-->
Mostrando postagens com marcador pesca milagrosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pesca milagrosa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A pesca milagrosa

A missão de anunciar a palavra de Deus, não é só dos que se consagram à vida religiosa, mas sim um dever de todos nós Cristãos batizados.
Assista à homilia de Mons João Clá Dias.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

Evangelho III Domingo da Páscoa - Ano C - Jo 21, 1-19

Comentário ao Evangelho do III Domingo da Páscoa
Evangelho de São João (21, 1-19)
A pesca milagrosa
1 Depois disto, Jesus voltou a mostrar-Se aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Mostrou-Se deste modo: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos do Zebedeu e dois outros dos seus discípulos. 3 Simão Pedro disse-lhes: “Vou pescar”. Responderam-lhe: “Nós vamos também contigo”. Partiram e entraram numa barca. Naquela noite nada apanharam. 4 Chegada a manhã, Jesus apresentou-Se na praia, mas os discípulos não conheceram que era Ele. 5 Jesus disse-lhes: “Rapazes, tendes alguma coisa para comer?”
Responderam-Lhe: “Nada”. 6 Disse-lhes: “Lançai a rede para o lado direito da barca e encontrareis.” Lançaram a rede e já não a podiam arrastar, por causa da grande quantidade de peixes. 7 Então, aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ao ouvir dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava nu, e lançou-se à água. 8 Os outros discípulos, que não estavam distantes da terra senão duzentos côvados, vieram no barco puxando a rede cheia de peixes.
9 Logo que saltaram para terra, viram umas brasas acesas, peixe em cima delas, e pão. 10 Jesus disse-lhes: “Trazei dois peixes que apanhastes agora.” 11 Simão Pedro subiu à barca e arrastou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes. E, sendo tantos, não se rompeu a rede. 12 Jesus disse-lhes: “Vinde comer.” Nenhum dos discí­pulos ousava perguntar-Lhe: “Quem és Tu?”, sabendo que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lhos, fazendo o mesmo com o peixe. 14 Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos discípulos depois de ter ressuscitado dos mortos.
15 Depois de comerem, disse Jesus a Simão Pedro: “Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta os meus cordeiros.” 16 Voltou a perguntar pela segunda vez: “Simão, filho de João, amas-Me?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17 Pela terceira vez disse-lhe: “Simão, filho de João, amas-Me?” Pedro ficou triste por­que, pela terceira vez, lhe disse: “Amas-Me?”, e respondeu-Lhe: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo.” Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas.”
18 “Em verdade, em verdade te digo: Quando tu eras mais novo, cingias-te e ias aonde desejavas; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres.”
19 Disse isto, indicando com que gênero de morte havia Pedro de dar glória a Deus. Depois de assim ter falado, disse: “Segue-Me” (Jo 21,1-19).
A Igreja após o Juízo Final
Duas pescas milagrosas simbolizam, uma a Igreja Militante, e outra a Triunfante. Qual a maravilhosa riqueza de significados da realizada após a Ressurreição? É o que nos ensina o Evangelho de hoje.
I — O rico significado das ações de Jesus
No contato com certas pes­soas inteligentes, de boa cultura e, sobretudo, sábias, saboreamos uma grande riqueza em suas palavras e até mesmo em seus gestos e atitudes. A profundeza e a multiplicidade de significado de suas ações são tão substanciosas que às vezes se torna difícil abarcá-las por completo. Quando essa personalidade não é humana nem angélica, mas divina, isso não é apenas difícil, mas totalmente impossível. Como abranger os infinitos aspectos contidos em cada fato da vida de Jesus? Nossa razão daria, quando muito, alguns passos nessa impraticável tarefa, não fosse o auxílio da Fé e as inspirações do Espí­rito Santo. É com base nas virtudes e na graça que conseguimos fazer incursões proveitosas nesse ilimitado universo.
Eis o caso do Evangelho de hoje.
Para melhor penetrarmos a simbologia contida nas cenas por ele descritas, em rá­pidos traços analisemos a primeira das pescas milagrosas, que se verificou por ocasião da escolha dos discípulos pelo Divino Mestre (cf. Lc 5, 1-11), ou seja, antes de se iniciarem as atividades apostólicas.
II — A primeira pesca milagrosa

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum - Ano C - Lc 5, 1-11

Comentários ao Evangelho  5º Domingo do Tempo Comum - Ano C -Lc 5, 1-11
Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus.
2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.
5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”.
6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”
9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer.
10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”.
11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.
Deus nos protege e ensina
Inegável é a forca de expressividade do reino animal para o homem, sobretudo quando oferece a sua análise circunstâncias que lembram situações e pequenos fatos da vida humana. Tais atrativos da fauna, tão habituais nas regiões campestres, despertam particular atenção quando colocam em evidência um dos seus mais ricos e vigorosos predicados: o instinto materno. Manifesta-se este não só no zelo pela alimentação e proteção dos filhotes, como também no cuidado de prepará-los para lhes permitir sobreviver em meio às vicissitudes da existência.
Não há quem, transitando por alguma rua de terra numa localidade rural, não tenha visto a característica cena: uma galinha cruzando o caminho, seguida por um de seus pintainhos. Enquanto o pequenino tenta, com não pouco esforço, acompanhar a mãe — pois a desproporção entre ambos obriga-o a dar vários passos para percorrer a distância que a galinha transpõe com apenas um —, ela parece ignorar os apuros do filhote, em virtude da velocidade de seu deslocamento. Mas, na verdade, está tão atenta à cria que, se perceber qualquer sinal de ameaça, sua reação para defendê-la será imediata e enérgica, mostrando-se disposta a dar a própria vida, se necessário for, para resguardá-la do perigo.
Ora, o instinto materno — muito mais profundo no gênero humano — é um tênue reflexo dos desvelos d’Aquele que, além de Criador, quis estreitar seu relacionamento com o homem, elevando-o à condição de filho, ao fazê-lo partícipe de sua própria vida divina pela graça, como exclama São João: “Olhai que amor teve o Pai para nos chamar filhos de Deus, e nós o somos!” (I Jo 3, 1).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11 - Ano C 2013

O principal fruto da pesca
‘‘Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus”.
Grande parte dos comentaristas reúne num só episódio os relatos dos sinópticos a respeito da vocação dos referidos Apóstolos, considerando o convite do Mestre, na resumida narração de São Mateus e de São Marcos, como tendo sido feito logo após os pescadores terem regressado com as barcas: “Vinde após mim e vos farei pescadores de homens” (Mt 4, 19; Mc1, 17). Os dois primeiros Evangelistas o registram em forma de mandado oficial, dado a Pedro e André e, logo em seguida, a Tiago e João, o que, segundo São Lucas, havia sido prenunciado como missão de Pedro, em meio às águas: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5, 10).
“Jesus, com sua graça, dá eficácia ao chamado, sua voz é ouvida sem demora nem réplica. ‘No mesmo instante’, produzindo em suas almas um total desapego a tudo parentes, amigos, relações, posses —, ‘deixando tudo’, e sentindo uma atração irresistível por Jesus, ‘O seguiram’, sem se preocupar aonde iam”,9 aponta Gomá y Tomás. A conquista dos futuros Apóstolos fora o principal fruto da pesca milagrosa, confirmando a eficácia plena da didática do Divino Pescador.
CHAMADO PARA TODOS OS SÉCULOS
O eco do encargo entregue aos Apóstolos às margens do lago de Genesaré repercute ao longo dos séculos e chega também a nós, conclamando-nos à missão de trabalhar pela glória de Deus e da Igreja, quer sejamos clérigos, religiosos ou leigos. Como católicos, devemos buscar a edificação de uma sociedade conforme aos preceitos evangélicos e, para isso, cabe-nos a responsabilidade de atrair as almas dispersas no mar revolto do mundo moderno e levá-las à barca de Pedro.
Não obstante, não poucas serão as dificuldades para exercer tão elevada função, sobretudo quando nos deparamos com nossas próprias insuficiências e falhas. Diante dessa desproporção, avançar e lançar as redes se afigura como algo impossível. O que nos é necessário para corresponder a uma missão tão superior às nossas capacidades? E o próprio Mestre quem nos responde, pela pena de São Paulo: “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força” (II Cor 12, 9).
Portanto, quanto mais nos sentirmos incapazes de cumprir a vocação à qual Deus nos chama, maior deve ser nossa confiança no poder da voz que nos convoca. E vendo uma atitude de humildade cheia de fé que Nosso Senhor opera a pesca milagrosa, deixando patente que os bons resultados não dependem das qualidades nem dos esforços humanos. Ele confunde os fortes deste mundo e conduz os fracos à realização de obras grandiosas (cf. I Cor 1, 27).
A exemplo de Pedro, sejamos generosos e confiantes, pois também em nossas vidas Cristo apareceu ordenando: “Duc in altum! Eu os quero como instrumentos para renovar a face da Terra! Não tenham medo, pois Eu mesmo lhes darei as forças para a obtenção de um glorioso resultado!”
9) GOMA Y TOMÁS, op. cit., p.78.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11 - Ano C 2013

Continuação dos comentários ao Evangelho Lc 5 1-11  5º Domingo do Tempo Comum - Ano C - 2013
A humildade, condição para corresponder ao chamado
8 Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” E que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer.10a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados.
Embora Pedro já tivesse presenciado outros milagres — inclusive a cura de sua sogra (cf. Lc 4, 38-39) —, ficou de fato impressionado diante do acontecido. E este é outro aspecto da pedagogia usada pelo Redentor: adaptar o chamado ao modo de ser e às aptidões de cada pessoa. “Era o milagre que faltava para convencer um pescador, como era Simão Pedro”,5 comenta o padre Cantalamessa. Por essa mesma razão São Lucas nomeia Tiago e João, entre os outros pescadores, para assinalar como o ocorrido lhes tocara fundo a alma, pois, apesar de haverem testemunhado em outras ocasiões diversos prodígios do Mestre, “também ficaram espantados”.
Pouco antes de retornar à Galileia, Jesus agira de forma semelhante à beira do poço de Jacó, ao oferecer à samaritana uma água que a saciaria para sempre (cf. Jo 4, 1-42). 0 assunto logo despertou a atenção da mulher: “Senhor, dá-me dessa água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!” (Jo 4, 15) e, abrindo a alma à ação da graça, após esse encontro tornou-se propagadora de Nosso Senhor entre seus concidadãos, levando muitos samaritanos a crerem n’Ele.
No caso de Pedro, só nesse momento ele compreendeu a fundo a infinita diferença que o separava de Cristo, cuja grandeza a descomunal pesca evidenciava de modo particular a seus olhos de pescador. Veio-lhe, então, o imediato reconhecimento da própria insuficiência e, sentindo-se analisado pelo olhar de Jesus, percebeu em que medida Ele conhecia por inteiro o fundo de sua alma, bem como suas faltas. Compenetrado dessa condição de pecador, prostrou-se diante do Homem-Deus e pediu que dele se afastasse. Não cogitava ser tal manifestação de humildade o último precedente da missão que o aproximaria do Salvador de modo definitivo.
Pescador de homens
10b Jesus porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”.
Relacionando pela primeira vez o milagre com o chamado, o Mestre tranquilizou Pedro, “como se dissesse: Não te espantes, mas alegra-te e crê que estás designado por minha Providência a uma pesca superior. Outra barca e outras redes te serão dadas, porque até agora pescavas peixes com tuas redes, mas doravante, e em breve, pescarás homens através de tuas palavras, trazendo-os pela sã doutrina ao caminho da salvação”.6
Convém notar que, associando o conceito de pesca ao apostolado, Jesus também deixava entrever a Pedro e a seus companheiros como “esse penoso ofício havia sido excelente escola de preparação para serem dignos discípulos do Messias. Nele haviam aprendido a paciência e o animoso trabalhar”,7 observa Fillion. Com efeito, do mesmo modo que para obter peixes não temiam os perigos da noite e os demais contratempos da profissão, também audazes deveriam ser enquanto missionários, arriscando-se aos mais ousados lances de evangelização. Ademais, na pesca apostólica, cujas redes “impedem que pereçam os que foram colhidos, mas os conservam e os trazem do abismo até à luz”,8 nunca deveriam desanimar, mesmo após muito se empenharem sem nada obter, sabendo esperar o momento propício para o agir da graça nas almas, o qual não depende dos esforços do apóstolo, mas, sim, da vontade de Deus.
Importante é ressaltar não ter Nosso Senhor confirmado nem negado a condição de pecador de Pedro, visando mostrar-lhe que Deus jamais outorga uma vocação em função das virtudes ou defeitos dos homens, conhecidos por Ele desde toda a eternidade. Um chamado resulta de um desígnio de sua infinita misericórdia. Jesus não se atém à consideração das fraquezas de Pedro, pois assim como elas não constituíram impedimento para sua escolha como Príncipe dos Apóstolos, também não o seriam para a realização de tal missão.
Continua no próximo post.


5) CANTALAMESSA, OFMCap, Raniero. Echad ias redes. Reflexiones sobre los Evangelios. Ciclo C. Valencia: Edicep, 2003, p.196.
6) GARCÍA MATEO, SJ, Rogelio. El misterio de la vida de Cristo en los ejercicios ignacianos y en el “Vita Christi” Cartujano, de Ludoif von Sachsen. Antología de Textos. Madrid: BAC, 2002, p.103.
7) FILLION, Louis-Claude. Vida de Nuestro Señor Jesucristo. Vida pública. Madrid: Rialp, 2000, v.11, p.23. “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5, 10)
8) SANTO AMBROSIO. Tratado sobre el Evangelio de San Lucas. LIV, n.72. In: Obras. Madrid: BAC, 1966, vi, p.227.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11 - Ano C 2013

Continuação dos comentários ao Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11  - Ano C  2013
“Avança para águas mais profundas!”
4Quando acabou de falar, disse a Simão: ‘Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.
Com esta ordem de avançar “para águas mais profundas”, o Redentor indicava a ousadia que deveria caracterizar as metas daqueles pescadores dali em diante, predispondo-os a uma ação mais ampla do que os limitados horizontes lacustres nos quais trabalhavam: o plano divino da salvação dos homens. Em outras palavras, Nosso Senhor pedia corações generosos.
Ora, Simão era pescador veterano, e a prática lhe dizia não haver a menor possibilidade de pescar algo na manhã seguinte a uma noite de trabalho infrutífero. Desse modo, tinha razões válidas e escusas suficientes para não atender à ordem de Jesus e poderia ter argumentado em favor de uma resposta negativa, valendo-se de seus conhecimentos na matéria e alegando ser inconveniente — ou até mesmo inútil — lançar as redes. Entretanto, agiu de modo diferente.
5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”.
Longe de ser uma manifestação de falta de fé, a explicação dada por Simão — em um tom de voz que podemos conjecturar cheio de deferência — ratifica sua confiança na palavra do Mestre. Agindo de modo coerente, pratica um ato de perfeita obediência, pois, sendo experimentado, suspende o próprio juízo e cumpre de imediato a ordem recebida. Tal fé e docilidade à determinação divina, atributos imprescindíveis de um genuíno apóstolo, eram a resposta esperada por Jesus para realizar o milagre.
Pesca prodigiosa
6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
Como resultado final da pesca, “obteve-se tal quantidade de peixes quanto quis o Senhor do mar e da terra”,3 afirma São Gregório Niceno. Além de representar a messe abundante — para a qual, já prevenia os futuros Apóstolos, eram poucos os operários... , Cristo também lhes mostrava a importância da harmonia e do mútuo auxílio entre eles. Sem a colaboração dos companheiros da segunda barca, teria sido impossível retirar das águas aqueles peixes, assim como para a evangelização do mundo seria necessária a união de forças dos apóstolos, a fim de conduzir ao caminho da salvação cada uma das almas que a Providência lhes confiaria.
A fartura de peixes traz ainda outra marca da tão insuperável didática utilizada por Jesus: peritos na arte pesqueira, os discípulos logo concluíram não ser naturalmente explicável o acontecido, O Mestre já realizara um milagre sobre uma criatura inanimada, transformando a água em vinho nas Bodas de Caná, e agora, demonstrando pela primeira vez seu poder sobre a natureza animal, levava-os a compreender que dominava de modo absoluto todos os seres. Desta maneira, antes de convocar aqueles discípulos a segui-Lo sem reservas, quis Jesus manifestar seu poder sobre a criação através dessa pródiga pesca, para convencê-los de que Ele sempre os proveria em quaisquer necessidades temporais na vida missionária, facilitando-lhes a renúncia às preocupações terrenas.
Não obstante, o mais importante objetivo de Jesus era fazer Simão compreender — e, com ele, os demais discípulos — “que, se durante a noite inteira não havia pegado nada, era inútil todo seu esforço sem Cristo, como o são todos os nossos atos humanos sem a graça divina”,4 explica Maldonado. O Salvador queria deixar consignado o quanto a missão de salvar as almas será continuamente uma pesca milagrosa, na qual o apóstolo figura como mero instrumento. Sua habilidade e diligência serão frustradas se não forem movidas pela voz d’Aquele que disse de Si mesmo: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5).
Continua no próximo post.

3) SÃO GREGÓRIO NICENO, apud SÃO TOMÁS DE AQUINO. Catena Aurea. In Lucam, cV, v.5-7; 8-11.
4) MALDONADO, SJ, Juan de. Comentarios a los Cuatro Evangelios. Evangelios de San Marcos y San Lucas. Madrid: BAC, 1951, v.11, p.478.
 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11 - Ano C 2013


Continuação dos comentários ao Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11  - Ano C  2013

2 Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
Naquela época o lago de Genesaré era centro de intensa atividade pesqueira, que constituía o principal meio de subsistência da população local. Como o exercício da profissão exigia sempre a ação em conjunto, os pescadores se reuniam em pequenas equipes, sendo comum duas ou mais dessas corporações se associarem. Com barca própria e sob a direção de um arrais, os grupos de consócios uniam esforços na faina de cada jornada e partilhavam o produto final obtido.
No episódio aqui contado, as duas embarcações — uma, de Simão; outra, de Zebedeu — haviam regressado após uma noite de vãs tentativas. Ao estado de desapontamento geral dos pescadores somavam-se os incômodos de outros fatores humanos, como o cansaço da noite passada em claro e a necessidade de lavar as redes, labor indispensável depois da pesca, fosse esta bem ou mal sucedida.
Segundo a cuidadosa pedagogia do Mestre, era assim, exaustos e sentindo-se fracassados, que os pescadores se encontravam nas condições ideais para receber a missão a eles reservada.
A barca, símbolo da Igreja
3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
Como todos os atos de Nosso Senhor, a escolha da barca tem profundo significado. Os comentários a esse respeito são unânimes: com tal gesto, Cristo quis indicar a proeminente posição de Simão no colégio apostólico, o qual em breve seria constituído, simbolizando a barca a Igreja, então nascente. “A partir da Igreja, Jesus, pessoalmente ou através de Pedro, seu Vigário, instrui o mundo. ‘Onde está Pedro, aí está a Igreja’. Isto nos dá a medida da adesão que devemos professar à Sé de Pedro”,2 explica o Cardeal Gomá y Tomás.
Ademais, um pequeno detalhe desperta nossa atenção: terá Jesus subido na barca estando ela na areia — sem molhar os pés, portanto — ou foi preciso dar alguns passos dentro da água, até chegar à embarcação? Tanto em uma quanto na outra hipótese, a areia se beneficiou por ser próprio Deus feito homem. Terá o mesmo acontecido E uma das muitas curiosidades provocadas pelas si ativas evangélicas...
Aproveitando o natural declive da praia, onde o público se encontrava apinhado, o Mestre pediu a Simão que se distanciasse um pouco da margem, formando um original anfiteatro. Admirável era a poesia da cena: enquanto a embarcação balançava pausadamente nas águas ao sabor da ondulação, o Criador do Céu e da Terra, Deus Encarnado, doutrinava a multidão!

Continua no próximo post.

2) GOMA Y TOMAS, Isidro. El Evangelio explicado. Años primero y segundo de la vida pública de Jesús. Barcelona: Balmes, 1930, v.11, p.80.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Evangelho 5º Domingo do Tempo Comum Lc 5 1-11 - Ano C 2013

Comentários ao Evangelho Lc 5 1-11  5º Domingo do Tempo Comum - Ano C - 2013
Deus nos protege e ensina
Inegável é a forca de expressividade do reino animal para o homem, sobretudo quando oferece a sua análise circunstâncias que lembram situações e pequenos fatos da vida humana. Tais atrativos da fauna, tão habituais nas regiões campestres, despertam particular atenção quando colocam em evidência um dos seus mais ricos e vigorosos predicados: o instinto materno. Manifesta-se este não só no zelo pela alimentação e proteção dos filhotes, como também no cuidado de prepará-los para lhes permitir sobreviver em meio às vicissitudes da existência.
Não há quem, transitando por alguma rua de terra numa localidade rural, não tenha visto a característica cena: uma galinha cruzando o caminho, seguida por um de seus pintainhos. Enquanto o pequenino tenta, com não pouco esforço, acompanhar a mãe — pois a desproporção entre ambos obriga-o a dar vários passos para percorrer a distância que a galinha transpõe com apenas um —, ela parece ignorar os apuros do filhote, em virtude da velocidade de seu deslocamento. Mas, na verdade, está tão atenta à cria que, se perceber qualquer sinal de ameaça, sua reação para defendê-la será imediata e enérgica, mostrando-se disposta a dar a própria vida, se necessário for, para resguardá-la do perigo.
Ora, o instinto materno — muito mais profundo no gênero humano — é um tênue reflexo dos desvelos d’Aquele que, além de Criador, quis estreitar seu relacionamento com o homem, elevando-o à condição de filho, ao fazê-lo partícipe de sua própria vida divina pela graça, como exclama São João: “Olhai que amor teve o Pai para nos chamar filhos de Deus, e nós o somos!” (I Jo 3, 1).
Como verdadeiro Pai, o Altíssimo não cessa de proteger, amparar e atrair a Si todas as criaturas humanas, velando continuamente por elas. E, excedendo de modo infinito os cuidados empregados pela mãe ao predispor os filhos para bem enfrentar a vida, o Divino Didata conduz os homens — por meio de processos tão diversos quanto o são as almas — à realização da vocação específica que sua Sabedoria outorga a cada um.
Passemos, agora, a considerar o Evangelho deste 5º Domingo do Tempo Comum, a partir dessa perspectiva.
A PESCA MILAGROSA
O encontro de Nosso Senhor com os primeiros discípulos, relatado por São João (cf. Jo 1, 35-42), é pressuposto importante para compreendermos o trecho do Evangelho apresentado pela Liturgia. Ao contrário das escolas rabínicas e gregas da época, nas quais os homens ingressavam movidos por uma escolha pessoal, o próprio Jesus, com autoridade divina, elegeu seus seguidores, como Ele mesmo afirmou: “Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi” (Jo 15, 16). Acompanhando-O durante o ministério preliminar, esse pequeno grupo recebia os ensinamentos de Cristo e presenciava seus milagres, a começar pelo das bodas de Caná; nessa ocasião o Mestre “manifestou a sua glória e os seus discípulos creram n’Ele” (Jo 2, 11).
No entanto, os primeiros seguidores do Messias não foram logo de início constituídos apóstolos. Tal encargo os levaria a estreitar os vínculos de união com o Mestre, fazendo-os participar do próprio poder d’Ele, além de exigir a dedicação integral à vocação, assim como o abandono dos seus e das ocupações alheias ao serviço missionário. Antes de receber esse chamado — para o qual Jesus os preparava de maneira paulatina, com sublime pedagogia —, conciliavam o tempo entre o discipulado e as atividades profissionais, necessárias para a subsistência própria e das respectivas famílias. Para Simão, André e os dois filhos de Zebedeu — Tiago e João —, todos pescadores, isso significava longas jornadas, com muita frequência noturnas, sobre as piscosas águas do lago de Genesaré.
É precisamente após uma dessas noites que se dá o fato descrito na passagem de São Lucas hoje contemplada.
Pregação às margens do lago de Genesaré
Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se a seu redor para ouvir a palavra de Deus.
O quadro geográfico no qual se situa o lago de Genesaré permite considerá-lo como autêntica preciosidade da natureza. Enquanto montanhas sóbrias e de contorno regular o circundam a leste, elevações de perfil tortuoso e desigual formam uma peculiar cordilheira a oeste. Completando a riqueza do panorama, na direção setentrional divisa-se o Monte Hermon, com seu cimo coberto de neve durante boa parte do ano. Contudo, apesar de tal beleza natural, poucas são as referências ao lago no Antigo Testamento,’ pois ele só se tornou célebre após ter sido palco das numerosas passagens da vida do Redentor, descritas nos Evangelhos. A primeira delas, segundo a cronologia, é esta relatada por São Lucas.
Após narrar diversos milagres e pregações de Jesus, na Galileia, logo no início de sua vida pública, o Evangelista registra sua retirada para um lugar afastado; todavia as multidões “foram até onde Ele estava e queriam detê-Lo, para que não as deixasse” (Lc 4, 42). Mais do que pelos prodIgios e ensinamentos, o povo O seguia devido à extraordinária atração exercida por Ele. O desejo de vê-Lo, ouvi-Lo e estar próximo d’Ele fazia com que a aglomeração dos seguidores, reunida agora às margens do lago, se comprimisse ao redor de Nosso Senhor, criando uma situação pouco propícia à pregação.
Continua no próximo post.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pesca milagrosa II

Continuação da pesca milagrosa
6 Disse-lhes: “Lançai a rede para o lado direito da barca e encontrareis.” Lançaram a rede e já não a podiam arrastar, por causa da grande quantidade de peixes.
Sendo Jesus onipotente, sua didática é divina. A fim de tornar ainda mais maravilhoso o milagre a ser por Ele operado, aproveita-se de uma noite de fracasso para aconselhar-lhes a lançar uma vez mais a rede. Nossas desilusões com as puras forças da natureza muitas vezes nos são úteis para convencer-nos da infinitude do poder de Deus.
Jesus orienta que seja do lado direito da barca. Por quê?
Quem nos explica é o grande Santo Agostinho (2): “Essa pesca se faz depois da Ressurreição do Senhor para nos indicar qual será o estado da Igreja após a nossa ressurreição. ‘Lançai a rede à direita da barca’ (Jo 21, 6) disse o Senhor. Os que estão à direita não se confundirão com os outros. Não esquecestes como o Filho do Homem nos garantiu sua vinda no meio dos anjos; as nações comparecerão diante d’Ele, e Ele as separará como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, as ovelhas à direita, os cabritos à esquerda, e dirá depois às ovelhas: ‘Vinde (...) tomai posse do reino’; e aos cabritos: ‘apartai-vos de mim, malditos, ao fogo eterno’ (Mt. 25, 31-41). ‘Lançai a rede à direita’ significa, portanto, vede-me ressuscitado’. Quero dar-vos uma imagem do que vai ser a Igreja na Ressurreição dos mortos. ‘Lançai à direita’ (...) Lançaram a rede à direita e mal podiam levantá-la, tal era o seu peso!”
7 Então aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ao ouvir dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava nu, e lançou-se à água.
Compreensível e belo era que o discípulo mais amado, somando suas impressões ainda implícitas à constatação da superabundância de peixes obtida, fosse o primeiro a concluir quem era aquele possível freguês. O timbre da voz, o decidido da ordem e a plenitude do efeito levaram João a reconhecê-Lo: “É o Senhor!”, exclamou ele.
Entretanto, o que mais amava, devido ao seu temperamento impetuoso e arrojado, foi o único a lançar-se nas águas. A dor pela falta cometida, o entusiasmo por Jesus, a rede pesadíssima, etc. fizeram-no optar por vias mais rápidas e decididas. Porém, por estar usando uma roupa comum dos pescadores daqueles tempos, devido a serem quentes os ares do Lago de Genezaré naquela época do ano, viu-se Pedro na contingência de cingir-se com a túnica, para nadar os cem metros que o separavam de Jesus. O “porque estava nu” não significa que estivesse de todo despido, mas sim com o sumário traje de pescador.
Curioso é de se notar que na época de Jesus nadava-se cingido de túnica.
8 Os outros discípulos, que não estavam distantes da terra senão duzentos côvados, vieram no barco puxando a rede cheia de peixes.
Ouçamos Santo Agostinho comentar este versículo (3): “Trouxeram a rede até a margem. (...) Ao dizer-se ‘margem’, deve-se entender ‘fim do mar’; e por ‘fim do mar’, entende-se fim do século. Na primeira pesca, as redes não foram trazidas até a margem, pelo contrário, os peixes foram colocados dentro das barcas. Agora não, são arrastadas até a praia. Espera o fim do século. Ele virá para o bem dos que estiverem à direita e para o mal dos que estiverem à esquerda”.
9 Logo que saltaram para terra, viram umas brasas acesas, peixe em cima delas, e pão.
Segundo São João Crisóstomo e muitos outros autores, foi intenção do evangelista fazer notar a evidência do milagre operado por Jesus. Comentam eles a nova maneira de agir sobre a natureza, após a Ressurreição. Antes, o Senhor se aproveitava de matéria existente, agora já não, a realização é ainda mais maravilhosa, ou seja, certamente do nada tirou Jesus as brasas, o peixe e o pão. Como medir a delicadeza do gesto de Quem amou os seus e os amou até o fim?
10 Jesus disse-lhes: “Trazei dois peixes que apanhastes agora.”
Esse pedido feito por Jesus não visava apenas aumentar a quantidade de peixes a serem comidos por eles. De maneira sempre afetuosa e com ilimitada bondade, Jesus deseja fazê-los comprovar a grandeza da pesca realizada. Até esse momento, os Apóstolos estavam absortos na contemplação do Mestre e até já haviam se esquecido dos peixes e da barca. Em realidade, seu propósito era o de que trouxessem todos os peixes e os contassem.
11 Simão Pedro subiu à barca e arrastou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes. E, sendo tantos, não se rompeu a rede.
Pedro, em seu ardoroso amor, está sempre pronto a, com arrojo, atender às solicitações de Jesus. Sua disponibilidade total não se cifra somente ao fato de ser ele o dono da barca. Ele sozinho termina a operação iniciada pelos outros. O primeiro no amor, o mais flexível na obediência. Aí está a verdadeira raiz da qual retiram substanciosa seiva todas as virtudes: o amor.
O número cento e cinquenta e três suscitou ao longo dos séculos — e até mesmo entre os Padres da Igreja — uma variada gama de opiniões. Entre somas, subtracções e multiplicações, uma corrente de teólogos e de exegetas atribuíram um notório caráter simbólico a essa cifra. Outros, porém, — e é a opinião predominante hoje em dia — julgam ter sido intenção exclusiva do evangelista, a de ressaltar a grandeza do milagre.
Simbólica, sem dúvida alguma, é a afirmação contida no fim do versículo, ou seja, apesar do grande número e do porte dos peixes, a rede não se rompeu. Quase todos os autores procuram tornar clara essa passagem de São João. Santo Agostinho é o mais feliz em interpretá-la.
Explica-nos ele a diferença entre as duas pescas, no tocante à integridade da rede. Na primeira, rompeu-se. Símbolo das heresias que surgiriam ao longo dos séculos. Na descrita pelo Evangelho de hoje, a rede manteve-se intacta apesar do enorme peso. Esta é uma pré-figura da Igreja após a ressurreição dos mortos, na qual haverá o supremo império da paz dos justos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As pescas milagrosas

A PRIMEIRA PESCA MILAGROSA
Jesus é o Mestre. Ele ensina de maneira insuperável, aproveitando-se dos episódios do dia-a-dia para elevar as almas ao amoroso conhecimento das vias escolhidas para seus eleitos. Aqueles homens estavam habituados aos ofícios e mistérios do mar, e era a partir dessa realidade que o Senhor queria conduzi-los às mais altas paragens da santidade.
No milagre anterior (Lc 5, 1-7), Jesus ordenara o lançamento das redes sem determinar se à esquerda ou à direita, para significar a universalidade da missão da Igreja Militante, a qual deve atingir tanto os bons quanto os maus, até o momento da separação definitiva entre o joio e o trigo. Os peixes foram recolhidos em tal abundância que chegaram a romper as redes, rompimento este, símbolo das heresias que surgiriam no futuro. As barcas quase se afundaram, representação dos riscos tremendos pelos quais, incólume, passaria a Igreja. Estas e outras figuras nos fazem compreender a situação da Igreja durante o curso da História.
Já a pesca do Evangelho de hoje, realizada depois da ressurreição do Senhor, foi por Ele ordenada a fim de nos mostrar o estado da Igreja Triunfante após o Juízo Final.
1 Depois disto, Jesus voltou a mostrar-Se aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Mostrou-Se deste modo:
Jesus não mais convivia com os seus, como anteriormente fizera. Por isso o versículo começa com as palavras: “Depois disto”. Já estava em corpo glorioso e, conforme nos ensina São Tomás, Jesus poderia ser ou não visto, dependendo de sua vontade os discípulos O veriam somente se Ele se mostrasse. Esta é a razão teológica pela qual João narra:“Mostrou-Se deste modo”.
2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos do Zebedeu e dois outros dos seus discípulos.
Ainda não havia descido sobre eles o Espírito Santo. As aparições de Jesus eram esporádicas. Estavam desocupados e, assim sendo, se juntavam para mutuamente se apoiarem. Eram sete ao todo, número que chama a atenção de alguns autores pelo seu significado de multiplicidade.
3 Simão Pedro disse-lhes: “Vou pescar”. Responderam-lhe: “Nós vamos também contigo”. Partiram e entraram numa barca. Naquela noite nada apanharam.
A noite é o período mais propício para a pesca e, certamente, hábeis e experientes nesse ofício, intuíam um bom êxito naquele empreendimento proposto por Pedro. Bastou ele comunicar seu plano que todos os outros se congregaram naquela aventura, tanto mais que deveriam estar carentes de subsídios para seu dia-a-dia. Pedro, sempre entusiasmado e não menos impetuoso, paulatinamente se havia constituído em propulsor dos Apóstolos.
Deu-se a partida cheia de esperança. Entretanto, com o passar das horas, a constatação da ineficácia de seus esforços fazia-lhes crescer no coração a convicção de quanto dependiam de um auxílio divino.
4 Chegada a manhã, Jesus apresentou-Se na praia, mas os discípulos não conheceram que era Ele.
O senso de observação era rico naquela civilização orgânica. Sem jornal, televisão, cinema ou rádio, as notícias se espalhavam oralmente e, por essa razão, surgiam espectadores da realidade por todas as partes. Assim, tomaram com naturalidade a presença de Jesus na praia, sem reconhecê-Lo de imediato. Aliás, da mesma forma havia procedido o Mestre com os discípulos de Emaús e com Madalena.
5 Jesus disse-lhes: “Rapazes, tendes alguma coisa para comer?” Responderam-Lhe: “Nada”.
Jesus, mesmo ao dirigir-lhes a palavra, voluntariamente não revela sua identidade, quer comunicar-Se com eles de forma exclusivamente humana, quiçá até mesmo modificando o timbre de voz e a expressividade, para não ser reconhecido. Este minúsculo detalhe nos mostra o quanto Jesus pode estar presente junto de nós em nossas actividades quotidianas, sem nós nos darmos conta. Compreenderemos no dia de nosso Juízo a que extremo Ele foi nosso companheiro a cada segundo, observando até nossos pensamentos e desejos.
Neste curto diálogo, Jesus propicia aos sete Apóstolos o sonho com um possível freguês. É curioso notar como, apesar do fracasso noturno, estão dispostos a uma nova tentativa para não perder o hipotético comprador. Assim devemos ser nós em nossos afazeres, sobretudo os apostólicos, ou seja, nunca desanimar. Sempre há uma última chance.

Continua no próximo post...