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terça-feira, 25 de abril de 2017

Homilia: Discípulos de Emaús

Os discípulos de Emaús caminham desanimados pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas Jesus vai operar de modo magnífico em suas almas, reacendendo neles a fé muito abalada.





Veja a continuação da homilia de Mons João Clá Dias  Clicando aqui

quarta-feira, 25 de março de 2015

EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR

CONCLUSÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR
Crucificado e triunfante!
Em sua infinita sabedoria, o Verbo onipotente promoveu que a cruz fosse um símbolo de horror, rejeição e repugnância; e, depois, ao Se encarnar, abraçou-a para nos redimir e cumprir a vontade do Pai. Desde então a Cruz tornou-se a maior honra, o maior triunfo, a maior glória; no dizer de São Leão Magno,3 transformou-se em cetro de poder, troféu de vitória, signo de salvação. Ela passou a ser o cimo das torres das igrejas, o centro das condecorações, o ponto mais alto das coroas e o sinal que distingue um filho de Deus de um filho das trevas.
Quando Nosso Senhor estava já exangue na Cruz, chagado da cabeça aos pés, prestes a render seu espírito, os sinedritas zombavam d’Ele, dizendo: “A outros salvou, a Si mesmo não pode salvar! O Messias, o Rei de Israel... que desça agora da Cruz, para que vejamos e acreditemos!”. Com muita proprieda de São Bernardo de Claraval comenta este trecho: “O língua envenenada, palavra de malícia, expressão perversa! [...] Pois, que coerência há em ter de descer, se é Rei de Israel? Não é mais lógico que suba? [...] Ou por outra, por ser Rei de Israel, que não abandone o título do reino, não deponha o cetro aquele Senhor cujo império está sobre seus ombros”.4
E foi o que aconteceu. Ao terceiro dia Ele ressuscitou, e no quadragésimo ascendeu ao seu Reino Celeste, onde está sentado à direita do Pai, dominando o mundo inteiro. Rei absoluto, Ele não desceu, mas subiu!
III – A CRUZ SE TRANSFORMA EM GLÓRIA NA ETERNIDADE
A fim de aproveitarmos bem as graças da Semana Santa que hoje se inicia, é necessário que nos compenetremos de que, muito mais que com ramos de palma nas mãos devemos acolher Nosso Senhor com determinações interiores e propósitos, e com a firme convicção de que fomos criados para servir o Homem-Deus, cada qual no seu estado de vida, seja constituindo família, seja como religioso.
Jesus me convoca a segui-Lo! Valendo-se de uma expressiva imagem, São Roberto Belarmino pondera: “Quem vê seu capitão lutar por seu amor, com tal perseverança em lide tão penosa, recebendo tantas feridas e padecendo tão grandes dores, como não se animará a combater a seu lado, a fazer guerra aos vícios e resistir até morrer? Cristo batalhou até vencer e alcançar glorioso triunfo sobre seu inimigo [...]. E se Cristo pelejou com tão grande perseverança, seu exemplo deve dar sumo alento a todos os seus soldados para não se afastarem de sua cruz, e sim pugnar a seu lado até vencer”.5 Eu estarei com Ele, quer na entrada triunfal em Jerusalém, aclamando-O como Rei, quer na Via-Sacra, carregando minha cruz às costas, ou sobre o Gólgota, nela pregado. Será por meio desta cruz que eu obterei a glória da ressurreição, e conviverei com Ele por todo o sempre na verdadeira Jerusalém, a Jerusalém Celeste!
Ao transpor as muralhas desta esplendorosa cidade, “tabernáculo de Deus com os homens” (Ap 21, 3), teremos um autêntico Domingo de Ramos e entenderemos que a cerimônia da qual hoje se participa é mero símbolo dos “bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (I Cor 2, 9). Entretanto, aqueles que persistiram numa concepção mundana e desviada a respeito de Nosso Senhor, negando-se a aceitá-Lo como Ele é, terão um eterno domingo de fogo, enxofre, ódio e revolta!
Peçamos a graça de Compreender que é através da cruz que chegamos à luz “Per crucem ad lucem!” e não há outro meio de conquistar a alegria sem fim. Que a cruz seja a companheira inseparável de cada um de nós até o momento de ingressarmos na Visão beatífica, e continue junto a nós por toda a eternidade, como magnífica auréola de santidade, resplendor de glória.
1 BOSSUE Jacques-Bénigne. Méditations sur l’Évangile. La dernière semaine du Sauveur. Sermons ou discours de Notre Seigneur depuis le Dimanche des Rameaux jusqu’à la Cène. PrJour. In: OEuvres choisies. Versailles: Lebel, 1821, v.11, p.116; 118.
2) SANTO AGOSTINHO. Sermo XCV, n.4. In: Obras. Madrid: BAC, 1983, v.X, p.632.
3) Cf. SAO LEAO MAGNO. De Passione Domini. Sermo VIII, hom.46 [LIX], n.4. In: Sermons. Paris: Du Cerf, 1961, vIII, p.59.
4) SAO BERNARDO. Sermones de Tiempo. En el Santo Día de la Pascua. Sermón I, n.1-2. In: Obras Completas. Madrid: BAC, 1953, v.1, p.497-498.

5) SÃO ROBERTO BELARMINO. Libro de ias Siete Palabras que Cristo habló en la Cruz. Buenos Aires: Emecé, 1944, p.107-108.

segunda-feira, 23 de março de 2015

EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR
Das aclamações aos gritos de condenação
Digno de nota é também outro aspecto que a Liturgia de hoje nos ressalta. De que adiantou àquela gente aclamar o Senhor com ramos de palma nas mãos e estender seus mantos pelo caminho? Dentro de poucos dias a multidão estaria diante de Pilatos, vociferando: “Crucifica-O! Crucifica-O!”. Tal é a volubilidade das coisas do mundo, e assim são os aplausos estúpidos atrás dos quais correm os insensatos. Querer a aprovação dos homens é querer um dia receber o grito condenatório de todos!
Quão diferente é a estabilidade de Deus! Quando Ele aplaude alguém, o faz pela eternidade inteira. Se a Paixão de Jesus tivesse ocorrido depois de alguns anos de sua entrada solene em Jerusalém, o tempo nos permitiria considerar esta mudança de atitude da opinião pública como fruto de um processo. Mas como explicar uma transição tão fulminante dos louvores ao ódio? Como entender que tenham chegado à infâmia de passar diante de Nosso Senhor crucificado para soltar as blasfêmias referidas no Evangelho?
É esta a lógica do mal, a lógica do egoísmo, a lógica do pecado! Eis um ponto para nosso exame de consciência: eu, que me alegro ao ser tocado pela graça no fundo da alma,se não for vigilante e rígido comigo e consentir numa má solicitação — seja por pensamento, desejo ou olhar —, neste momento estarei encetando o mesmo cami nho daqueles judeus e, em breve, o “Hosana!” cederá lugar ao “Crucifica-O!”
II – O IRREMEDIÁVEL CONFRONTO ENTRE DUAS VISUALIZAÇÕES
Ao analisar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é difícil perceber que a pedra de escândalo em função da qual os campos se dividem é a concepção a respeito do Messias. De um lado, temos a visão política; de outro, a religiosa. E esta última — a verdadeira — é perseguida com ódio de extermínio por aqueles que aderiram à visão falsa.
Esta noção equivocada do povo não se diferenciava muito dos anseios dos membros do Sinédrio. Também eles esperavam que o Salvador de Israel fosse um habilidoso político, capaz de modificar completamente o estado da nação. E como se davam conta de que Nosso Senhor não usaria de nenhuma espécie de favoritismo em relação a eles se, de fato, subisse ao poder, O invejavam e não suportavam sua presença.
Jesus: Profeta por excelência e Vítima de sua própria missão
Na primeira leitura (Is 50, 4-7) deste domingo, encontramos prefigurada em Isaías a missão de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Profeta por excelência, chamado a conduzir os homens nas vias de Deus.
O Altíssimo, ao suscitar os profetas, os constitui seus intermediários junto aos homens. Ora, este encargo tão excelente aos olhos de Deus exige de quem o recebe a disposição de se entregar como vítima expiatória: “Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas” (Is 50, 6). Ou seja, o profeta é incompreendido. Por quê? Pelo fato de andar contra a corrente, de alertar o povo de seus desvios e indicar o caminho da moral, do direito, da retidão, da santidade, oposto ao das paixões desregradas.
E foi o que aconteceu ao Salvador: “Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam” (Jo 1, 11). Ele vinha oferecendo não só aos judeus, mas à humanidade inteira, a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Rm 8, 21); todavia, muitos preferem a pseudoliberdade de todos os seus instintos, isto é, a libertinagem. Ele Se encarnou para nos dar a filiação divina, pela qual nos tornamos príncipes, não de uma casa que hoje reina e amanhã se extingue, e sim herdeiros do trono celeste, “co-herdeiros de Cristo” (Rm 8, 17). E mais: Deus quis não só adotar-nos como filhos, mas também outorgar uma participação real em sua vida, como se em nossas veias corresse o próprio Sangue divino: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (I Jo 3, 1). No entanto, foi o convite a esta divinização, pela graça, que os homens rejeitaram!
Signo da História do Cristianismo
Ao escolher entrar em Jerusalém de forma tão modesta, como símbolo de contradição, visava, pois, mostrar o quanto sua realeza é muito distinta da esperada pelos judeus. Ele mesmo o declarará diante de Pôncio Pilatos, autoridade máxima da Judeia: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo” (Jo 18, 36). Se, pelo contrário, Ele houvesse Se apresentado como rei deste mundo, teria sido estimado e carre gado em triunfo, inclusive por seus inimigos.
O antagonismo entre a verdadeira e a falsa visualização do Salvador é o signo da História do Cristianismo, e o será até o fim dos tempos. Sempre haverá quem queira servir-se da Igreja e dos dons de Deus para interesses materiais e profanos e, em consequência, odiará aqueles que reputam “como perda todas as coisas, em comparação com este bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo” (Fl 3, 8). Estes últimos são pedras de escândalo vivas, a lembrar ao mundo a verdadeira doutrina a respeito de Nosso Senhor. Ele tem duas naturezas, a humana e a divina, unidas na Pessoa única do Verbo, e não é possível separar a humanidade de Cristo de sua divindade.
Alegria e tristeza, glória e dor
Ora, em virtude da união hipostática, Jesus poderia nos ter redimido com um simples ato de vontade, um movimento de mão ou até uma lágrima... Contudo, conforme ensina São Paulo na segunda leitura (Fl 2, 6-11), Cristo “não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas Ele esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-Se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-Se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2, 6-8).
É com vistas a este holocausto que Jesus entra em Jerusalém, a fim de nos livrar da condenação eterna, abrir as portas do Céu e comprar a nossa ressurreição. Em razão disso, a Liturgia aqui contemplada se caracteriza pelo contraste entre alegria e tristeza. A nota de júbilo está nos paramentos vermeihos, nos cânticos, nos ramos de palma, nas folhas de oliveira e no Evangelho da Procissão que exalta Nosso Senhor enquanto Rei. Não obstante, a par desta apoteose, o Evangelho da Missa narra a Paixão.
Não seria mais adequado reservar este texto apenas para a Sexta-Feira Santa? Não! Em sua divina e infalível perfeição, a Igreja pôs a Cruz no centro das considerações do Domingo de Ramos, bem como de toda a Semana Santa: Nosso Senhor, no Horto das Oliveiras, é preso por uma tropa armada de espadas e paus, como se fosse “um bandido” (Mc 14, 48); diante do tribunal de Pilatos, a multidão, instigada pelos sumos sacerdotes, pede o indulto de um assassino, Barrabás, em detrimento da libertação d’Ele; no Pretório, os soldados O flagelam, põem em sua cabeça uma coroa de espinhos e O escarnecem; segue-se a Via-Sacra, até o momento em que, no alto da Cruz, flanqueado por dois ladrões, Jesus brada com força e expira, e, naquela mesma hora, o véu do Templo se rasga.

A Cruz, sinal de contradição! Por que o Redentor escolheu este tipo de morte? Era de todos o mais ignominioso, reservado aos piores bandidos. O condenado à crucifixão era alvo do desprezo geral. A caminho do suplício, as pessoas debochavam e lhe lançavam cusparadas, e, quando os algozes o levantavam no madeiro, era costume aproximarem-se para ridicularizá-lo. Este gesto contribuía para aumentar a vexação e, por conseguinte, avivava no povo o medo de praticar algum crime. Enfim, o que havia de mais execrável Nosso Senhor quis para Si. A este propósito se pergunta Santo Agostinho: “Que há mais belo que Deus? Que há mais disforme que um crucificado?”.2
Continua no próximo post

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Comentário ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21

Conclusão dos comentários ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21
Uma ideia equivocada de teofania
21b “Ora, quem Me ama, será amado por meu Pai, e Eu o amarei e Me manifestarei a ele”.
Os Apóstolos, ainda por demais influenciados pela falsa concepção messiânica vigente em Israel, esperavam uma manifestação extraordinária de Nosso Senhor para o mundo inteiro, como se deram por vezes no Antigo Testamento. Imaginavam assim uma glorificação terrena de Jesus, o qual seria reconhecido pelo povo como o Messias libertador.
Meros interesses mundanos nesses homens, entretanto, chamados a serem as pilastras, os fundamentos da Santa Igreja Católica Apostólica e Romana!
Ora, uma demonstração inequívoca da divindade de Jesus tornaria a Fé menos meritória. Escutar, em meio a tremores de terra, nuvens de fumaça evolando-se da montanha, toques de trombetas, uma voz proclamando: “Eu sou o Deus de Israel...”, levaria a uma aceitação do Messias mais pela evidência do que pela Fé, o que acabaria sendo inútil. Com efeito, já não haviam bastado os incontáveis milagres feitos pelo Divino Mestre diante de multidões? Quantos cegos passaram a ver, quantos paralíticos a andar, quantos leprosos ficaram limpos! Sem contar as multiplicações dos pães e dos peixes. A tudo o povo assistira de coração endurecido. Por acaso, na suprema hora da Paixão, algum desses miraculados por Jesus — e foram muitos! — levantou-se para defender seu grande Benfeitor?
Era necessária uma conversão, uma mudança de mentalidade daquele povo. Quando Nosso Senhor disse que Se manifestaria a quem guardasse sua palavra e O amasse, causou surpresa nos Apóstolos, como nos é revelado pela pergunta feita logo a seguir por Judas Tadeu: “Senhor, como se explica que Te manifestarás a nós e não ao mundo?” (Jo 14, 22). E a voz desse Apóstolo não passava de um eco do pensamento dos demais, conforme ouvimos pouco antes Filipe pedir: “Mostra-nos o Pai” (Jo 14, 8), e Tomé indagar: “Mas, Senhor, não sabemos para onde vais, como é que vamos saber o caminho?” (Jo 14, 5).
A manifestação de Jesus a quem O ama
Preocupados em presenciar algo retumbante, não viam os Apóstolos a grandiosa sublimidade que se passava diante deles. Comenta Royo Marín: “Ao revelar-nos sua vida íntima e os grandes mistérios da graça e da glória, Deus nos faz ver as coisas, por assim dizer, do seu ponto de vista divino, tal como Ele as vê. Faz-nos perceber harmonias de todo sobrenaturais e divinas que nenhuma inteligência humana, nem mesmo angélica, teria jamais conseguido perceber naturalmente”.12
Descortinava-se pela fé uma maravilhosa realidade espiritual. “A fé infusa” — comenta Garrigou Lagrange —, “pela qual cremos em tudo quanto Deus nos revelou, porque Ele é a Verdade, é como um sentido espiritual superior que nos permite ouvir uma harmonia divina, inacessível a qualquer outro meio de conhecimento. A fé infusa é como uma percepção superior do ouvido, para a audição de uma sinfonia espiritual que tem Deus por Autor”.13
Nosso Senhor nos promete aqui a maior das recompensas, que Ele explicita mais ainda no versículo seguinte: “Se alguém Me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e Nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23).
De fato, que mais se poderia dar ao homem, além de transformá-lo em morada do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Mais do que isso, impossível. Diz São Tomás que tudo Deus poderia ter criado de forma mais bela, mais excelente, com exceção de três criaturas: Jesus, em sua humanidade santíssima; Maria, em sua humanidade e santidade perfeitíssima, e a visão beatífica.14 Ora, aqui nos diz Jesus que já nesta Terra começamos a ser morada do Pai, do Filho e do Espírito Santo, tendo portanto uma vida incoativa, semente de glória posta em nossa alma, que se desabrochará por inteiro na eternidade.
Nisso consiste a manifestação de Nosso Senhor a quem amar e guardar sua palavra: será transformado num tabernáculo da Santíssima Trindade! Sem fenômenos extraordinários, no silêncio, no recolhimento, algo indizível se passará entre as Três Pessoas da Santíssima Trindade e a alma. Quantas vezes não sentimos no fundo da alma a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, por exemplo, quando por amor a Ele resistimos à tentação e evitamos o pecado?
IV – Peçamos a Maria a vinda do Seu Divino Esposo
A Liturgia do 6º Domingo da Páscoa, insistindo na necessidade do amor para o cumprimento da Lei, nos convida a estarmos sempre abertos às inspirações do Defensor e, em consequência, seremos mais mansos e bondosos, inteiramente flexíveis e desejosos de fazer bem a todos.
Ainda a Divina Providência, por misericórdia, nos concede uma incomparável Intercessora que jamais Se cansará de ajudar-nos: “Maria é a porta oriental de onde sai o Sol de Justiça, a porta aberta ao pecador pela misericórdia [...] Ela será aberta e não será fechada. O povo se aproximará sem temor. Glorificando a Mãe do Senhor, ele O adorará. Recorrendo a Maria e prestando-Lhe suas homenagens, colherá os frutos do holocausto oferecido por Jesus”.15
Peçamos à divina Esposa do Paráclito, Mãe e Senhora nossa, que nos obtenha a graça da vinda o quanto antes deste Espírito regenerador a nossas almas, conforme suplica a Santa Igreja: “Emitte Spiritum tuum et creabuntur, et renovabis faciem terræ” — “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra”.
Tudo, portanto, está ao nosso alcance para sermos o que devemos ser, e assim recebermos o prêmio imerecido do convívio eterno com a Santíssima Trindade.
1SANTO AGOSTINHO. Sermão 268, 2: PL 38, 1232, apud CIC 797.
2PAULO VI. Unitatis redintegratio, n.2.
3Cf. SAURAS, OP, Emilio. El Cuerpo Místico de Cristo. 2.ed. Madrid: BAC, 1956, p.811-814.
4ROYO MARÍN, OP, Antonio. Somos hijos de Dios. Madrid: BAC, 1977, p.48.
5GOMÁ Y TOMÁS, Isidro. El Evangelio explicado. Barcelona: Casulleras, 1930, v.IV, p.196.
6Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, I-II, q.18, a.4, ad.3; q.19, a.6, ad.1; q.71, a.5, ad.1; II-II, q.79, a.3, ad.4.
7CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Consagração a Nossa Senhora e a graça divina. In: Dr. Plinio. São Paulo. Ano VIII. N.89 (Ago., 2005); p.24.
8SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS. Histoire d’une âme. Bar-le-Duc: St. Paul, 1939, p.183.
9CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.40.
10CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução. 5.ed. São Paulo: Retornarei, 2002, p.44.
11LACORDAIRE, OP, HenriDominique. Conférences de Notre-Dame de Paris. Paris: J. de Gigord, 1921, v.IV, p.312.
12ROYO MARÍN, OP, Antonio. Teologia de la Perfección Cristiana. 5.ed. Madrid: BAC, 1968, p.475.
13GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. Les trois ages de la vie intérieure. Montréal: Lévrier, 1955, v.I, p.67.
14SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, I, 25, a.6, ad.4: “A humanidade de Cristo, pelo fato de estar unida a Deus; a Bem-Aventurança criada, por ser o deleitar-se em Deus; e a Bem-Aventurada Virgem, por ser a Mãe de Deus, têm até certo ponto infinita dignidade, provinda do bem infinito que é Deus. Sob este aspecto, nada pode ser feito melhor do que eles, como nada pode ser melhor do que Deus”.

15JOURDAIN, Zèphy-Clément. Somme des Grandeurs de Marie. 2.ed. Paris: Hippolyte Walzer, 1900, v.I, p.694.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Comentário ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21

Continuação dos comentários ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21

III – Preparação para a descida do Espírito Santo
15b “...e Eu rogarei ao Pai, 16 e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco:”
O termo Defensor — Paráclito, tradução do original grego Parakletos — significa etimologicamente “chamado a auxiliar”, como o vocábulo latino Advocatus. Quando Se refere ao Espírito Santo como Defensor, Nosso Senhor emprega essa palavra no sentido de Advogado. Cabe ao advogado a função de defender em juízo a causa de seus clientes, apresentando todos os argumentos e provas para que estes não sejam condenados.
Ora, dada a contingência humana, todos nós cometemos faltas. Como afirma São João, com exceção apenas de Nossa Senhora e do próprio Jesus Cristo, Homem Deus, quem diz que não tem pecado é um mentiroso (cf. I Jo 1, 8).
Assim, todos somos réus e, com razão, tememos a justiça divina. Como nos apresentaremos diante do Juiz com essas lacunas, sem termos a integridade de que nos fala o versículo anterior? Por essa razão, o Divino Pastor nos promete enviar o Defensor para nos auxiliar na prática da Lei.
De fato, quando agimos bem, devemos ter certeza absoluta de que nossa boa ação não é fruto de nossa pobre natureza decaída, mas sim do indispensável auxílio da graça divina. Santa Teresinha experimentava claramente esta insuficiência ao escrever: “Sentimos que, sem o socorro divino, fazer o bem é tão impossível como trazer de volta o Sol ao nosso hemisfério durante a noite”.8
Esse Defensor, afirma ainda Nosso Senhor, permanecerá para sempre conosco. Ou seja, estará agindo sem cessar, protegendo e consolando, embora não na mesma intensidade, e por vezes de modo imperceptível. Cabe-nos, assim, ouvirmos o que Ele nos diz no fundo da alma, seguindo os princípios e os ditames de nossa consciência. Para isso também, temos necessidade de uma graça divina.
Se formos fiéis a essas inspirações, teremos um Advogado contra as acusações apresentadas por nossa consciência e aquelas que o demônio fará a cada um de nós, no Juízo Particular. Oposição entre o Espírito Santo e o mundo
17a “o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece”.
O que leva o mundo a não ver nem conhecer o Espírito da Verdade?
Quem resolve seguir princípios contrários à Lei de Deus, procura deformar e aquietar a sua consciência, para não ouvir a voz do Espírito Santo que está sempre a indicar-lhe as retas vias da virtude e da santidade à qual todos — sem qualquer exceção — são chamados, conforme a doutrina bem explicitada pelo Concílio Vaticano II: “Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: ‘Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5, 48) [...] É, pois, claro a todos que os cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”.9
Participar do relacionamento entre as três Pessoas divinas
17b “Vós O conheceis, porque Ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais Me verá, mas vós Me vereis, porque Eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que Eu estou no meu Pai e vós em Mim e Eu em vós”.
A cena é emocionante. Nesse discurso de despedida, Nosso Senhor quer deixar patente que cada um de nós, batizados, faz parte desse relacionamento de familiaridade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Como o Pai está no Filho, a Trindade estará em mim, se eu amar a Deus e cumprir a Lei. O Espírito Santo estará em mim, e serei templo vivo d’Ele.
Como devemos, pois, cuidar desse templo, desse tabernáculo que somos nós mesmos, nunca permitindo que nele entre a desordem do pecado!
Não existe amor sem humildade
21a “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse Me ama”.
Aqui o Divino Mestre retoma a ideia do início do Evangelho deste domingo: amar a Deus sobre todas as coisas significa praticar os Mandamentos. Nisto consiste a prova do verdadeiro amor.
Ora, podemos dizer que a base fundamental para acolher os Mandamentos da Lei de Deus se chama humildade. O orgulhoso confia em si, julga-se capaz de tudo e, por isso, não verá necessidade de crer num Deus onipotente. Para acolher os Mandamentos, deve-se rejeitar aquilo a que a natureza humana decaída aspira: ser considerada deus. A partir do momento em que a pessoa se inclina ao pecado, começa a ceder em matéria de orgulho ou de sensualidade, e se não receber uma proteção muito especial da graça, ela irá até o último limite do mal.
Observa a este propósito o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Como os cataclismos, as más paixões têm uma força imensa, mas para destruir. Essa força já tem potencialmente, no primeiro instante de suas grandes explosões, toda a virulência que se patenteará mais tarde nos seus piores excessos”.10
O perigo das concessões
De fato, as concessões ao pecado comparam-se a uma pequena bola de neve que se desprende do alto do monte, vai crescendo à medida que desce e acaba provocando uma avalanche. Aparentemente insignificantes no princípio, se não forem combatidas, podem levar a alma ao extremo desta absurda pretensão: “Hei de subir até o céu e meu trono colocar bem acima das estrelas divinas, hei de sentar-me no alto das montanhas pelas bandas do norte, onde os deuses se reúnem! Vou subir acima das nuvens, tornando-me igual ao Altíssimo” (Is 14, 13-14).
O delírio de querer ser Deus está incrustado em todo defeito consentido. Ilustra bem isso a tentação proposta a Eva pelo demônio, incitando- a a comer do fruto proibido: “No dia em que dele comerdes [...] sereis como deuses” (Gn 3, 5). Comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal era a única proibição que havia no Paraíso! Contudo, Adão caiu, e seu pecado produziu, segundo Lacordaire, “efeitos desastrosos, tais como o obscurecimento do espírito, o enfraquecimento da vontade, o predomínio do corpo sobre a alma e dos sentidos sobre a razão, consequências lamentáveis que nos são por demais reveladas pela experiência que fazemos, em nós mesmos, do império do pecado”.11
Até hoje a humanidade inteira padece as consequências dessa primeira transgressão a uma ordem de Deus, cometida no Paraíso. E Nosso Senhor Jesus Cristo teve de encarnar-Se e voluntariamente derramar todo o seu sangue para repará-la. Por aí se mede quanto precisamos de vida interior, de oração e de vigilância para cortarmos logo no início tudo quanto possa nos conduzir ao pecado.

O contrário desta situação nos é dado pelo maravilhoso convite do versículo seguinte.
Continua no próximo post.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21

Continuação dos comentários ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21
II – O amor, condição para Se cumprir a lei
A passagem do Evangelho considerada hoje integra o grande “Sermão da Ceia” pronunciado por Jesus ao terminar o banquete pascal, após Judas Iscariotes ter-se retirado para consumar sua traição. São João foi o único evangelista a consignar este discurso, talvez o mais belo e mais admirável proferido pelos adoráveis lábios do Redentor.
A humildade manifestada momentos antes por Cristo ao lavar os pés de cada um de seus discípulos — que havia pouco disputavam o primeiro lugar... — gravara em suas almas uma profunda impressão da bondade divina e ao mesmo tempo tornara neles ainda mais intensa a consciência da própria indignidade. Por outro lado, o comovedor anúncio da traição de um dentre eles provavelmente os deixara desconcertados e aterrorizados. Por fim, a instituição da Sagrada Eucaristia, grande Sacramento de amor, estreitara ainda mais os laços que os uniam ao Senhor, incutindo-lhes confiança e abrindo-lhes os horizontes da vida eterna.
“O fato de Jesus ter falado só aos seus Apóstolos, aos quais acabava de instituir sacerdotes e de comunicar seu Corpo e Sangue” — comenta Gomá y Tomás —, “e de ser o último colóquio que com eles teria antes de sua morte [...] confere um relevo extraordinário a este discurso. Nele o Divino Mestre abriu de par em par seu pensamento e seu coração, dando-lhes o que poderíamos chamar a quintessência do Evangelho”.5
15“Se Me amais, guardareis os meus mandamentos...”
Quando contemplamos uma bela imagem de Nossa Senhora, ficamos encantados com a expressão que o artista soube imprimir aos traços fisionômicos, ressaltando esta ou aquela virtude a fim de estimular a piedade dos fiéis. Entretanto, bastaria um risco no rosto para desqualificar a obra inteira.
São Tomás, repetindo o princípio de Dionísio Areopagita nos ensina que o bem procede de uma causa íntegra, enquanto o mal, de qualquer defeito: “Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu”.6 E se desejamos a perfeição numa imagem de Nossa Senhora, devemos querê-la também, por coerência, no bem que praticamos, pois se nele houverqualquer defeito, já estará presente o mal. Precisamos, pois, nos esforçar para praticar os Mandamentos em sua integridade.
Dá significativo testemunho a este respeito o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, recordando suas entusiasmadas reações nas aulas de Catecismo sobre os Dez Mandamentos: “Como eles são belos e apaziguam a alma! Lembro-me — há tantos anos! — de quando os aprendi; decorava-os e dizia para mim mesmo: ‘Que coisa bonita! Não mentir, não roubar, honrar pai e mãe, amar a Deus sobre todas as coisas, não tomar em vão seu Santo Nome, etc.’ E, encantado, pensava: ‘Se todas as pessoas agissem assim, como o mundo seria belo e diferente do atual!’”.7
Se amarmos esses divinos preceitos com o ímpeto e a força que de nós espera o Criador, teremos mais facilidade de observá-los, porque antes de tudo é preciso amar, conforme lê-se no Deuteronômio: “O que te pede o Senhor teu Deus? Apenas que O temas e andes em seus caminhos; que ames e guardes os Mandamentos do Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que sejas feliz” (Dt 10, 12-13). Precisamos, pois, acolher em nosso coração e amar os seus Mandamentos; ou seja, não basta procurar entendê-los racionalmente. Tendo verdadeiro amor e entusiasmo pelo Supremo Legislador, veremos como é bela a prática da virtude e como é horrenda qualquer ofensa a Ele.

Ora, como ter esse amor e onde encontrar forças para cumprir integralmente tal desejo de Nosso Senhor?
Continua no próximo post.

domingo, 18 de maio de 2014

Comentário ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21

Comentário ao Evangelho – VI Domingo da Páscoa – Ano A – Jo 14, 15-21
Evangelho  Jo 14, 15-21
“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 ‘Se Me amais, guardareis os meus mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, 16 e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece. Vós O conheceis, porque Ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais Me verá, mas vós Me vereis, porque Eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que Eu estou no meu Pai e vós em Mim e Eu em vós. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse Me ama. Ora, quem Me ama, será amado por meu Pai, e Eu o amarei e Me manifestarei a ele’” (Jo 14, 15-21).
O amor íntegro deve ser causa do bem total
I –O  Espírito Santo é a alma da igreja
Maravilhoso é o dom da vida! Tanto nos encantam a inocência e exuberância da criança quanto nos impressiona gravemente a consideração de um corpo humano sem vida. Inerte, encontra-se em estado de violência, de tragédia, dissonante de sua normalidade. Há pouco ainda, notava-se nele como todos os membros e órgãos, tão distintos entre si, entretanto se ordenavam em função da unidade dada pela alma. Ausente esta, o corpo inteiro entra em decomposição.
Fonte de unidade, vida e movimento
Isso que ocorre na natureza humana é imagem de algo muito mais elevado e misterioso: a relação da Igreja com o Espírito Santo. A propósito, esclarece Santo Agostinho: “O que é o nosso espírito, isto é, a nossa alma em relação a nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao Corpo de Cristo que é a Igreja”.1
Com efeito, o Espírito Santo, com toda a propriedade, é a alma da Igreja no sentido em que não lhe comunica seu ser substantivo divino, mas lhe dá unidade, vida e movimento. Não só isso, mas Ele a santifica, promove seu crescimento e esplendor, fazendo dela “o Templo do Deus Vivo” (II Cor 6, 16).
De modo que esse corpo moral extraordinário que é a Igreja, só tem verdadeira vitalidade sobrenatural por ação do Espírito Santo. É o que afirma o Papa Paulo VI: “O Espírito Santo habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, que é princípio da unidade da Igreja”.2
 Ação santificadora sobre as almas
Em Jesus Cristo, a união da natureza divina com a humana tem por hipóstase o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E nas almas dos justos, a graça santificante, que nos torna participantes da natureza divina, é atribuída por apropriação ao Divino Espírito Santo.3 É, portanto, Ele o promotor da nossa divinização (com “d” minúsculo), da nossa união com Deus. “No cristão” — explica o padre Royo Marín —, “a inabitação equivale à união hipostática na pessoa de Cristo, embora não seja ela, mas sim a graça santificante, que nos constitui formalmente filhos adotivos de Deus. A graça santificante penetra e embebe formalmente nossa alma, divinizando-a. Mas a divina inabitação é como a encarnação do absolutamente divino em nossas almas: do próprio ser de Deus tal como é em Si mesmo, um em essência e trino em pessoas”.4

Para aproveitarmos convenientemente as graças da comemoração de Pentecostes, que se aproxima, a Liturgia deste domingo nos convida a considerar a maravilha da ação santificadora do Espírito Santo em nossas almas. Quão necessitado está o mundo, na situação presente, de um sopro especial d’Ele para mudar os corações e renovar completamente a face da Terra! É nesta perspectiva que devemos refletir nas sublimes palavras do Divino Mestre, propostas pela Igreja à nossa enlevada meditação neste dia.
Continua no próximo post.