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domingo, 14 de maio de 2017

Evangelho VI Domingo da Páscoa – Ano A

Comentários ao Evangelho VI Domingo da Páscoa – Ano A
"Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 ‘Se Me amais, guardareis os meus mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, 16 e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece. Vós O conheceis, porque Ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais Me verá, mas vós Me vereis, porque Eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que Eu estou no meu Pai e vós em Mim e Eu em vós. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse Me ama. Ora, quem Me ama, será amado por meu Pai, e Eu o amarei e Me manifestarei a ele'" (Jo 14, 15-21).
O amor íntegro deve ser causa do bem total
Praticar o bem exige cumprir os Mandamentos da Lei de Deus, sem admitir nenhuma concessão ao mal. Ora, a condição para observar os preceitos divinos é a caridade. Como alcançar, então, esse amor íntegro e sem mancha que nos conduz ao bem total?
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
I - O Espírito Santo é a alma da Igreja
Maravilhoso é o dom da vida! Tanto nos encantam a inocência e exuberância da criança quanto nos impressiona gravemente a consideração de um corpo humano sem vida. Inerte, encontra-se em estado de violência, de tragédia, dissonante de sua normalidade. Há pouco ainda, notava-se nele como todos os membros e órgãos, tão distintos entre si, entretanto se ordenavam em função da unidade dada pela alma. Ausente esta, o corpo inteiro entra em decomposição.
Fonte de unidade, vida e movimento
Isso que ocorre na natureza humana é imagem de algo muito mais elevado e misterioso: a relação da Igreja com o Espírito Santo. A propósito, esclarece Santo Agostinho: "O que é o nosso espírito, isto é, a nossa alma em relação a nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao Corpo de Cristo que é a Igreja".1

quinta-feira, 2 de março de 2017

Evangelho I Domingo da Quaresma - Ano A

Comentários ao Evangelho I Domingo da Quaresma - Ano A
Naquele tempo, 1 o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome.  Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pãesl” 4Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-O sobre a parte mais alta do Templo, 6 Lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo! Porque está escrito Deus dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, e eles Te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!”
8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e sua glória,  Lhe disse: “Eu Te darei tudo isso, se Te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10 Jesus lhe disse: “Vai-te embora, satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto”. 11 Então o diabo O deixou. E os Anjos se aproximaram e serviram a Jesus (Mt 4, 1 - 1 1).
Sua vitória é nossa força
Ao triunfar sobre o demônio e as tentações no deserto, Nosso Senhor nos dá a principal garantia de que também nós, sustentados pela graça, podemos transpor incólumes todas as lutas espirituais.
“A VIDA DO HOMEM SOBRE A TERRA É UMA LUTA”
Os fenômenos da natureza humana, mesmo os mais comuns, não raras vezes obedecem a leis que, ao serem analisadas com atenção, podem nos proporcionar valiosas lições. E o que acontece quando sofremos uma fratura e somos obrigados, por exemplo, a manter engessado durante longo período um braço ou uma perna. No momento em que o gesso é retirado comprovamos que o membro atingido, embora antes fosse forte e vigoroso, tornou-se flácido. A musculatura ficou atrofiada pela imobilidade, sendo necessário submetê-la a sessões de fisioterapia para readquirir seu aspecto normal. Algo parecido se verifica com o homem que trabalhou a vida inteira e, ao se aposentar, opta por uma existência sedentária, permanecendo sentado na maior parte do dia numa confortável cadeira de balanço. Tal regime o expõe, com o tempo, a alguma grave doença, pois a constituição do ser humano exige movimento, esforço e combate.
Isso tem sua reversibilidade na vida espiritual, e até com maior razão. Nossa alma precisa exercitar-se constantemente na virtude a fim de aderir ao bem com toda a força, para o que as dificuldades, sobretudo a tentação, contribuem com um importante estímulo, como recorda Santo Agostinho: “Nossa vida neste desterro não pode existir sem tentação, já que o nosso progresso é levado a cabo pela tentação. Ninguém se conhece a si mesmo se não é tentado; nem pode ser coroado se não vence; nem vence se não peleja; nem peleja se lhe faltam inimigo e tentações” .
A Liturgia deste 1º Domingo da Quaresma nos ensina a reconhecer a necessidade e o valor da tentação.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Evangelho IX Domingo do Tempo Comum – Ano C - Lc 7, 1 -10

Comentários ao Evangelho 9º Domingo do Tempo Comum – Ano C
Naquele tempo, 1 quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2 Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte.3 O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado.4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, 5 porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”.
6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa.7 Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente a teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8 Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem e ao meu empregado ‘Faze isto!’, e ele o faz”.

9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”.10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde (Lc 7, 1 -10).
A medida de nossa fé é nossa esperança
Nosso Senhor Jesus cristo pode e quer nos auxiliar em todas as nossas necessidades. Mas Ele condiciona a manifestação de sua onipotência misericordiosa à intensidade de nossa fé.
O Verbo divino é onipotente
Pelo semblante se conhece um homem; pelo aspecto do rosto se reconhece o sábio. A maneira como um homem se veste e como sorri, e a sua maneira de andar revelam aquilo que ele é”, observa o Eclesiástico (19, 26-27), transformando em máxima esse curioso matiz do relacionamento social. De fato, observar o exterior de uma pessoa leva-nos a melhor conhecê-la, pois algo da própria personalidade transparece tanto através da constituição física do corpo, quanto por meio de suas reações temperamentais.
Assim, embora o homem não veja o que se passa no interior de seu semelhante, pode discerni-lo pelas manifestações exteriores. Tal capacidade de percepção ocupa importante papel na vida em sociedade, pois, permitindo ao homem formar uma noção mais completa a respeito de seu próximo, propicia certa facilidade de mútua compreensão e adaptação, fatores indispensáveis para uma boa convivência.
Não obstante, essa regra teve uma singular exceção na História: Nosso Senhor Jesus Cristo. Sem dúvida, seu semblante e modo de ser denotavam, de forma indiscutível, um caráter superior. No aspecto físico não havia a mínima incorreção; dos gestos e do olhar emanavam nobreza e sublimidade, além de uma irresistível força de atração sobre quem O contemplasse, mesmo por poucos instantes. Contudo, por mais extraordinária que fosse a compleição de Jesus — a qual refletia sua perfeitíssima alma humana —, ela não evidenciava sua personalidade divina. E essa foi a prova de todos os que d’Ele se aproximaram durante os 33 anos de sua vida mortal: crer na divindade d’Aquele Mestre “exteriormente reconhecido como homem” (Fl. 2,7).

segunda-feira, 14 de março de 2016

EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR - ANO C

COMENTÁRIOS AO  EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR  - Lc 23, 1-49  
  Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas [versão mais breve]
Naquele tempo, toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos. 2 Começaram então a acusá-Lo, dizendo: Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei”. Pilatos o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu, declarando: “Tu o dizes!”  Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão: “Não encontro neste homem nenhum crime”. Eles, porém, insistiam: “Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui”. 6 Quando ouviu isto, Pilatos perguntou: “Este homem é galileu?”
7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu.
10 Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.
13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse: 14“Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”. 18Toda a multidão começou a gritar: “Fora com ele! Solta-nos Barrabás!”
18Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. 20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” 22E Pilatos falou pela terceira vez: “Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”. 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam — aquele que fora preso por revolta e homicídio — e entregou Jesus à vontade deles.
26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: ‘Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram’.
30Então começarão a pedir às montanhas: ‘Cai sobre nós! e às colinas: ‘Escondei-nos!’ 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?” 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus. 33Quando chegaram ao lugar chamado “Calvário”, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda.
34Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. 35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!”
36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, 37e diziam:“Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” 38Acima dele havia um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus”. 39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”40Mas o outro o repreendeu, dizendo: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. 42E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. 43Jesus lhe respondeu: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.
44Já era mais ou menos meio-dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde, 45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso, expirou.
47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo: “De fato! Este homem era justo!” 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, ficaram a distância, olhando essas coisas. ( Lc 23, 1-49)
Até na hora a aparente derrota, o Sumo Bem sempre vence
Aos louvores da entrada triunfal de Nosso Senhor em Jerusalém logo se sucederam as dores da Paixão. Como explicar este paradoxo?
 A inexorável luta entre o bem e o mal
Reportemos a imaginação à eternidade, quando ainda não existia o tempo, pois Deus não havia criado o universo. Ele tinha diante de Si a possibilidade de criar infinitos mundos diferentes deste em que vivemos, mas, por uma livre escolha de sua vontade, não quis fazê-lo.’ Muitos dentre eles, aos nossos olhos de meras criaturas, poderiam ter sido melhores do que o existente, quiçá algum sem pecado e sem lutas...
Entretanto, o que Deus criou? Um universo cujas criaturas são boas e o conjunto delas é “muito bom” (Gn 1, 31). Logo no seu início, porém, todo esse bem criado passou a coexistir com o mal, a partir do momento em que a terça parte dos espíritos angélicos se uniu a Lúcifer numa revolta contra Deus (cf. Ap 12, 4). Ao brado de São Miguel, os Anjos fiéis se levantaram em oposição aos rebeldes e “factum est prælium magnum in Cælo — uma grande batalha se travou no Céu” (Ap 12, 7). Precipitado nas trevas eternas, o demônio tentou, como forma de manifestar sua obstinada oposição a Deus, desfigurar a beleza do plano da criação.
Invejando a criatura humana, que ainda se conservava inocente e desfrutava das delícias do Paraíso e da amizade com Deus, satanás se empenhou “em enganar os homens, para que não fossem exaltados e elevados ao lugar de onde ele caíra”.2 Tomando o aspecto de uma encantadora serpente, astuta e habilidosa para exacerbar as paixões humanas, entrou ele em contato com Eva e lhe propôs a desobediência a Deus. Eva cedeu e levou Adão a segui-la no mesmo caminho.
Por que a serpente entrou no Paraíso?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Evangelho – I Domingo da Quaresma - Mc 1, 12-15 - Ano B

Conclusão dos comentários ao Evangelho – I Domingo da Quaresma
Progredir no amor e no conhecimento
Para o cumprimento dessa obrigação, a Igreja nos orienta maternalmente através da liturgia deste domingo. Já a Oração do dia nos indica de certa maneira o caminho: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa”.
Com efeito, precisamos “progredir no conhecimento de Jesus Cristo”, porque sendo Ele Deus e Homem verdadeiro é o arquétipo de todo o universo, conforme afirma São Paulo: “N’Ele foram criadas todas as coisas nos Céus e na Terra, as criaturas visíveis e as invisíveis” (Col 1, 16).
Mas basta conhecer? Não. Bem diz São João da Cruz: “No entardecer desta vida sereis julgados segundo o amor”.24 A mais profunda compreensão da doutrina deve servir, sobretudo, para aumentar a caridade em nós, de forma que melhor conhecendo a adorável Pessoa de Nosso Senhor, tenhamos maiores possibilidades de “corresponder a seu amor”.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Evangelho – I Domingo da Quaresma - Mc 1, 12-15 - Ano B

Continuação dos comentários ao Evangelho – I Domingo da Quaresma
II – O prólogo da pregação da Boa nova
O Evangelho deste primeiro domingo reporta-nos ao momento no qual dispunha-Se Cristo a iniciar sua missão de pregar a Boa Nova. Ao sair das águas do Jordão, logo após ser batizado por João, o Céu se abriu, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de uma pomba e ouviu-se uma voz vinda do Alto: “Tu és o meu Filho bem-amado; em Ti ponho minha afeição” (Lc 3, 22).
Nesse instante, comenta Bento XVI, deu-se uma como que investidura do encargo messiânico do Filho do Homem. Foram-Lhe conferidas ali, para a História e perante Israel, a dignidade real e a sacerdotal. A partir desse momento a vida de Jesus está subordinada à missão para a qual Ele havia Se encarnado.9
O recolhimento precede a ação
“Naquele tempo, 12 o Espírito levou Jesus para o deserto”.
Após o Batismo, a primeira disposição do Espírito Santo foi de conduzir Jesus ao deserto, onde Ele permaneceu quarenta dias em regime de penitência, isolamento e oração.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Evangelho – I Domingo da Quaresma - Mc 1, 12-15 - Ano B

Comentário ao Evangelho – I Domingo da Quaresma
Naquele tempo, 12 o Espírito levou Jesus para o deserto. 13 E Ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre animais selvagens, e os anjos O serviam. 14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15 ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!’” (Mc 1, 12-15).
Adequar o nosso pensamento, desejos, ações e sentimentos conforme Nosso Senhor Jesus Cristo é o único meio de correspondermos condignamente ao amor que Deus manifesta por cada um de nós.
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

I – Um amor levado ao extremo limite
É insondável o amor do Criador em relação a cada um de nós em particular. Por isso, às vezes, nos confunde a consideração de todos os benefícios que d’Ele recebemos.
Podendo simplesmente permanecer em sua plena e eterna felicidade, quis Deus criar o universo, com o objetivo de manifestar sua infinita bondade: “Ele criou por bondade. Não necessitava de coisa alguma daquilo que fez”1 — ensina Santo Agostinho.
A todos os homens e mulheres, Ele deu o ser, escolhendo-os um a um dentre as infinitas criaturas racionais que poderia criar. Ademais, nos redimiu do pecado, nos sustenta e favorece com seus dons, nas mais variadas circunstâncias. Mas, sobretudo, dá-nos a oportunidade de participar de sua vida divina já nesta Terra, como primícias da felicidade sem fim que nos está reservada no Céu, em inefável convívio com a Santíssima Trindade.
Deus faz aliança com os homens
Em contrapartida a tanta bondade, repete-se invariavelmente uma constante no comportamento dos homens: em determinado momento, eles se desviam dos caminhos traçados pelo Criador; a Providência, então, intervém a fim de evitar sua perdição, proporcionando-lhes os meios necessários para a salvação. Assim, quando Adão e Eva cometeram o primeiro pecado, Deus os castigou com a expulsão do Paraíso, mas fez ao mesmo tempo uma aliança com o gênero humano, prometendo-lhe a Redenção e o restabelecimento do estado de graça perdido.2
Contudo, não tardaram os homens a recair no pecado. Logo depois de nossos primeiros pais começarem a povoar o orbe com sua descendência, o Senhor constatou “o quanto havia crescido a maldade das pessoas na Terra e como todos os projetos dos seus corações tendiam para o mal” (Gn 6, 5). Arrependido, então, de ter criado o gênero humano, o Senhor o teria extirpado por completo da face da Terra se Noé não encontrasse graça diante de seus olhos (cf. Gn 6, 8).
Assim, conforme narra a primeira leitura deste domingo (Gn 9, 8-15), terminado o terrível castigo do Dilúvio, Deus abençoou Noé e seus filhos, e estabeleceu com eles e com sua descendência uma aliança que “permanece em vigor durante todo o tempo das nações, até a proclamação universal do Evangelho”.3
Essa aliança será mais tarde renovada com Abraão, em quem “serão abençoadas todas as famílias da Terra” (Gn 12, 3); através da Lei de Moisés, no Sinai (cf. Ex 19, 5-6); ou na promessa messiânica feita a Davi (cf. II Sm 8, 16), para citar apenas alguns dos principais episódios da história da Salvação.
Cristo, auge da história da Salvação
Passam-se os séculos e a humanidade atinge um auge de decadência que marca simultaneamente o fim do Antigo Testamento e a “plenitude dos tempos” de que nos fala o Apóstolo (Gal 4, 4). Jesus cumpre de maneira superabundante as promessas feitas aos patriarcas e profetas, assumindo a humana natureza sem deixar de ser Deus. Culmina, assim, com uma perfeição toda divina, a história da Salvação.
A Encarnação do Verbo é um mistério que ultrapassa por completo nossa capacidade intelectiva. Para tentar compreendê-lo em alguma medida, imaginemos um anjo nos propondo assumir a natureza de uma minhoca, sem deixarmos a condição humana, com a missão de salvar da morte todas as minhocas do mundo. Qual seria nossa resposta?
Ora, a diferença entre um homem e uma minhoca é insondavelmente menor do que a existente entre Deus e as criaturas racionais. No primeiro caso, há uma desproporção enorme; no segundo, nem sequer se pode falar de desproporção, porque a distância é infinita. Entretanto, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assumiu a natureza humana para nos salvar, manifestando por nós um amor extraordinário, fora de toda medida.
De uma “loucura” de amor nasce a Santa Igreja
No alto do Calvário, a bondade e a misericórdia do Verbo Encarnado pelos pecadores são levadas, por assim dizer, até à loucura (cf. I Cor 1, 18). E São Pedro nos lembra, na segunda leitura deste domingo: “Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. No Espírito, Ele foi também pregar aos espíritos na prisão, aos que haviam sido desobedientes outrora, como nos dias em que Noé construía a arca” (I Pd 3, 18-20a).
Na Aliança estabelecida por Deus com a humanidade após o Dilúvio, Ele prometeu não mais castigar a Terra por meio das águas (Gn 9, 11). Ora, bem se poderia dizer que a história da Salvação culmina num “dilúvio de Sangue”, de acordo com a expressiva fórmula de São Luís Maria Grignion de Montfort.4 Porque — se não bastassem a flagelação, a coroação de espinhos e todos os sofrimentos ao caminho do Calvário — Ele permitiu que, na Cruz, uma lança Lhe perfurasse o peito sagrado. Verteram-se nessa hora as últimas gotas de sangue e linfa que ainda restavam no seu Sacratíssimo Coração. Nasceu assim o Corpo Místico do qual Cristo é a Cabeça. “No Calvário, Ele completa sua imolação e faz nascer, em meio às mais espantosas torturas físicas e morais, a Igreja que Ele havia tão laboriosamente preparado e instituído. [...] É, pois, a Igreja que, segundo a doutrina dos Padres, sai do Lado aberto do Salvador e, por assim dizer, é dada à luz por Ele”.5
No mesmo sentido comenta São João “Pala da Santa Trindade” - por Fra Angélico, Convento de São Marcos, Florença (Itália) Crisóstomo: “Aquele sangue e aquela água são símbolos do Batismo e dos mistérios. De um e de outra nasce a Igreja, ‘pelo banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo’ (Tt 3, 5), pelo Batismo e pelos mistérios”.6 E o Concílio Vaticano II afirma serem o começo e o crescimento da Igreja “significados pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado”7; e que “do lado de Cristo dormindo na Cruz é que nasceu o admirável Sacramento de toda a Igreja”.8

Continua no próximo post

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Evangelho – I Domingo da Quaresma - Mc 1, 12-15 - Ano B

Comentário ao Evangelho – I Domingo da Quaresma
Adequar o nosso pensamento, desejos, ações e sentimentos conforme Nosso Senhor Jesus Cristo é o único meio de correspondermos condignamente ao amor que Deus manifesta por cada um de nós.
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
Naquele tempo, 12 o Espírito levou Jesus para o deserto. 13 E Ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre animais selvagens, e os anjos O serviam. 14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15 ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!’” (Mc 1, 12-15).
I – Um amor levado ao extremo limite
É insondável o amor do Criador em relação a cada um de nós em particular. Por isso, às vezes, nos confunde a consideração de todos os benefícios que d’Ele recebemos.
Podendo simplesmente permanecer em sua plena e eterna felicidade, quis Deus criar o universo, com o objetivo de manifestar sua infinita bondade: “Ele criou por bondade. Não necessitava de coisa alguma daquilo que fez”1 — ensina Santo Agostinho.
A todos os homens e mulheres, Ele deu o ser, escolhendo-os um a um dentre as infinitas criaturas racionais que poderia criar. Ademais, nos redimiu do pecado, nos sustenta e favorece com seus dons, nas mais variadas circunstâncias. Mas, sobretudo, dá-nos a oportunidade de participar de sua vida divina já nesta Terra, como primícias da felicidade sem fim que nos está reservada no Céu, em inefável convívio com a Santíssima Trindade.
Deus faz aliança com os homens
Em contrapartida a tanta bondade, repete-se invariavelmente uma constante no comportamento dos homens: em determinado momento, eles se desviam dos caminhos traçados pelo Criador; a Providência, então, intervém a fim de evitar sua perdição, proporcionando-lhes os meios necessários para a salvação. Assim, quando Adão e Eva cometeram o primeiro pecado, Deus os castigou com a expulsão do Paraíso, mas fez ao mesmo tempo uma aliança com o gênero humano, prometendo-lhe a Redenção e o restabelecimento do estado de graça perdido.2
Contudo, não tardaram os homens a recair no pecado. Logo depois de nossos primeiros pais começarem a povoar o orbe com sua descendência, o Senhor constatou “o quanto havia crescido a maldade das pessoas na Terra e como todos os projetos dos seus corações tendiam para o mal” (Gn 6, 5). Arrependido, então, de ter criado o gênero humano, o Senhor o teria extirpado por completo da face da Terra se Noé não encontrasse graça diante de seus olhos (cf. Gn 6, 8).
Assim, conforme narra a primeira leitura deste domingo (Gn 9, 8-15), terminado o terrível castigo do Dilúvio, Deus abençoou Noé e seus filhos, e estabeleceu com eles e com sua descendência uma aliança que “permanece em vigor durante todo o tempo das nações, até a proclamação universal do Evangelho”.3
Essa aliança será mais tarde renovada com Abraão, em quem “serão abençoadas todas as famílias da Terra” (Gn 12, 3); através da Lei de Moisés, no Sinai (cf. Ex 19, 5-6); ou na promessa messiânica feita a Davi (cf. II Sm 8, 16), para citar apenas alguns dos principais episódios da história da Salvação.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Evangelho III Domingo do Tempo Comum – Ano B – Mc 1, 14-20

Continuação dos comentários ao Evangelho – III Domingo do Tempo Comum – Ano B – Mc 1, 14-20
II – O Solene anúncio do Reino: “Convertei-vos!”
14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”
Vinha o Divino Mestre exercendo seu ministério de modo discreto, em concomitância com os derradeiros meses da pregação do Precursor. De acordo com o relato do Evangelista São João — objeto da consideração da Liturgia do anterior domingo (cf. Jo 1, 35-42) —, nesse período Cristo encontrou aqueles que posteriormente passariam a integrar o número dos Doze, ao ser por Ele chamados de maneira definitiva, como refere São Marcos nos próximos versículos.
A notícia da prisão de São João Batista constituiu o sinal esperado por Jesus de que chegara a hora determinada pelo Pai para dar início à sua vida pública, abrir as comportas da graça e acentuar o tom de sua voz, predispondo as almas para seu apostolado. “Uma vez entregue João” — comenta São Jerônimo — “logo Ele mesmo começa a pregar. Com a Lei em declínio nasce, em consequência, o Evangelho”.2 Daí em diante nenhuma outra preocupação O detém, a não ser a de cumprir a missão redentora que Lhe fora confiada e mostrar o caminho da salvação. Qual é este caminho?
Em virtude da união hipostática, Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e Homem verdadeiro; há n’Ele uma junção misteriosa entre as duas naturezas, na Pessoa do Verbo, que nossa inteligência jamais compreenderia sem um dom divino: a fé, na Terra, e a visão beatífica, na eternidade. Enquanto Homem, Ele dirá de Si mesmo: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). Assim, o pedido de Davi, repetido no Salmo Responsorial — “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!” —, torna-se n’Ele plenamente realizado. Ao formular este anseio faltava ao rei-profeta a ideia exata, como temos hoje, de qual era este Caminho. A nós que O conhecemos, é, pois, indispensável uma conversão.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Comentário ao Evangelho – III Domingo do Tempo Comum

Comentário ao Evangelho – III Domingo do Tempo Comum – Ano B – Mc 1, 14-20
Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” 16 E, passando à beira do Mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus lhes disse: “Segui-Me e Eu farei de vós pescadores de homens”. 18 E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19 Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20 e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus (Mc 1, 14-20).
Não se deve dar tempo ao tempo, mas sim à eternidade
O chamado à conversão e o anúncio do Reino nos colocam na perspectiva de um “tempo abreviado” que deve ser vivido em função da eternidade.
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
I – Viver no tempo sob a perspectiva da eternidade
A comunicação de Deus com o homem — em particular nos episódios mais salientes narrados na Escritura Sagrada — é o ponto central a partir do qual se desenrola a História. Como seria desejável assistir a todas as maravilhas da ação divina ao longo dos séculos, do grande mirante da eternidade, que só abandonaríamos no curto período entre nosso nascimento e o instante da morte! No entanto, dado que vivemos dentro do tempo, isto não é possível. Mas também fazemos parte da História, e tudo o que veio antes de nós, assim como o presente e o futuro, tem íntima relação conosco. Como, então, nos associarmos aos passos de Deus em todas as épocas?
A Liturgia permite reviver a História da salvação
Eis a maravilha da Liturgia! Com efeito, ela nos faz participar não só dos acontecimentos celebrados, mas, inclusive, das mesmas graças concedidas em cada um deles, conforme afirma o Papa Pio XII na Encíclica Mediator Dei: “O Ano Litúrgico, que a piedade da Igreja alimenta e acompanha, não é uma fria e inerte representação de fatos que pertencem ao passado, ou uma simples e nua evocação da realidade de outros tempos. É, antes, o próprio Cristo, que vive sempre na sua Igreja e que prossegue o caminho de imensa misericórdia por Ele iniciado, piedosamente, nesta vida mortal, quando passou fazendo o bem (cf. At 10, 38) com o fim de pôr as almas humanas em contato com os seus mistérios e fazê-las viver por eles, mistérios que estão perenemente presentes e operantes, não de modo incerto e nebuloso”.1
Há um mês e meio abriu-se o novo Ciclo Litúrgico com o período do Advento, que revive ao longo de quatro semanas — dedicadas à penitência e ao pedido de perdão por nossas faltas — a espera da humanidade pela chegada do Messias. Vinculamo-nos, assim, aos milênios que se seguiram desde a saída de Adão e Eva do Paraíso até o nascimento do Redentor. Exultando de alegria pela certeza de que uma mudança se verificaria e as coisas tomariam outra perspectiva, acolhemos Jesus na noite de Natal, O visitamos com os pastores e os Reis Magos, fugimos com Ele para o Egito, e O encontramos no Templo, separado de Nossa Senhora e de São José. Mais tarde assistimos ao seu Batismo, cuja comemoração encerra as festas e introduz o Tempo Comum, em que contemplaremos ao longo dos meses o começo da vida pública de Nosso Senhor, os milagres por Ele realizados, a indignação dos fariseus por perceberem a difusão de uma doutrina nova dotada de potência (cf. Mc 1, 27), diferente de tudo quanto ensinavam, bem como a insegurança e a inveja que os leva a querer matar o Filho de Deus.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Evangelho III Domingo do Tempo Comum – Ano B – Mc 1, 14-20

Comentário ao Evangelho – III Domingo do Tempo Comum – Ano B – Mc 1, 14-20

Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” 16 E, passando à beira do Mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus lhes disse: “Segui-Me e Eu farei de vós pescadores de homens”. 18 E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19 Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20 e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus (Mc 1, 14-20).
Não se deve dar tempo ao tempo, mas sim à eternidade
O chamado à conversão e o anúncio do Reino nos colocam na perspectiva de um “tempo abreviado” que deve ser vivido em função da eternidade.
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
I – Viver no tempo sob a perspectiva da eternidade
A comunicação de Deus com o homem — em particular nos episódios mais salientes narrados na Escritura Sagrada — é o ponto central a partir do qual se desenrola a História. Como seria desejável assistir a todas as maravilhas da ação divina ao longo dos séculos, do grande mirante da eternidade, que só abandonaríamos no curto período entre nosso nascimento e o instante da morte! No entanto, dado que vivemos dentro do tempo, isto não é possível. Mas também fazemos parte da História, e tudo o que veio antes de nós, assim como o presente e o futuro, tem íntima relação conosco. Como, então, nos associarmos aos passos de Deus em todas as épocas?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

III DOMINGO DO ADVENTO (DOMINGO GAUDETE) – ANO B – Jo I, 6-8. I 9-28

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO III DOMINGO DO ADVENTO (DOMINGO GAUDETE) – ANO B – Jo I, 6-8. I 9-28
Declaração do Precursor e chamado à conversão
23 João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías.
Se as primeiras palavras do Precursor os deixaram desorientados, estas, sem dúvida, intensificaram a perturbação. Eles já temiam pelo fato de a figura de João Batista ter-se projetado em Israel, provocando grande comoção na opinião pública. As multidões iam ouvir a pregação de São João e receber o batismo, e depois se emendavam. Era a graça do Espírito Santo movendo as almas. Ademais, os fariseus conheciam a Escritura e sabiam o significado do oráculo de Isaías (cf. Is 40, 3) — “eu sou a voz que grita no deserto” —, o qual indicava com clareza que antes do aparecimento do Messias alguém se levantaria no deserto para pregar. Ao referi-lo, São João como que dizia, sem que ninguém ousasse contradizê-lo: “Eu sou aquele previsto por Isaías!”. E este Precursor também lhes falava em conversão: “Aplanai o caminho do Senhor”, ou seja, “mudai de mentalida de para recebê-Lo”.
Para os maus, era apenas o começo da aflição...
24 Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25 perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” 26 João respondeu: “Eu batizo com água: mas no meio de vós está Aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandIias”. 28 Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
Sempre preocupados com os rituais exteriores, os fariseus indagaram a respeito do batismo de João, cientes de que um banho purificador fora predito por vários profetas (cf. Is 1, 16; Ez 36, 25; Zc 13, 1). Que o Messias, Elias ou o Profeta “instituíssem ritos novos, nada tinha de particular; como enviados de Deus, podiam agir conforme suas ordens”.8 Mas se São João não o era, por que batizava? E, novamente, a resposta do Precursor causou perplexidade nos membros da comitiva, pois não a esperavam! E o Espírito Santo que fala pelos lábios e pela voz de São João Batista, para fazer bem aos fariseus. Eles pensavam que São João daria uma explicação justificando, com princípios, o batismo por ele administrado. Porém, para surpresa de todos, ele como que menospreza o próprio batismo, dizendo: Que mal há em batizar com água?
Então, São João Batista se declara Precursor de alguém maior e anuncia que o Messias está entre eles, porque já O tinha batizado, O curioso é que poderiam ter perguntado quem era esse outro, mas não o fazem. Os fariseus têm medo, porque se Ele lhes fosse mostrado, deveriam mudar de vida. Com um Precursor tão exigente, como seria Aquele de quem não merecia sequer desamarrar a correia das sandálias?
O resultado foi uma grande insegurança. Esse “no meio de vós” os incomodava enormemente, porque significava que entre eles se encontrava alguém que era maior do que o que vinha convulsionando o país. Israel era percorrido e penetrado por um espírito novo, que deixava a todos na expectativa. As pessoas se convertiam, choravam seus pecados, batiam no peito e... se esqueciam dos fariseus, dos saduceus e dos escribas. Numa palavra, esse homem atrapalhava, porque pregava uma conversão. Entretanto, acima dele está Aquele outro que é um Senhor incomum, de quem São João Batista dizia que não tinha altura para ser escravo. Estava “no meio deles”, e eles não O conheciam... E ficaram perturbados, enquanto crescia seu ponto de interrogação, por perceberem que o imenso transtorno causado em sua cômoda situação pelo Precursor não passava de um mero tremor, perto do terremoto que ele vinha anunciando...
III - NÃO NOS DEIXEMOS ENGANAR PELA APARENTE ALEGRIA DO PECADO!
De modo bem diferente à incondicional alegria que a vinda do Redentor deveria trazer, eis a correlação entre júbilo e tristeza, euforia e provação, evocada pelo Evangelho deste 39 Domingo do Advento. Enquanto os bons são assistidos pela alegria da esperança, como aconteceu a São João Batista e aos que se converteram ante a perspectiva do aparecimento do Messias, há na alma dos maus tristeza e insatisfação. Cabe ao bom saber interpretar a frustração de quem vive no pecado e não pensar que ele está sendo bem-sucedido. Quando, na segunda leitura (I Tes 5, 16-24), São Paulo exorta “Estai sempre alegres!” (I Tes 5, 16), deseja mostrar que quem se une a Deus, pratica a virtude e trilha o bom caminho, não pode de forma alguma deixar-se tomar pela má tristeza.
O Domingo da Alegria nos revela uma divisão claríssima que caracteriza a humanidade: os bons estão sempre alegres e os maus, por mais que procurem aparentar alegria, vivem na tristeza. Aqueles que estão ligados a Deus têm o contentamento, a segurança e a felicidade de que carece quem se apega às coisas materiais e Lhe dá as costas. Ambos vivem juntos, mas no momento em que o homem que pôs sua esperança no mundo e no pecado vê a alegria verdadeira manifestada pelo bom, ou se converte ou quer matá-lo, tal como fizeram a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Peçamos, nesta Liturgia, a graça de viver na alegria da virtude, como sinal de nossa inteira adesão ao Salvador que em breve chegará!
1) TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO. Oração do Dia. In: MISSAL ROMANO. Trad. Portuguesa da 2a. edição típica para o Brasil realizada e publicada pela CNBB com acréscimos aprovados pela Sé Apostólica. 9.ed. São Paulo: Paulus, 2004, p.l3l.
2) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. I-II, q.7O, a.3.
3) SÃO TOMÁS DE AQUINO. Super loannem. CI, lect.4.
4) Cf. TUYA, OP, Manuel de. Biblia Comentada. Evangelios. Madrid: BAC, 1964, vV, p.972-973.
5) RICCIOTII, Giuseppe. Vita di Gesù Cristo. 14.ed. Città dei Vaticano: T Poliglotta Vaticana, 1941, p.307-308.
6) SÃO TOMÁS DE AQUINO. Super Ioannem. CI, lect.12.
7) SÃO JOÃO CRISÓSTOMO. Homilía XVI, n.2. In: Homilías sobre el Evangelio de San Juan (1-29). 2.ed. Madrid: Ciudad Nueva, 2001, v.1, p.205.

8) TUYA, op. cit., p.977.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

III DOMINGO DO ADVENTO (DOMINGO GAUDETE) – ANO B – Jo I, 6-8. I 9-28

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO III DOMINGO DO ADVENTO (DOMINGO GAUDETE) – ANO B – Jo I, 6-8. I 9-28

Insegurança entre as autoridades de Israel
19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?”
São João redigiu seu Evangelho com o objetivo, entre outros, de contrapô-lo às calúnias e desvios dos chefes da sinagoga, inimigos da incipiente Religião Cristã. Por esta razão, nele estabelece uma clara distinção entre Nosso Senhor e seus discípulos, de um lado, e os membros da classe dirigente de Israel, de outro lado. A estes — e em particular os fariseus, neste versículo — designa com o termo “judeus”.4
Jerusalém estava abalada. O burburinho popular em torno da pessoa de São João fez com que o Sinédrio — composto pelas elites israelitas, sempre muito empenhadas em manter o controle sobre o establishment e não se descolar das suas respectivas bases na opinião pública da época — ficasse preocupado. Pairava uma interrogação tremenda sobre aquele que estava pregando na outra margem do Jordão, num local onde controlá-lo ouprendê-lo para ser examinado no Templo não era tão fácil como seria na própria Cidade Santa.
Segundo o conceito deles, parecia evidente que se São João batizava, o fazia porque era o Messias, ou Elias ou o Profeta. A crença dos judeus em geral era que o Messias esperado abriria perspectivas grandiosas e traria a supremacia do povo
judeu sobre todos os outros. Era possível que Ele viesse batizando, mas seria um batismo de glória e salvação meramente humanas. Elias, por sua vez, constituía uma figura ímpar entre todos os profetas e, enquanto tal, também tinha o direito de batizar. O mesmo se diga do Profeta acima mencionado. Qual dos três era João? Assaltava-os um grande receio pelo fato de personagem tão misterioso não ter passado pela escola deles. Então, a inteligência desses homens punha-se a campo para descobrir sua origem, seus objetivos, e o porquê daqueles gestos, daquela atitude e simbologia.

sábado, 6 de dezembro de 2014

III DOMINGO DO ADVENTO (DOMINGO GAUDETE) – ANO B – Jo I, 6-8. I 9-28

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO III DOMINGO DO ADVENTO (DOMINGO GAUDETE) – ANO B – Jo I, 6-8. I 9-28
6 Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à Fé por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” 20 João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. 21 Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “Es o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. 22 Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” 23 João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor” — conforme disse o profeta Isaías. 24 Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25 e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” 26 João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está Aquele que vós não conheceis, 27 que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. 28 Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando (Jo I, 6-8. I 9-28).
O SALVADOR: DOS BONS ALEGRIA E DESCONCERTO DOS RUINS
A alegria suscitada pelo iminente nascimento do Redentor é para todos, sem distinção, ou só para aqueles que abrem o coração ao seu amor transformante?
I - ALEGRIA ANTE A IMINENTE VINDA DO SALVADOR
A Igreja, sendo uma instituição divina fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Cabeça deste Corpo Místico, possui a própria sabedoria d’Ele e tudo faz com conta, peso e medida. Assim, ela dispõe dois domingos do ano que, em meio à penitência, trazem a alegria: o 39 Domingo do Advento, chamado Domingo Gaudete, e o 49 Domingo da Qua resma, denominado Domingo Lætare.
O primeiro recebe este nome da palavra inicial da Antífona da entrada, extraída da Epístola de São Paulo, Apóstolo, aos Filipenses: “Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete. Dominus enim prope est — Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (4, 4-5).
A perspectiva do término diminui o sofrimento
A experiência de todos aqueles que convivem com pessoas atingidas por qualquer sofrimento, físico ou moral, comprova que este se torna muito mais difícil de suportar pelo fato de elas não saberem quando será o seu término. Ao se receber agarantia de que a dor cessará em determinado momento, grande parte do tormento desaparece. Da mesma forma, sabe-se por estudos científicos que a alegria é causa do prolongamento de nossa existência e, pelo contrário, quando nos deixamos abater pela tristeza a vida se encurta.
Algo análogo se verifica na Liturgia deste Domingo Gaudete — a mais significativa de todo o Advento —, cujo principal objetivo é dar a cada um a vigorosa esperança de que, por fim, nosso Redentor está prestes a nascer e ajudar-nos a compreender com maior profundidade o Vinde, Senhor Jesus!, repetido ao longo destas quatro semanas. Hoje transpomos o marco da ascensão penitencial e somos cumulados de alegria na perspectiva da vinda do Esperado de todas as Nações, que quase comemoramos antecipadamente. Em vista disso, a Igreja celebra este domingo com júbilo, flores, instrumentos musicais e paramentos róseos, implorando na Oração do Dia: “dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene Liturgia”.’
A voz que clama no deserto, contemplada no Evangelho de São João, pede que aplainemos “o caminho do Senhor”, mudemos de mentalidade e nos enchamos do seu espírito. Mas a Igreja quer que o façamos em meio à alegria, pois saímos de uma situação ruim, melhoramos e o progresso só pode ser motivo de regozijo. São Tomás2 explica que a alegria é fruto do amor e, portanto, quem ama tem alegria. A caridade, por sua vez, leva a pessoa a ter um grande desejo de possuir aquilo que a enleva, e nós estamos na expectativa da vinda de alguém que é o Ser por excelência, o próprio Deus Encarnado, O nosso Redentor.
Resta saber se há alguma condição para se obter esta alegria, inseparável da vinda d’Ele, ou se ela se destina a todos, sem quaisquer exigências. A resposta nos é dada pelo Evangelho.
II - O CONTRASTE ENTRE A ALEGRIA DOS BONS E O DESCONCERTO DOS MAUS
São João escreveu seu Evangelho na última década do século I, tempo já marcado pela presença de gnósticos, ebionitas e judaizantes na Igreja nascente, que tentaram deformar a focalização verdadeira a respeito do Antigo Testamento e até mesmo a Revelação trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo, sobretudo pela negação de sua personalidade divina. Embora procurassem mostrar-se cristãos, na realidade, queriam perverter os outros com suas ideias e fazer proselitismo do mal.
O Evangelista começa com muita lógica seu relato, por um prólogo no qual afirma de maneira categórica — como alguém que conviveu com o Filho de Deus Encarnado — que Nosso Senhor é inteiramente Homem e inteiramente Deus, e apresenta uma testemunha que confirma esta doutrina, com um argumento de autoridade.
O súbito surgimento de um proteta eliâtico
6 Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João.
Esta testemunha é São João Batista. Em todo Israel daquele tempo não havia homem com maior prestígio do que ele. Dotado de uma personalidade de peso, contra a qual ninguém era capaz de se levantar, era tido em grande conta, a ponto de não poder ser posto em dúvida. Assim, sua autoridade ratifica as ousadíssimas afirmações cristológicas feitas pelo Discípulo Amado, na abertura deste Evangelho. E, por isso, o Precursor já é citado ainda antes da conclusão do prólogo, no versículo 18.
“Surgiu” é um termo semelhante ao empregado pela Escritura na descrição do inopinado aparecimento de Elias (cf. Edo 48, 1), dando ideia de que não se sabia quem era João, nem de onde vinha. O profeta surge de repente, suscitado por Deus, e o faz de forma sui generis. Veste-se de pele de camelo e se alimenta de gafanhotos e mel silvestre.
A súbita entrada em cena de São João Batista e a sua pregação fizeram dele uma figura convulsionante na sociedade judaica, que abalou o país de alto a baixo, mobilizou a população, produziu verdadeiro tremor nas consciências e suscitou perplexidade e interrogação no fundo das almas, a propósito de sua identidade. Inspirado pelo Espírito Santo, ele não foi exercer sua missão em Jerusalém, mas escolheu as margens do rio Jordão, onde a ascendência dos mestres da Lei, dos fariseus e das demais autoridades judaicas era menos efetiva, além de ser local de passagem das caravanas. E, permanecendo ali por longo tempo, seus ensinamentos foram se espalhando por toda a nação eleita.
Muitos teciam comentários a seu respeito, e logo circularam diferentes hipóteses sobre a figura do Precursor. Uns diziam que era o Messias, impressionados pelas qualidades destehomem de Deus; outros, baseando-se nas profecias que mencionavam a volta de Elias, viam nele o grande profeta que tinha retornado de seu misterioso retiro; por fim, havia quem acreditasse ser o Profeta que haveria de vir (cf. Dt 18, 15).
Deus ama e institui as mediações
7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz. para que todos chegassem à Fé por meio dele.  não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
Nestes dois versículos, o Evangelista sublinha que São João Batista não era a luz, e sim testemunha de um outro. Podemos imaginar o Precursor como um homem que vivia emocionado, à espera de quem ele anunciava.

Aqui vemos quanto a Providência ama o princípio de mediação e envia intercessores para orientar o povo no rumo das graças que Ela quer derramar. Ensina o Doutor Angélico: “Alguns homens são ordenados por Deus, de modo especial; e não apenas dão testemunho de Deus naturalmente, pelo fato de existirem, mas também espiritualmente, por suas boas obras. Daí decorre que todos os santos varões são testemunhas de Deus, pois por suas boas obras Deus Se faz glorioso entre os homens [...]. No entanto, aqueles que não só participam dos próprios dons de Deus em si mesmos, agindo bem pela graça de Deus, mas os difundem a outros, falando, mobilizando e exortando, são mais especialmente testemunhas de Deus. [...] João, então, veio ‘para dar testemunho’, para difundir junto a outros os dons de Deus e anunciar seu louvor”.3 Tais homens servem de instrumento e, em certo sentido, de pretexto para a comunicação dessas graças, pois a Providência as concede em função do que eles dizem, fazem ou apontam. Para uns, de forma suficiente, para outros, superabundante; para uns, de forma cooperante, para outros, eficaz, mas a todos dá a graça através do mediador que Ela constitui, a fim de que as pessoas se convertam.
Continua no próximo post