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quinta-feira, 31 de março de 2016

Homilia - discípulos de Emaús

No Evangelho de hoje, os discípulos de Emaús caminham desanimados pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas Jesus vai operar de modo magnífico em suas almas, reacendendo neles a fé, muito abalada.
Assista ao vídeo da homilia de Mons João Clá Dias.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Evangelho 2º Domingo da Páscoa – Ano C

Comentários ao Evangelho  2º Domingo da Páscoa – Ano C - Jo 20, 19-31
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!”
Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”.
28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”
29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. (Jo 20, 19-31).
É para nosso benefício que os Apóstolos viram Jesus ressurrecto, creram na Ressurreição e dela deram testemunho: para que nós, acreditando, tenhamos a vida eterna.
 I - "Estando fechadas as portas"
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
Devido a motivos vários, a redação dos Evangelhos, embora de uma precisão insuperável, é sintética. Por um sábio sopro do Espírito Santo, seus autores escolhem não só os termos ideais, como também os aspectos essenciais e mais importantes dos episódios narrados para transmitir aos fiéis a mensagem inspirada. Vemos, por exemplo, como é expressiva esta sucinta afirmação: "Estando fechadas as portas".
Medo e insegurança dos Apóstolos

sábado, 26 de março de 2016

Evangelho Vigília Pascal - Ano C

Comentários ao Evangelho Vigília Pascal - Ano C
1 No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. 2 Elas encontraram a pedra do túmulo removida. 3 Mas ao entrar, não encontraram o Corpo do Senhor Jesus 4 e ficaram sem saber o que estava acontecendo. Nisso, dois homens com roupas brilhantes pararam perto delas. 5 Tomadas de medo, elas olhavam para o chão, mas os dois homens disseram: "Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? 6 Ele não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: 7 ‘O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia'". 8 Então as mulheres se lembraram das palavras de Jesus. 9 Voltaram do túmulo e anunciaram tudo isso aos Onze e a todos os outros. 10 Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas contaram essas coisas aos Apóstolos. 11 Mas eles acharam que tudo isso era desvario, e não acreditaram. 12 Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa, admirado com o que havia acontecido (Lc 24, 1-12).
Uma “perseguição” da bondade divina
Destruído o plano original da criação com o pecado de nossos primeiros pais, inicia Deus, em sua bondade infinita, um processo que culmina de forma grandiosa na noite da Ressurreição do Senhor.
I - A mais bela cerimônia do Ano Litúrgico
A noite que antecede o Domingo da Ressurreição do Senhor é marcada pela riquíssima cerimônia da Vigília Pascal, realizada em honra deste grandioso mistério. Nos albores do Cristianismo, esta noite era muito considerada pelos fiéis, que costumavam passá-la em oração, a fim de se prepararem para comemorar o triunfo de Jesus sobre a morte com a celebração da Eucaristia, na madrugada do domingo. Desde a Quinta-Feira Santa a Igreja primitiva, imersa na lembrança da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, se abstinha do Santo Sacrifício, inclusive no sábado, preferindo acompanhar no silêncio da sepultura o Corpo inanimado do Divino Redentor. Com o decorrer do tempo perdeu-se esse costume no Ocidente, onde, a partir do século XI, a Solenidade da Ressurreição foi aos poucos antecipada para a manhã do Sábado Santo.1 Por fim, no ano de 1951, o Papa Pio XII restaurou definitivamente a Vigília Pascal com a esplêndida pompa litúrgica que a circunda, pervadida de profundo significado.
O mistério da morte de um Deus

quarta-feira, 23 de março de 2016

EVANGELHO QUINTA-FEIRA DA CEIA DO SENHOR – ANO C - Jo 13, 1-15

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO QUINTA-FEIRA DA CEIA DO SENHOR – ANO C
1 "Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado Sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3 Jesus, sabendo que o Pai tinha posto tudo em Suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4 levantou-Se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6 Chegou, assim, a Simão Pedro. Pedro disse: ‘Senhor, tu me lavas os pés?'. 7 Respondeu Jesus: ‘Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás'. 8 Disse-lhe Pedro: ‘Tu nunca me lavarás os pés!'. Mas Jesus respondeu: ‘Se Eu não te lavar, não terás parte comigo'. 9 Simão Pedro disse: ‘Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça'. 10 Jesus respondeu: ‘Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos'.  11 Jesus sabia quem O ia entregar; por isso disse: ‘Nem todos estais limpos'. 12 Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-Se de novo. E disse aos discípulos: ‘Compreendeis o que acabo de fazer? 13 Vós Me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois Eu o sou. 14 Portanto, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz'" (Jo 13, 1-15). 
Amar aos outros como Deus nos amou! Eis uma das mais belas formas de preparar-nos para a Eucaristia no tempo da Páscoa que agora começa. Se assim fizermos, estaremos imitando, de fato, em nossas vidas, o Divino Mestre no sublime ato do lava-pés.
I - "Deus é amor"
Um insuperável clímax de plenitude de amor atinge o Sagrado Coração de Jesus naquelas últimas horas de convívio com os Seus. Transcorrem ali, naquele histórico recinto, os momentos finais de Sua vida terrena. São os derradeiros episódios que constituem o grande pórtico dos sagrados mistérios da Redenção prestes a realizarem- se. Os inimigos se agitam e se entre-estimulam a perpetrar o mais grave homicídio de todos os tempos. Encontram-se eles na dependência de um guia possuído por Satanás, aguardando o momento propício para agarrar o Messias e conduzi- Lo aos tormentos da Cruz. Não há minuto a perder, é indispensável o Salvador externar ao Pai e aos discípulos o transbordante amor a borbulhar no interior de Seu Sagrado Peito.
As primeiras manifestações desse amor já haviam se dado na própria obra da Criação. Desfrutando de perfeita felicidade em Si mesmo, desde toda a eternidade, não necessitava Deus de nenhum ser que O completasse. Entretanto, por amor, quis Ele comunicar Suas infinitas perfeições às criaturas, de maneira que estas Lhe rendessem a glória extrínseca.1 Com especial benevolência, concebeu os Anjos e os homens à Sua imagem, destinando-os a participar da vida e da natureza divinas, pela Graça. E eles, seres racionais, encontram sua felicidade em glorificar seu Criador, pois "o mundo foi criado para a Glória de Deus".2

domingo, 20 de março de 2016

Evangelho Domingo da Páscoa - Ano C - Jo 20, 1-9

Comentários ao Evangelho Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor - Ano C  

A RESSURREIÇÃO DO SENHOR
Entre os acontecimentos daquele dia, há episódios que passam muitas vezes despercebidos; porém, bem analisados, revelam em toda a sua força o poder do amor.
Quia surrexit sicut dicit... Tal como havia anunciado aos seus (Mt 16, 21; 17,9; 17, 22; 20, 19; Jo 2, 19, 20 e 21; Mt 12, 40), Jesus ressuscitou. Esse supremo fato já havia sido previsto por David (Sl 15, 10) e por Isaías (Is 11, 10).
São Paulo ressaltará o valor desse grandioso acontecimento: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15, 14). Daí a importância capital da Páscoa da Ressurreição, a magna festa da Cristandade, a mais antiga, e centro de todas as outras, solene, majestosa e pervadida de júbilo: “Haec est dies quam fecit Dominus. Exultemus et laetemur in ea” — esse é o dia que o Senhor fez, seja para nós dia de alegria e felicidade (Sl 117, 24).
Na liturgia, essa alegria é prolongada pela repetição da palavra “aleluia”, pelo branco dos paramentos e pelos cânticos de exultação. Com razão dizia Tertuliano: “Somai todas as solenidades dos gentios e não chegareis aos nossos cinquenta dias de Páscoa” (TERTULIANO.De idolatria, c 14 ML 1, 683).
Na Ressurreição do Senhor, além de contemplarmos o triunfo de Jesus Cristo, celebramos também a nossa futura vitória, sendo aplicáveis a nós as belas palavras de São Paulo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” (1 Cor 15, 55).
Cristo foi o único que ressuscitou por seu próprio poder
Elias operara a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, em casa de quem vivia (1 Rs 17, 17-24). Mais tarde, o mesmo faria Eliseu com o filho de uma sunamita (2 Rs 4, 17-37).
O próprio Salvador, tomado de pena ao encontrar o cadáver da filha de Jairo, ordenou às mulheres que não mais chorassem, pois a menina apenas dormia. Jesus conservou consigo apenas os pais e três apóstolos e, tomando-a pela mão, disse: “Menina, eu te ordeno, levanta-te!” Ela se pôs de pé cheia de vida e de alegria. Maravilhados com o prodígio, os pais nem se deram conta de que a jovenzinha precisava se alimentar, e o próprio Mestre teve de lhes lembrar isto (Mc 5, 35-43).
A compaixão de Jesus pelos sofrimentos humanos se manifestou novamente ao deparar Ele com um enterro, na cidade de Naim. Todos caminhavam consternados em extremo, pois falecera o filho de uma viúva, seu único sustento. O féretro encontrava-se cercado por gente desfeita em pranto. As misericordiosas entranhas de Nosso Senhor se comovem: “Não chores”, diz Ele à pobre mãe. E, colocando sua onipotência divina a serviço de sua bondade infinita, diz: “Moço, eu te ordeno, levanta-te!” Obedecendo à solene voz do Criador, começou a falar aquele que havia pouco ainda era defunto. Jesus tomou-o pela mão e o entregou a sua mãe (cf. Lc 7, 11-16).

segunda-feira, 14 de março de 2016

EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR - ANO C

COMENTÁRIOS AO  EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR  - Lc 23, 1-49  
  Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas [versão mais breve]
Naquele tempo, toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos. 2 Começaram então a acusá-Lo, dizendo: Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei”. Pilatos o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu, declarando: “Tu o dizes!”  Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão: “Não encontro neste homem nenhum crime”. Eles, porém, insistiam: “Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui”. 6 Quando ouviu isto, Pilatos perguntou: “Este homem é galileu?”
7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu.
10 Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.
13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse: 14“Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”. 18Toda a multidão começou a gritar: “Fora com ele! Solta-nos Barrabás!”
18Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. 20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” 22E Pilatos falou pela terceira vez: “Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”. 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam — aquele que fora preso por revolta e homicídio — e entregou Jesus à vontade deles.
26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: ‘Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram’.
30Então começarão a pedir às montanhas: ‘Cai sobre nós! e às colinas: ‘Escondei-nos!’ 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?” 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus. 33Quando chegaram ao lugar chamado “Calvário”, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda.
34Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. 35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!”
36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, 37e diziam:“Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” 38Acima dele havia um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus”. 39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”40Mas o outro o repreendeu, dizendo: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. 42E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. 43Jesus lhe respondeu: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.
44Já era mais ou menos meio-dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde, 45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso, expirou.
47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo: “De fato! Este homem era justo!” 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, ficaram a distância, olhando essas coisas. ( Lc 23, 1-49)
Até na hora a aparente derrota, o Sumo Bem sempre vence
Aos louvores da entrada triunfal de Nosso Senhor em Jerusalém logo se sucederam as dores da Paixão. Como explicar este paradoxo?
 A inexorável luta entre o bem e o mal
Reportemos a imaginação à eternidade, quando ainda não existia o tempo, pois Deus não havia criado o universo. Ele tinha diante de Si a possibilidade de criar infinitos mundos diferentes deste em que vivemos, mas, por uma livre escolha de sua vontade, não quis fazê-lo.’ Muitos dentre eles, aos nossos olhos de meras criaturas, poderiam ter sido melhores do que o existente, quiçá algum sem pecado e sem lutas...
Entretanto, o que Deus criou? Um universo cujas criaturas são boas e o conjunto delas é “muito bom” (Gn 1, 31). Logo no seu início, porém, todo esse bem criado passou a coexistir com o mal, a partir do momento em que a terça parte dos espíritos angélicos se uniu a Lúcifer numa revolta contra Deus (cf. Ap 12, 4). Ao brado de São Miguel, os Anjos fiéis se levantaram em oposição aos rebeldes e “factum est prælium magnum in Cælo — uma grande batalha se travou no Céu” (Ap 12, 7). Precipitado nas trevas eternas, o demônio tentou, como forma de manifestar sua obstinada oposição a Deus, desfigurar a beleza do plano da criação.
Invejando a criatura humana, que ainda se conservava inocente e desfrutava das delícias do Paraíso e da amizade com Deus, satanás se empenhou “em enganar os homens, para que não fossem exaltados e elevados ao lugar de onde ele caíra”.2 Tomando o aspecto de uma encantadora serpente, astuta e habilidosa para exacerbar as paixões humanas, entrou ele em contato com Eva e lhe propôs a desobediência a Deus. Eva cedeu e levou Adão a segui-la no mesmo caminho.
Por que a serpente entrou no Paraíso?