamos que o membro atingido, embora antes fosse forte e vigoroso, tornou-se flácido. A musculatura ficou atrofiada pela imobilidade, sendo necessário submetê-la a sessões de fisioterapia para readquirir seu aspecto normal. Algo parecido se verifica com o homem que trabalhou a vida inteira e, ao se aposentar, opta por uma existência sedentária, permanecendo sentado na maior parte do dia numa confortável cadeira de balanço. Tal regime o expõe, com o tempo, a alguma grave doença, pois a constituição do ser humano exige movimento, esforço e combate.
Isso tem sua reversibilidade na vida espiritual, e até com maior razão. Nossa alma precisa exercitar-se constantemente na virtude a fim de aderir ao bem com toda a força, para o que as dificuldades, sobretudo a tentação, contribuem com um importante estímulo, como recorda Santo Agostinho: “Nossa vida neste desterro não pode existir sem tentação, já que o nosso progresso é levado a cabo pela tentação. Ninguém se conhece a si mesmo se não é tentado; nem pode ser coroado se não vence; nem vence se não peleja; nem peleja se lhe faltam inimigo e tentações” .
A Liturgia deste 1º Domingo da Quaresma nos ensina a reconhecer a necessidade e o valor da tentação.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Evangelho Quarta-feira de Cinzas

Comentários ao Evangelho Quarta-feira de Cinzas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. (Mt 6, 1-6.16-18).
No jejum, na oração ou na prática de qualquer boa obra, não se pode erigir como fim último o benefício que daí possa nos advir, mas sim a glória d'Aquele que nos criou. Pois tudo quanto é nosso - exceção feita das imperfeições, misérias e pecados - pertence a Deus.
Mons. João Clá Dias, EP
I - Tempo de penitência e reconciliação
Por meio do Ciclo Litúrgico, com sabedoria e didática, rememora a Igreja ao longo do ano os mais importantes episódios da existência terrena do Verbo Encarnado. As solenidades da Anunciação e do Natal, as comemorações do Tríduo Pascal e da Ascensão de Nosso Senhor aos Céus, entre outras, compõem um variado caleidoscópio, apresentando à piedade dos fiéis diferentes aspectos da infinita perfeição de nosso Redentor. As graças dispensadas pela Providência em cada um desses momentos históricos revivem, de certo modo, e se derramam sobre aqueles que devotamente participam dessas festividades.
Precedendo as solenidades mais importantes - o Nascimento do Salvador e sua Paixão, Morte e Ressurreição - a Igreja destina dois períodos de preparação: o Advento e a Quaresma, pois convém que, para celebrar tão elevados e sublimes mistérios, os fiéis purifiquem suas almas das misérias e apegos, tornando-as mais aptas a receber as dádivas celestes.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

EVANGELHO DE SÃO MATEUS 16, 13–19

 COMENTÁRIOS AO EVANGELHO DE SÃO MATEUS 16, 13–19

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,13-19
 Pode o Papa errar?
Em 22 de fevereiro a Igreja comemora a festa da Cátedra do Apóstolo Pedro, a rocha sobre a qual deixou Nosso Senhor Jesus Cristo alicerçada a sua Igreja, e sede infalível da verdade.
I – A natureza humana perante a infalibilidade
Uma curiosa experiência nos facilita compreender quão deficiente é o homem na objetividade em observar e narrar o que vê e ouve. Consiste em dispor um bom número de pessoas, e fazer circular entre elas, desde a primeira até a última, um qualquer comunicado oral, cada uma devendo ouvi-lo da anterior e transmiti-lo à seguinte. Nessas transmissões verbais sucessivas acontece por vezes tal distorção que o comunicado chega ao final com um significado totalmente diverso . quando não contrário… . do inicial.
Falhas como essa são conseqüências do pecado original. Por causa deste, a natureza humana .é lesada em suas próprias forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado. (Catecismo da Igreja Católica, nº 405).
A transmissão fidedigna de uma verdade e, sobretudo, sua interpretação e conservação, constituíam problemas já para os povos da antiguidade. Mais difícil ainda era explicitar, sem erro, questões metafísicas e sobrenaturais. Nem os tão admirados gregos, romanos e egípcios, com toda a sua sabedoria e ciência, escaparam a esse mal.
O conhecimento das verdades divinas pela religião natural
A partir de nossa razão e da observação das coisas criadas, podemos conhecer muito a respeito de Deus. É a isso que os teólogos católicos chamam de teologia natural, ou religião natural.
 As verdades que os homens podem assim alcançar incluem especialmente a existência de Deus e seus atributos (eternidade, invisibilidade, poder, etc).
Sobre a capacidade humana de atingi-las, São Paulo nos ensina na epístola aos romanos: .Porquanto o que se pode conhecer de Deus, eles [os pagãos] o lêem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. (1, 19-20).
Significativamente, já nos tópicos seguintes desta epístola, o Apóstolo mostra a infidelidade dos gentios a esse conhecimento do Criador, adquirido por meio da religião natural: .Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. (1, 21-24).
Essa constatação de São Paulo é um fato universal, verificado ao longo de toda a História. Mesmo quando os homens, por si mesmos, conhecem verdades da teologia natural, não são capazes de conservá-las íntegras e sem erro.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Evangelho VIII Domingo do Tempo Comum - Ano A - Mt 6, 24-34


Comentários ao Evangelho Mt 6, 24-34 -VIII Domingo do Tempo Comum
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24 “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25 Por isso Eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa?
26 Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos Céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27 Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 28 E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Porém, Eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará Ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31 Portanto, não vos preocupeis, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? 32 Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos Céus, sabe que precisais de tudo isso. 33 Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.
34 Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas” (Mt 6, 24-34).
Pode-se servir a Deus e às riquezas?
“Sempre tereis convosco os pobres” (Jo 12, 8), respondeu Jesus a Judas que, perplexo diante de um grande gasto de Maria Madalena, para ungir os adoráveis pés do Salvador, perguntara: "Por que não se vendeu esse bálsamo por trezentos denários e não se deu o dinheiro aos pobres?" (Jo 12, 5).
I – Introdução
Eis é a grande ansiedade que pervade as almas de povos e nações dos últimos tempos: a frenética busca dos bens materiais. Ora, segundo os Doutores, tanto mais se dividem os homens, quanto mais se apegam a esses bens. Pelo contrário, tanto mais união, benquerença e paz há entre eles, quanto mais se entregam aos bens espirituais. São Tomás de Aquino se serve várias vezes desse elevado pensamento de Santo Agostinho: "Bona spiritualia possunt simul a pluribus (integraliter) possideri, non autem bona corporalia – Os bens espirituais podem ser possuídos ao mesmo tempo por muitos, não, porém, os bens corporais”.1
Assim, quanto maior for o número dos que possuem os mesmos bens do espírito, tanto melhor será. Ademais, obtém-se grande progresso no conhecimento da verdade, na medida em que se procure ensiná-la e se deseje aprendê-la nos outros.
Eis a liturgia de hoje a nos indicar uma profunda solução para as crises atuais: a da desgastada questão social e a da ameaçada economia mundial.