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terça-feira, 18 de abril de 2017

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A 
9 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo -Se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se a alegraram por verem o Senhor.
21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai Me enviou, também vos envio”. 22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24 Tomé, chamado Dídimo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-Se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
27 Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28 Tomé respondeu “Meu Senhor e meu Deus!” 29 Jesus lhe disse: “Acreditaste, por que Me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
30 Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20, 19-31).
A bem-aventurança de crer no testemunho da Igreja
São Tomé não acreditou em São Pedro e nos demais Apóstolos quando lhe anunciaram a Ressurreição do Senhor. Nós somos convidados a adquirir a bem-aventurança, crendo no que a Igreja nos ensina.
I- A PRIMEIRA APARIÇÃO DE JESUS AO COLÉGIO APOSTÓLICO
Nosso Senhor Jesus Cristo, se quisesse, poderia ter ascendido aos Céus imediatamente após a Ressurreição. Entretanto, tal é o seu empenho em nos salvar que quis permanecer ainda quarenta dias na Terra, manifestando-Se em várias ocasiões a numerosas testemunhas, para deixar patente sua vitória sobre a morte e demonstrar ser Ele a garantia de nossa ressurreição. Com efeito, todos nós abandonaremos esta vida — uns antes, outros depois —, mas a Fé nos dá a certeza de que, se morrermos na graça de Deus, um dia nos congregaremos no Vale de Josafá (cf. Jl 4, 2), à direita do Supremo Juiz, e, tendo retomado nossos corpos em estado glorioso, subiremos “ao encontro do Senhor nos ares” (I Ts 4, 17), para com Ele habitarmos no Paraíso Celeste, O penhor dessa realidade futura está presente de modo especial no Evangelho proposto pela Igreja para este domingo de encerramento da Oitava da Páscoa.
Um fator providencial: o medo
19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou...
O Evangelho se abre com um episódio ocorrido no próprio dia da Ressurreição. Desde a aurora haviam se sucedido umas às outras as notícias sobre as aparições do Senhor e, embora os Apóstolos não lhes tivessem dado crédito, São Pedro e São João haviam constatado estar vazio o sepulcro (cf. Jo 20, 3-8). Ao cair da tarde, ainda os encontramos reunidos no Cenáculo. Temerosos de que os judeus viessem à sua procura e os levassem para a prisão, fecharam bem todas as portas do local. Não obstante, enquanto conversavam — talvez em voz baixa, receosos das ameaças que sobre eles pairavam —, de repente, “Jesus entrou”.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Evangelho 2º Domingo da Páscoa – Ano C

Comentários ao Evangelho  2º Domingo da Páscoa – Ano C - Jo 20, 19-31
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!”
Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”.
28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”
29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. (Jo 20, 19-31).
É para nosso benefício que os Apóstolos viram Jesus ressurrecto, creram na Ressurreição e dela deram testemunho: para que nós, acreditando, tenhamos a vida eterna.
 I - "Estando fechadas as portas"
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
Devido a motivos vários, a redação dos Evangelhos, embora de uma precisão insuperável, é sintética. Por um sábio sopro do Espírito Santo, seus autores escolhem não só os termos ideais, como também os aspectos essenciais e mais importantes dos episódios narrados para transmitir aos fiéis a mensagem inspirada. Vemos, por exemplo, como é expressiva esta sucinta afirmação: "Estando fechadas as portas".
Medo e insegurança dos Apóstolos

quinta-feira, 9 de abril de 2015

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA - ANO B - Jo 20, 19 - 31

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS DE MONS. JOÃO CLÁ DIAS AO EVANGELHO DO 2º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO B - Jo 20, 19 - 31
A bem-aventurança que nos cabe
29 Jesus lhe disse: “Acreditaste, por que Me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
Estas últimas palavras do Divino Mestre a São Tomé constituem a bem-aventurança de todos aqueles que viriam depois e não teriam oportunidade de tocar naquelas santas chagas. Ou seja, aplicam-se inteiramente a nós.
Os Apóstolos, Santa Maria Madalena, Santa Marta, São Lázaro e muitos outros conviveram com Jesus ressuscitado e puderam contemplá-Lo em carne e osso, andando e conversando. Por conseguinte, para crerem n’Ele era preciso um esforço mínimo. Tinham mérito? Sim, porque a divindade permanecia oculta. Entretanto, mais mérito adquirimos nós quando, pronunciadas as palavras da Consagração, contemplamos as Espécies Eucarísticas e, apesar de continuarem elas com aparência de pão e de vinho, a fé, a esperança e a caridade nos asseguram que o pão e o vinho cederam lugar ao Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. Então, nos ajoelhamos e O adoramos. Assim, a este título nossa bem-aventurança é superior à deles!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA - ANO B - Jo 20, 19 - 31

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS DE MONS. JOÃO CLÁ DIAS AO EVANGELHO DO 2º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO B - Jo 20, 19 - 31

II - OS CONTRASTES DE UM ESPÍRITO POSITIVO
Tudo indica ter sido São Tomé um homem de espírito rebarbativo e convicto das próprias opiniões, e ao mesmo tempo muito positivo e categórico. Quando Nosso Senhor decidiu retornar à Judeia, a fim de atender a Lázaro que estava doente, os Apóstolos protestaram, cientes do risco ao qual Se expunha o Mestre, por aproximar-Se de Jerusalém. E foi São Tomé quem afirmou: “Vamos também nós, para morrermos com Ele” (Jo 11, 16)!
Em outras circunstâncias Tomé se mostrara cauto e objetivo, querendo conhecer as provas. Por exemplo, ao Jesus anunciar que “Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde Eu estou, também vós estejais. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou” (Jo 14, 3-4), ele logo perguntou: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” (Jo 14, 5). Ora, estas reações são úteis, pois se não houvesse pessoas que, como Tomé, tivessem falta de intuição e precisassem apelar principalmente ao discurso da razão, muitos princípios ficariam sem explicitação. Se, naquela ocasião, Tomé não levantasse o problema, o Divino Mestre talvez não houvesse feito tão sublime revelação: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14, 6). Desta forma, teve ele um papel importantíssimo no Colégio Apostólico, pedindo uma explicação racional daquilo que só se admite pela fé. Com isso contribuía para estabelecer as bases sobre as quais se ergueria mais tarde o edifício da teologia.

sábado, 4 de abril de 2015

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA - ANO B - Jo 20, 19 - 31

EVANGELHO – II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B
19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco".
20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21 Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio".
22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos".
24 Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!"
Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".
26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco".
27 Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mais fiel".
28 Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!"
29 Jesus lhe disse: "Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!"
30 Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Crer,para depois amar
Da incredulidade a um sublime ato de adoração, quando constatou a Ressurreição do Senhor as atitudes de São Tomé constituem valiosa instrução na fé para os homens do século XXI.
I – A CRENÇA NA RESSURREIÇÃO, FUNDAMENTO DA FÉ
A ressurreição não era tema fácil de tratar na época de Nosso Senhor, como também não o é ainda hoje. De fato, ele nos toca a fundo, pois, se considerássemos com seriedade o destino eterno, nossa vida seria outra e o mundo não estaria na presente situação de desvario.
Existiam naquele tempo escolas gregas cujos propugnadores, além de não acreditarem na ressurreição, sustentavam a tese de que a alma humana não era espiritual nem imortal. O resultado era o materialismo absoluto. Em Israel, os saduceus — partido constituído por pessoas da classe mais acomodada — haviam se abeberado nestas doutrinas filosóficas, como constatamos na célebre discussão deles com Jesus, a propósito da hipotética mulher casada sucessivamente com sete irmãos. O Salvador os refutou de uma forma belíssima, a ponto de causar admiração até em alguns escribas fariseus, os quais, sim, tinham fé na ressurreição (cf. Lc 20, 27-40).
Os Apóstolos não creram na Ressurreição de Jesus
Os seguidores do Divino Mestre estavam mais próximos da doutrina farisaica, como se depreende da resposta de Santa Marta a Jesus, a respeito de seu irmão Lázaro: “Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia” (Jo 11, 24). Porém, eles não aventavam a possibilidade da Ressurreição imediata de Jesus depois de sua Paixão e Morte.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A – Jo 20, 19-31

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO 2º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A – Jo 20, 19-31
O testemunho de São João
30 Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos que não estão escritos neste livro. 31 Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
São João escreveu seu Evangelho, que é o último, no fim do primeiro século, muitos anos depois de concluídos os outros três. Dir-se-ia não ser necessário redigi-lo, porque a história de Jesus já estava contada nos sinópticos. No entanto, o Discípulo Amado tinha aos seus cuidados as comunidades cristãs da Asia Menor, nascidas sob o influxo do apostolado de São Paulo, e compôs o quarto Evangelho com o objetivo de proteger os fiéis das heresias que começavam a grassar naquela época, criando confusão a respeito de Jesus Cristo. Sobretudo, visava combater a doutrina gnóstica, que negava a Encarnação do Verbo, bem como a união hipostática, e considerava apenas a humanidade de Cristo.7 São João quis corrigir essa visualização humana — a qual tantas vezes se repetiu ao longo da História —, deixando consignada uma verdadeira exposição doutrinária sobre a divindade de Jesus. Impossível seria narrar tudo o que o Divino Mestre fez, pois a vida d’Ele foi um sinal permanente. Por esta razão, o Evangelista selecionou os episódios mais adequados à finalidade que tinha em vista, dentre os quais os dois encontros de Jesus com os discípulos, mencionados neste Evangelho. Com efeito, eles nos levam a concluir facilmente que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Filho de Deus Vivo e que n’Ele devemos ver mais o lado divino do que o humano.
SOMOS CHAMADOS À BEM-AVENTURANÇA!
Em função de São Tomé, o Salvador declarou que todos os que O seguissem, a partir de sua Ascensão aos Céus, precisariam crer na palavra daqueles que Ele escolheu como suas testemunhas. E há mais ou menos dois mil anos a Igreja vive desta fé. E o que vemos na cena descrita na primeira leitura (At 2, 42-47), extraída dos Atos dos Apóstolos. A comunidade dos fiéis nasce pequena, mas dá origem a todas as demais comunidades, porque “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2, 42). A Igreja germina alicerçada nessa fé, a qual constitui um valioso elemento para mover as almas à conversão e que deve existir entre nós. Se assim for, o apostolado se fará por si, e seremos meros instrumentos para a atuação do Espírito Santo.
Tenhamos sempre presente que, se não nos coube a graça de conviver com Nosso Senhor, nem ver e tocar suas divinas chagas, nos foi reservada, conforme a afirmação do Divino Mestre, uma bem-aventurança maior do que a deles: crer na Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Bem se poderiam aplicar a nós as palavras de São Pedro na segunda leitura (I Pd 1, 3-9) deste domingo: “Sem ter visto o Senhor, vós O amais. Sem O ver ainda, n’Ele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (I Pd 1, 8-9).
1) Cf. GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. L ‘éternelle vie et la profondeur de l’âme. Paris: Desclée de Brouwer, 1953, p.333.
2) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.76, al.
3) Cf. SAO TOMAS DE AQUINO. Suma contra os gentios. L.Ig c.86, n.5.
4) SÃO LEÃO MAGNO. De Resurrectjone Domini. Sermo I, hom.58 FLXXII, n.5. In: Sermons. Paris: Du Cerf, 1961, vIII, p.126.
5) SÃO GREGÓRIO MAGNO. Homiliæ in Evangelia. L,II, hom.6 [XXVII], n.4. In: Obras. Madrid: BAC, 1958, p.663.
6) SÃO GREGÓRIO MAGNO, op. cit., 11.7, p.665.
7) Cf. LA POTTERIE, SJ, Ignacio de. La verdad de Jesús. Madrid: BAC, 1979, p.283; JAUBERT, Annie. El Evangelio según San Juan. Estella: Verbo Divino, 1987, p.8.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A – Jo 20, 19-31

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO 2º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A – Jo 20, 19-31
Uma ação divina para entender a ressurreição
São João conclui aqui o relato desta primeira aparição. Como narra São Lucas, nessa circunstância Nosso Senhor agiu na inteligência dos Apóstolos com uma intervenção direta de seu poder divino, abrindo-lhes “o espírito, para que compreendessem as Escrituras” (Lc 24, 45). Sem tal ação, eles não teriam entendido nada acerca de sua Paixão e Ressurreição, pois, formados segundo a mentalidade judaica da época, tinham uma série de conceitos fixos em função de um Messias adaptado a seus interesses pessoais, que não se identificava com Cristo. Este —o Messias real — era infinitamente superior à figura daquele herói político e dotado de prestígio social que o povo eleito havia concebido, ao longo dos tempos, como sendo o Salvador de Israel.
Os Apóstolos ficaram admiradíssimos com o que viram e comprovaram a Ressurreição — o Senhor inclusive “comeu à vista deles” (Lc 24, 43) —, mas sua fé ainda não havia atingido a plenitude do fervor, entusiasmo e arroubamento que alcançaria na descida do Espírito Santo, depois da Ascensão de Jesus,
“NÃO SEJAS INCRÉDULO, MAS FIEL”
Nosso Senhor deixou passar uma semana para lhes aparecer de novo, pois quis que as impressões daquele primeiro encontro se sedimentassem em suas almas, Nesse intervalo, porém, Deus usou de uma curiosa didática para firmá-los na missão de testemunhas da Ressurreição, em face de uma dúvida surgida no próprio Colégio Apostólico.
A dureza de Tomé: pretexto para a ação de Deus
24 Tomé, chamado Dídimo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio.
25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: ‘Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
Tomé, ausente do Cenáculo quando Jesus ali estivera junto aos discípulos, não havia se beneficiado do convívio com o Senhor, e, ao ouvir a notícia, recalcitrou em não acreditar, declarando que só se convenceria se comprovasse por si mesmo a Ressurreição. Ora, nada acontece por acaso. O fato de o túmulo ter sido arrombado de maneira estrepitosa à vista dos guardas, o relato das Santas Mulheres e dos discípulos de Emaús, atestando que o Mestre estava vivo e lhes aparecera, nada disso havia sido suficiente para persuadir aqueles homens eleitos por Deus para serem os fundamentos da Igreja. Era preciso que eles vissem e tocassem com as próprias mãos o Ressuscitado, e ainda sustentassem uma semana de discussão com um irmão de vocação. E São Tomé era a pessoa ideal para isso, pois, como se pode inferir da narração, possuía um caráter obstinado, aferrado às suas ideias, que ninguém mudava; era um espírito positivo, quase cartesiano.
Deus permitiu isso também para que os outros Apóstolos, já trabalhados por Nosso Senhor, tivessem um choque com atitude tão incrédula, e ficasse patente para eles a diferença entre quem ouvira duas vezes “A paz esteja convosco” e quem não fora objeto deste favor. Tomé vinha com a agitação da atividade, com as aflições de quem está alheio à contemplação e, em consequência, fraquejou na fé.
Jesus aparece pela segunda vez
26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-Se no meio deles e disse: A paz esteja convosco”.
É interessante notar que Jesus escolhe o mesmo dia da semana em que havia se dado a Ressurreição para Se manifestar novamente. De acordo com os costumes judaicos que observavam o repouso sabático, correspondia à nossa atual segunda-feira. Devido ao fato de Nosso Senhor ter ressuscitado no primeiro dia, este substituiu o sábado, passando a ser comemorado pelos cristãos com a celebração da Eucaristia e denominado domingo, ou seja, dia do Senhor— dies Dominica, conforme encontramos mencionado já no Apocalipse (cf. Ap 1, 10), por São João.
Apesar de todas as graças recebidas na ocasião anterior, os Apóstolos ficam mais uma vez amedrontados. E é compreensível, pois, se a aparição de um Anjo incute temor, como não causaria a de um Deus feito Homem, ostentando em seu Corpo marcas de glória? Por isso Nosso Senhor lhes deseja outra vez a paz. Paz sobrenatural que Ele próprio comunica à alma de cada um.
É na paz que as virtudes se desenvolvem
27Depoi disse a Tomé: ‘Põeo teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28 Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”
Assim como fizera aos outros, Jesus apre sentou as mãos a Tomé e afastou a túnica, de modo a mostrar a chaga do lado, para que o Apóstolo incrédulo também se tornasse testemunha da Ressurreição. O felix culpa! Ao tocar nas sagradas chagas, São Tomé deu-nos a prova de que era realmente o Corpo do Divino Mestre, curando “em nós as chagas de nossa incredulidade. De maneira que a incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram, porque, decidindo aquele apalpar para crer, nossa alma se afirma na fé, descartando toda dúvida”.6 E naquele momento Nosso Senhor Jesus Cristo, Criador da graça e em quem estão todas as graças, agiu em sua inteligência, infundindo-lhe uma fé extraordinária que o levou a reconhecer a sua divindade. Ele teve uma experiência mística de que ali estava a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a natureza divina unida à natureza humana, e de seus lábios brotou uma exclamação que era o máximo que ele poderia dizer, um verdadeiro ato de adoração: “Meu Senhor e meu Deus!”. Bastou tocar no Homem-Deus para alcançar a fidelidade que lhe faltava!

Há ainda nesta passagem outro aspecto que merece nossa atenção: tudo isto aconteceu depois de São Tomé receber a paz de Nosso Senhor. Do contrário, embora ele pusesse a mão na chaga de nada aproveitaria, porque é na paz que a fé, a esperança, a caridade enfim, todas as virtudes se desenvolvem.
CONTINUA NO PRÓXIMO POST

terça-feira, 22 de abril de 2014

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A – Jo 20, 19-31

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A – Jo 20, 19-31
Os Apóstolos comprovam a ressurreição
20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
Às primeiras impressões suscitadas pela aparição de Cristo logo sucedeu um afetuoso convívio com os Apóstolos, que puderam vê-Lo de perto e inclusive tocá-Lo, como se deduz do texto de São Lucas, que registra as palavras do Divino Ressuscitado: “apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos” (Lc 24, 39). Desta forma, Ele os constituiu testemunhas de sua Ressurreição. E, para que isto fosse completamente fidedigno, apresentou-lhes as mãos com as marcas dos cravos e afastou um pouco a túnica para lhes mostrar o lado transpassado. Eis a que extremos o Divino Redentor chega por amor aos seus!
Compreende-se que São João faça constar o quanto os discípulos se alegraram com isso. Haviam-se dissipado todas as inquietações, graças à paz infundida por Jesus, sem a qual não teriam desfrutado o imenso dom que Ele lhes oferecia ao manifestar-Se.
Vemos ainda acentuada a necessidade de nunca abandonarmos o espírito contemplativo quer estejamos em meio às atividades, quer enfrentando um drama, quer nas ocasiões de júbilo , bem como a importância de vigiarmos sempre para impedir que nossas más inclinações nos dominem, roubando-nos a paz. No temor, na dor ou na confusão, na euforia, no entusiasmo ou na consolação, nunca devemos perder a paz! Nisto consiste o estado de santidade.
A missão de Jesus continua na Igreja
21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio”.
Uma vez mais, Nosso Senhor Jesus Cristo lhes recomenda a paz, e depois pronuncia estas palavras simples e sintéticas, mas profundas, dando caráter de oficialidade à missão apostólica. Com que objetivo o Pai enviou Jesus ao mundo? Para salvar os homens, revelando, ensinando, perdoando e santificando, e é esta a missão que o Redentor transfere aos Apóstolos reunidos em plenário, já no primeiro encontro posterior à sua Ressurreição. Tal é a função da Igreja, de modo particular dos que são chamados ao ministério sacerdotal, mas também de todo apóstolo: quanto lhes seja possível, têm obrigação de instruir nas verdades da Fé e encaminhar para o perdão, promovendo a santificação das almas pelo exemplo e pela palavra.
O Sacramento da reconciliação
22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

A seguir Jesus soprou sobre eles e cabe supor que para isso tenha enchido vigorosamente seus divinos pulmões. Ou seja, Ele quis simbolizar com um ato humano o que expressou com as palavras “recebei o Espírito Santo”, a fim de, estimulados na sensibilidade, melhor compreenderem o que se passava naquele momento: uma verdadeira efusão do Paráclito, embora ainda não em plenitude e com a solenidade que se verificaria mais tarde, em Pentecostes, pois só então lhes seriam infundidos todos os seus dons, O Filho de Deus lhes conferia o poder de perdoar os pecados, deixando a seu encargo “o principado do supremo juízo, para que, fazendo as vezes de Deus, a uns retenham os pecados e os perdoem a outros”.5 De fato, sem a assistência do Espírito Santo não é possível exercer missão tão elevada, pois o confessor deve tratar cada alma tal como Jesus o faria, sabendo discernir as disposições do penitente, dar-lhe o conselho adequado e estimulá-lo ao sincero arrependimento de suas faltas.
CONTINUA NO PRÓXIMO POST

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Evangelho — 2º Domingo da Páscoa Jo 20, 19-31 Ano C 2013


Continuação dos comentários ao Evangelho — 2º Domingo da Páscoa Jo 20, 19-31  Ano C 2013
Jesus envia os apóstolos
20 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se muito ao ver o Senhor.
Tudo leva a crer que estavam dez Apóstolos no Cenáculo, e, como anteriormente comentávamos, um forte medo dominava a todos. Embora João omita a afirmação de Lucas: “Acreditavam estar vendo um espírito”, a pergunta que Jesus lhes faz mostra o estado de espírito em que se encontravam: “Por que vos perturbais? (24, 37-38). Compreende-se o temor de todos, vendo o Senhor entrar quando estavam bem fechadas as portas e janelas, pois não conheciam ainda o ensino teológico a respeito das características dos corpos gloriosos, e nem sequer lhes cruzava a mente uma consideração que seria formulada por Santo Agostinho nos seguintes termos: “As portas fechadas não podiam impedir a passagem a um corpo no qual habitava a Divindade; assim pôde penetrar as portas Aquele que, ao nascer, deixou imaculada sua Mãe” (4).
“Mostrou-lhes as mãos e o lado”
Essa é a razão pela qual Ele chama a atenção dos Apóstolos para suas chagas, ou seja, para tornar patente tratar-se de Quem foi crucificado, morreu e ressuscitou. Os autores são unânimes a propósito dessa observação, como, por exemplo, Santo Agostinho: “Os cravos haviam transpassado as mãos, a lança havia aberto o costado, e as feridas foram conservadas para curar o coração dos que duvidavam” (5).
Três questões emergem deste versículo:
1) Como foi possível aos Apóstolos contemplar a glória de Jesus ressurrecto, sendo que, no Tabor, três deles não haviam suportado vê-Lo em sua transfiguração?
A isso responde Santo Agostinho: “É de crer-se que a claridade com a qual, como o sol, resplandecerão os justos em sua ressurreição, foi velada no corpo de Cristo ressurrecto aos olhos dos discípulos, porque a debilidade do olhar humano não a teria podido suportar, e era necessário que eles O reconhecessem e ouvissem” (6).
2) Sendo as cicatrizes um defeito produzido por ferimentos, como puderam se conservar no Sagrado Corpo do Senhor?
Das mais variadas formas se expressam os autores a esse respeito, mas são concordes em observar que se trata de cicatrizes de triunfo e, portanto, gloriosas e não defectivas. No Céu, todos os mártires trarão à mostra suas cicatrizes como símbolo triunfante de seu testemunho, tal qual na terra o fazem os militares vencedores em suas batalhas.
3) Os Apóstolos apenas viram as chagas, ou também as tocaram? Tomé terá sido o único a apalpar as cicatrizes do Senhor?
O Evangelista João afirma apenas que Jesus mostrou suas chagas. Lucas vai mais longe: “Apalpai e vede, porque um espírito não tem carne nem osso” (24, 39).
Entretanto, o dito de São João em sua primeira Epístola: “O que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, o que tocamos com as nossas mãos relativamente ao Verbo da Vida” (1, 1), e a condição posta por São Tomé para dar sua adesão de fé: “Se não vir nas suas mãos ... se não meter a minha mão” (v. 25), levam os autores à conclusão de que, de fato, não só Tomé, mas também os outros tocaram nas Santas Chagas de Jesus.
Qual não deve ter sido a consolação dos Apóstolos ao tocarem no Sagrado Corpo do Salvador? Nós hoje temos a graça, não de tocá-Lo, mas, muito mais, de recebê-Lo em Comunhão.
Oh! sacrossantas chagas, manancial de toda santidade, quantos dons receberam os Apóstolos ao tocá-las!
Sem embargo, o fato de Jesus as haver mostrado nessa ocasião não significa que Ele deva sempre ostentar os sinais de sua Paixão. Apareceu como um peregrino aos discípulos de Emaús, e, para a fé robusta de Madalena, não só Se apresentou sem as chagas, como não lhe permitiu que O tocasse, para não diminuir os seus méritos. Aos Apóstolos, convida-os a apalparem-nas por razões didáticas. A forma de apresentar-Se depende de sua vontade e conveniência.
A alegria que sentiram eles, nessa ocasião, era o cumprimento da promessa do próprio Salvador: “Outra vez vos verei e alegrar-se-á vosso coração” (Jo 16, 22).
Jesus lhes dá o Espírito Santo
21 Ele disse-lhes novamente: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também vos envio a vós”.
Jesus deseja-lhes novamente a paz. Ele os quer serenos e confiantes para receberem a grande missão que lhes outorgará. Com a mesma autoridade com a qual o Pai enviou o Filho, este envia seus discípulos. Essa autoridade reside n’Ele enquanto Homem: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28, 18); e enquanto Deus, Ele a possui por natureza. Os Apóstolos são “enviados”, portanto, possuem um poder por delegação.
“ Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”.
A exegese se inclina a interpretar esta passagem no sentido de que Cristo não soprou sobre cada um dos Apóstolos, mas o fez somente de modo genérico, o que era suficiente para todos, incluindo o próprio Tomé, ausente naquele momento.
Como entender a anterior afirmação de Jesus: “A vós convém que Eu vá, porque, se não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se for, Eu vo-Lo enviarei” (Jo 16, 7)?
É preciso distinguir entre “enviar” e “dar”. No presente versículo, Jesus “dá” aos Apóstolos o Espírito Santo com o único objetivo — conforme veremos a seguir — de conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, um dos vários dons do mesmo Espírito. Em Pentecostes, sim, foi “enviado” sobre Maria e as demais pessoas reunidas no Cenáculo, o Espírito Santo, com seus dons.
A esse propósito diz Santo Agostinho: “O sopro corporal da boca [de Cristo] não foi a substância do Espírito Santo, mas uma conveniente demonstração de que o Espírito Santo não procede somente do Pai, mas também do Filho” (7).
E São Gregório Magno acrescenta: “Por que razão Ele O dá a seus discípulos, primeiro quando ainda está na terra, para depois o enviar do Céu? Porque são dois os preceitos da caridade: o do amor a Deus e o do amor ao próximo. Na terra foi dado o Espírito de amor ao próximo, e do Céu, o Espírito de amor a Deus; (...) porque o amor ao próximo nos ensina como podemos chegar ao amor a Deus” (8).
O Sacramento da Reconciliação
23 “ Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, àqueles a quem retiverdes, ser-lhe-ão retidos”.
É em função destas palavras do Sumo e Eterno Sacerdote que os presbíteros são constituídos ministros do Sacramento da Penitência e juízes dos pecados, com a faculdade de retê-los ou de perdoá-los. Ministério de indizível elevação, mas que exige luzes, prudência, pureza de coração e, sobretudo, zelo pelas almas. “Noblesse oblige!”, dizem os franceses. E isso a tal ponto que São João Crisóstomo chega a opinar: “Um sacerdote que levasse uma vida bem ordenada, mas não cuidasse com diligência da dos outros, seria condenado com os réprobos” (9).
Por outro lado, esse ministério pervade de consolação o coração dos fiéis, pois, apesar de tornar-lhes necessária a confissão, confere-lhes a certeza do perdão. E mesmo se retiver algum pecado, o sacerdote assim procederá para melhor proveito do penitente, quando, de futuro, este se vir perdoado. Nós hoje tomamos com naturalidade essa incomensurável dádiva de termos à disposição nossa o Sacramento da Reconciliação, mas é ele tão extraordinário que nossa limitada inteligência não alcança circundá-lo inteiramente.
Continua no próximo post.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Evangelho 3º Domingo de Páscoa ano B Lc 24,35-48

A continuar
Jesus come para fortalecer-lhes a Fé
41“Mas, estando eles, por causa da alegria, ainda sem querer acreditar e estupefatos, disse-lhes: 42 ‘Tendes alguma coisa que se coma?’ Eles apresentaram-Lhe uma posta de peixe assado. 43 Tendo-o tomado, comeu-o à vista deles”.
Uma prova evidente de estar Jesus entre eles, em corpo e alma, não sendo, portanto, um fantasma, era o fato de Ele comer diante de todos. Esta é uma explicação unânime entre os comentaristas; porém, parece ser também que Jesus desejava manifestar de modo especial Sua estima por eles, aceitando algum alimento que Lhe pudessem oferecer.
Sendo glorioso Seu Sagrado Corpo, não tinha Ele nenhuma necessidade de alimentar-Se; entretanto, por pura caridade e divina didática, deseja auxiliá-los, fortalecendo-lhes a virtude da Fé ao comer “à vista deles”. É o que a esse respeito comenta São Cirilo de Alexandria: “Para fortalecer mais ainda sua fé na Ressurreição, pediu-lhes algo para comer. Tratava-se de um pedaço de peixe assado, que Jesus tomou e comeu na presença deles. Não fez isso senão para mostrar com clareza que era Ele mesmo, ressuscitado, Ele que — como antes e durante todo o tempo de Sua Encarnação — comia e bebia com eles”.8
Abriu-lhes o entendimento e o coração
44“Depois disse-lhes: ‘Isto é o que Eu vos dizia quando ainda estava convosco; que era necessário que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’”.
É interessante notar a diferença apontada por Jesus — “quando ainda estava convosco” — entre Seu corpo padecente e, agora, glorioso. No primeiro caso, segundo Ele mesmo afirma, encontrava-Se em meio aos Apóstolos porque as Suas condições físicas possuíam as mesmas características que as dos outros. Após a Ressurreição, porém, já não mais Se acha entre eles, por não estar em carne mortal.
A Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos correspondem à divisão das Sagradas Escrituras, conforme o costume hebraico: o Pentateuco, os Profetas e os livros poéticos; entre estes últimos, os Salmos.
45 “Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras”.
Face aos acontecimentos tão grandiosos verificados naqueles últimos dias, as revelações feitas anteriormente pelo Divino Mestre retornavam à memória dos Apóstolos com mais colorido e contornos mais definidos. “Quando seus pensamentos se amainaram pelo que Jesus dissera — pois O haviam tocado e Ele tinha comido —, o Senhor abriu-lhes o entendimento para compreenderem ter sido necessário que Ele sofresse cravado na Cruz. Move, portanto, Seus discípulos a recordarem o que lhes havia dito, isto é, que já lhes tinha anunciado Sua Paixão na Cruz, da qual antecipadamente falaram os profetas. Abre-lhes, ademais, os olhos da mente, para que compreendam as antigas profecias”.9
Precisaram eles de um especial auxílio da graça, para entenderem as revelações. “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5), afirmara Nosso Senhor. É necessário que o próprio Cristo Jesus nos ajude a interpretar as Sagradas Escrituras: “...o qual ensine como a realidade se ajusta à profecia; mais ainda, nem isto nos basta, é preciso que Ele nos abra os olhos da mente para podermos vê-Lo. É este o sentido próprio da frase grega: ‘Abriu-lhes então as mentes, para que pudessem entender as Escrituras’. Como observa muito bem São Beda, ‘apresentou Seu corpo para ser visto com os olhos e apalpado com as mãos pelos discípulos. Isto não basta: recordou-lhes as Escrituras. Ainda não é suficiente: abriu-lhes as mentes para que entendam o que leem’”.10
“E disse-lhes: ‘Assim está escrito que o Cristo devia padecer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia’ ...”.
São inúmeras as profecias a esse respeito, e certamente eram muito conhecidas pelos Apóstolos. Sobre essa matéria, é riquíssimo o caudal de comentários surgidos da pluma dos Doutores e Padres da Igreja.
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Evangelho 3º domingo de Páscoa- ano B Lc 24, 35-48

Continuando
Obstáculo à divina cólera
Ademais, quis beneficiar-nos junto ao Pai. A conservação dessas cicatrizes é-nos de fundamental importância, pois constituem elas um poderoso obstáculo a que a santa e divina cólera desabe sobre nós, devido às nossas culpas.
“Com esse detalhe, Ele os robustece na Fé e estimula à devoção, pois, em vez de eliminar as feridas que por nós recebeu, preferiu levá-las para o Céu e apresentá-las a Deus Pai como resgate de nossa liberdade. Por isso, o Pai deu-Lhe um trono à Sua direita, abraçando os troféus de nossa salvação”.5
Na Terra, servia-Se Ele da palavra a fim de pedir ao Pai perdão para os carrascos: “Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). No Céu, não necessita abrir os lábios para nos obter o beneplácito: suficiente é mostrar-Lhe Suas cicatrizes.
Prova de Seu ilimitado amor de Salvador
Os Santos Padres afirmam ter Nosso Senhor querido conservar as marcas dos tormentos sofridos por Ele, com vistas ao Juízo Final, para a confusão dos maus e alegria dos bons. Serão elas um símbolo de Sua infinita misericórdia, prova de Seu ilimitado amor de Salvador, desprezado, renegado e ultrajado por alguns, e fonte inesgotável de bênçãos e graças para outros, objeto de ação de graças e adoração por toda a eternidade.
Confusão para uns, júbilo para outros. Naquele dia, dies iræ, todas as criaturas humanas verão as chagas dEle; portanto, também eu poderei adorá-las e nelas me alegrar, se tiver andado pelos caminhos da virtude, da graça e da santidade.
Através desse meio, Jesus fortificava a Fé dos Apóstolos, eliminando qualquer pretexto para a incredulidade, ou até mesmo para uma simples dúvida, tornando-os verdadeiras testemunhas, pelos séculos afora. Manifesta, ademais, seu amor por eles e, em consequência, também por nós, proporcionando-nos um poderoso estímulo para retribuirmos Seu incomensurável afeto, pela disposição de a Ele nos entregarmos inteiramente.
Ali, naquelas santas chagas, encontramos uma excelente âncora para a nossa confiança. Elas como que nos dizem: “Não temais, Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33). Vivamos o conselho dado por São Paulo: “Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa Fé, Jesus. Em vez de gozo que Se lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus” (Hb 12, 1-2).
Incutem-lhes forças para aceitar os suplícios
Não podemos descartar a hipótese de que Jesus quis fazer os Apóstolos apalparem Suas santas chagas para facilitar-lhes a paciência que deveriam praticar, face às imensas dificuldades que sobre eles adviriam, na difusão do Evangelho, de parte dos tiranos, gentios e dos seus próprios co-nacionais. Os sagrados estigmas, ora glorificados, incutiam-lhes forças para aceitar com resignação, fortaleza e ânimo todos os suplícios a eles reservados.
Dessa forma, também nós, na adoração a essas chagas, somos estimulados a, com calma, serenidade e paz, suportar as adversidades tão comuns à nossa passagem por este vale de lágrimas. Quando algo desagradável, doloroso ou dramático vier atravessar nossa caminhada, adoremos as marcas dos tormentos aceitos pelo Salvador em nosso benefício, e saibamos, em algo, retribuir tão incomensurável misericórdia. E, no Céu, teremos inegável alegria em considerar as chagas que nos obtiveram a salvação eterna: “Vosso coração se alegrará e ninguém tirará vossa alegria” (Jo 16, 22).
Os Apóstolos as viram e apalparam
Teriam os Apóstolos tocado as Chagas de Jesus? Sim, tal qual fez São Tomé. Oh felix culpa! Autores de peso são de parecer que os Apóstolos contaram-lhe a graça de terem posto o dedo na chaga de Jesus, e daí seu famoso dito (Jo 20, 25).
“Não só os convidara a ver e apalpar, mas mostrou-lhes Seus pés e mãos. Não parece, pois, crível que eles deixassem de tocá-Lo, curiosos como estavam de conhecê-Lo. Além disso, se não O tivessem tocado, seria pelo fato de acreditarem, sem necessidade dessa prova; consta, porém que não creram somente por vê-Lo, como se diz em seguida”.6
Essa reação dos Apóstolos pareceria, à primeira vista, ocasionada por pura incredulidade, mas bem poderia ser o fruto de tal inebriamento que mais se julgavam em estado de sonho do que de realidade. Estavam penetrados de tão grande júbilo por vê-Lo ressuscitado, que não podiam crer no que os próprios olhos lhes mostravam.
“O Evangelista escreve isso como sendo uma atenuante para a falta dos discípulos em não acreditar, insinuando que, se eles não creram, foi mais pelo desejo da verdade do que por obstinação contra a verdade. Às vezes nos acontece de não acreditar naquilo que mais desejamos, como sucedeu a Jacó, quando lhe contaram que seu filho José estava vivo; e com São Pedro, ao ser libertado do cárcere contra todas as suas expectativas: julgava ser um sonho, e não realidade, o que se passava com ele. [...]
“Tomando-se ao pé da letra o que aqui está dito (que eles não acreditavam), não se deve estender essa descrença a todos quantos se encontravam no Cenáculo, pois pelo menos aqueles que disseram ter visto o Senhor — como São Pedro e talvez algum outro — certamente criam”.7
No próximo post...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Evangelho 2º Domingo de Páscoa- ano B Continuação

Jesus lhes dá o Espírito Santo
21 Ele disse-lhes novamente: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também vos envio a vós.”
Jesus deseja-lhes novamente a paz. Ele os quer serenos e confiantes para receberem a grande missão que lhes outorgará. Com a mesma autoridade com a qual o Pai enviou o Filho, este envia seus discípulos. Essa autoridade reside n’Ele enquanto Homem: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28, 18); e enquanto Deus, Ele a possui por natureza. Os Apóstolos são “enviados”, portanto, possuem um poder por delegação.
... soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”.
A exegese se inclina a interpretar esta passagem no sentido de que Cristo não soprou sobre cada um dos Apóstolos, mas o fez somente de modo genérico, o que era suficiente para todos, incluindo o próprio Tomé, ausente naquele momento.
Como entender a anterior afirmação de Jesus: “A vós convém que Eu vá, porque, se não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se for, Eu vo-Lo enviarei” (Jo 16, 7)?
É preciso distinguir entre “enviar” e “dar”. No presente versículo, Jesus “dá” aos Apóstolos o Espírito Santo com o único objetivo — conforme veremos a seguir — de conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, um dos vários dons do mesmo Espírito. Em Pentecostes, sim, foi “enviado” sobre Maria e as demais pessoas reunidas no Cenáculo, o Espírito Santo, com seus dons.
A esse propósito diz Santo Agostinho: “O sopro corporal da boca [de Cristo] não foi a substância do Espírito Santo, mas uma conveniente demonstração de que o Espírito Santo não procede somente do Pai, mas também do Filho” (7).
E São Gregório Magno acrescenta: “Por que razão Ele O dá a seus discípulos, primeiro quando ainda está na terra, para depois o enviar do Céu? Porque são dois os preceitos da caridade: o do amor a Deus e o do amor ao próximo. Na terra foi dado o Espírito de amor ao próximo, e do Céu, o Espírito de amor a Deus; (...) porque o amor ao próximo nos ensina como podemos chegar ao amor a Deus” (8).
O Sacramento da Reconciliação
23 “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.
Quando se realiza uma ordenação sacerdotal, o bispo ordenante profere as palavras desses dois versículos (22 e 23), pelas quais os sacerdotes são constituídos ministros do Sacramento da Penitência e juízes dos pecados, com a faculdade de retê-los ou de perdoá-los. Ministério de indizível elevação, mas que exige luzes, prudência, pureza de coração e, sobretudo, zelo pelas almas. “Noblesse oblige!”, dizem os franceses. E isso a tal ponto que São João Crisóstomo chega a opinar: “Um sacerdote que levasse uma vida bem ordenada, mas não cuidasse com diligência da dos outros, seria condenado com os réprobos” (9).
Por outro lado, esse ministério pervade de consolação o coração dos fiéis, pois, apesar de tornar-lhes necessária a confissão, confere-lhes a certeza do perdão. E mesmo se retiver algum pecado, o sacerdote assim procederá para melhor proveito do penitente, quando, de futuro, este se vir perdoado. Nós hoje tomamos com naturalidade essa incomensurável dádiva de termos à disposição nossa o Sacramento da Reconciliação, mas é ele tão extraordinário que nossa limitada inteligência não alcança circundá-lo inteiramente.
O apóstolo incrédulo
24 Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Os outros discípulos disseram-lhe: “Vimos o Senhor!” Mas ele respondeu-lhes: “Se não vir nas suas mãos a abertura dos cravos, se não meter a minha mão no seu lado, não acreditarei”.
Embora não haja uma expressa indicação nos Evangelhos, deduz-se pelos fatos narrados que os Apóstolos se dispersaram durante a Paixão. Ademais, parece que não viviam juntos em Jerusalém até a ordem dada pelo Senhor por ocasião da Ascensão (10). A terrível acusação de violadores do Santo Sepulcro — uma das mais criminosas ações, punida com pesadas penas —, lançada pelo Sinédrio contra eles, levou-os a buscar formas de segurança pessoal, em extremo cautelosas. Por essas razões, reuniam-se somente em ocasiões esporádicas. Em concreto, com São Tomé aconteceu que não procurou os outros e nem soube das notícias sobre as diversas aparições, por puro temor das perseguições. A isso se deve sua ausência durante a primeira aparição de Jesus aos Apóstolos.
Nenhum motivo válido tinha Tomé para não crer em tão numerosas e fidedignas testemunhas. Percebe-se nele uma imaginação fértil acompanhada de robusta obstinação, dificultando-lhe qualquer conclusão, por mais óbvia que fosse. Além disso é preciso notar sua presunção, pois coloca como condição para sua fé: “Se não vir ... se não meter o meu dedo ... e não meter a minha mão”. É uma verdadeira temeridade. Tomé determina quais devem ser os caminhos de Deus, e, se não forem observadas as condições por ele impostas, não crerá. O Senhor deverá render-se à sua vontade.
Continua...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Evangelho 2º Domingo de Páscoa ano B - Continuação

20 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram- se muito ao ver o Senhor.
Tudo leva a crer que estavam dez Apóstolos no Cenáculo, e, como anteriormente comentávamos, um forte medo dominava a todos. Embora João omita a afirmação de Lucas: “Acreditavam estar vendo um espírito”, a pergunta que Jesus lhes faz mostra o estado de espírito em que se encontravam: “Por que vos perturbais? (24, 37-38). Compreende-se o temor de todos, vendo o Senhor entrar quando estavam bem fechadas as portas e janelas, pois não conheciam ainda o ensino teológico a respeito das características dos corpos gloriosos, e nem sequer lhes cruzava a mente uma consideração que seria formulada por Santo Agostinho nos seguintes termos: “As portas fechadas não podiam impedir a passagem a um corpo no qual habitava a Divindade; assim pôde penetrar as portas Aquele que, ao nascer, deixou imaculada sua Mãe” (4).
“Mostrou-lhes as mãos e o lado”
Essa é a razão pela qual Ele chama a atenção dos Apóstolos para suas chagas, ou seja, para tornar patente tratar-se de Quem foi crucificado, morreu e ressuscitou. Os autores são unânimes a propósito dessa observação, como, por exemplo, Santo Agostinho: “Os cravos haviam transpassado as mãos, a lança havia aberto o costado, e as feridas foram conservadas para curar o coração dos que duvidavam” (5).
Três questões emergem deste versículo:
1) Como foi possível aos Apóstolos contemplar a glória de Jesus ressurrecto, sendo que, no Tabor, três deles não haviam suportado vê-Lo em sua transfiguração?
A isso responde Santo Agostinho: “É de crer-se que a claridade com a qual, como o sol, resplandecerão os justos em sua ressurreição, foi velada no corpo de Cristo ressurrecto aos olhos dos discípulos, porque a debilidade do olhar humano não a teria podido suportar, e era necessário que eles O reconhecessem e ouvissem” (6).
2) Sendo as cicatrizes um defeito produzido por ferimentos, como puderam se conservar no Sagrado Corpo do Senhor?
Das mais variadas formas se expressam os autores a esse respeito, mas são concordes em observar que se trata de cicatrizes de triunfo e, portanto, gloriosas e não defectivas. No Céu, todos os mártires trarão à mostra suas cicatrizes como símbolo triunfante de seu testemunho, tal qual na terra o fazem os militares vencedores em suas batalhas.
3) Os Apóstolos apenas viram as chagas, ou também as tocaram? Tomé terá sido o único a apalpar as cicatrizes do Senhor?
O Evangelista João afirma apenas que Jesus mostrou suas chagas. Lucas vai mais longe: “Apalpai e vede, porque um espírito não tem carne nem osso” (24, 39).
Entretanto, o dito de São João em sua primeira Epístola: “O que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, o que tocamos com as nossas mãos relativamente ao Verbo da Vida” (1, 1), e a condição posta por São Tomé para dar sua adesão de fé: “Se não vir nas suas mãos ... se não meter a minha mão” (v. 25), levam os autores à conclusão de que, de fato, não só Tomé, mas também os outros tocaram nas Santas Chagas de Jesus.
Qual não deve ter sido a consolação dos Apóstolos ao tocarem no Sagrado Corpo do Salvador? Nós hoje temos a graça, não de tocá-Lo, mas, muito mais, de recebê-Lo em comunhão.
Oh! sacrossantas chagas, manancial de toda santidade, quantos dons receberam os Apóstolos ao tocá-las!
Sem embargo, o fato de Jesus as haver mostrado nessa ocasião não significa que Ele deva sempre ostentar os sinais de sua Paixão. Apareceu como um peregrino aos discípulos de Emaús, e, para a fé robusta de Madalena, não só Se apresentou sem as chagas, como não lhe permitiu que O tocasse, para não diminuir os seus méritos. Aos Apóstolos, convida-os a apalparem-nas por razões didáticas. A forma de apresentar-Se depende de sua vontade e conveniência. A alegria que sentiram eles, nessa ocasião, era o cumprimento da promessa do próprio Salvador: “Outra vez vos verei e alegrar-se-á vosso coração” (Jo 16, 22).

Continua...