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sábado, 27 de julho de 2013

Evangelho XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano C – 2013 - Lc 12, 13-21

“Naquele tempo, 13 alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: ‘Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo’. 14 Jesus respondeu: ‘Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?’ 15 E disse-lhes: ‘Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens’. 16 E contou-lhes uma parábola: A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17 Ele pensava consigo mesmo: ‘Que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. 18 Então resolveu: ‘Já sei o que vou fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19 Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ 20 Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ 21 Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc 12, 13-21).
 Comentários ao Evangelho 18º  Domingo do Tempo Comum – Ano C – 2013 -  Lc 12, 13-21
A tentação da “limbolatria”
Diante dos prazeres, até legítimos, que a vida nesta Terra pode oferecer, facilmente o homem se esquece da eternidade para a qual foi criado. I – A vocação trocada por uma fechadura...
 Conta-se que certa vez um monge acabou por abandonar sua vocação em troca de uma mera bagatela. Havia ele trabalhado durante anos como exímio ferreiro e, em determinado momento, sentira, em seu interior um forte impulso para seguir as vias da vida contemplativa. Deixando tudo, dirigiu-se a um mosteiro, onde foi admitido.
Passado algum tempo, foi-lhe destinada uma cela cuja porta rangia e batia sem cessar dia e noite, pois não se fechava bem. Querendo resolver o problema, nosso monge pediu licença ao superior e fabricou uma magnífica fechadura. Além disso, aproveitou para consertar a própria porta, ajustando-a melhor ao marco da parede. Afinal, conseguiu transformá-la numa peça modelar para toda a comunidade.
Encantado com seu próprio labor, passeava pelos corredores do edifício, admirado por não achar nenhuma fechadura comparável à dele, tão perfeita e bem acabada. Entretanto, com o correr dos meses, foi criando dentro de si um apego excessivo pelo acessório, aparentemente inofensivo.
Certo dia ordenou o abade uma mudança de celas na comunidade. Acabrunhado pela perspectiva de ver-se obrigado a repetir o minucioso trabalho em seu novo destino, o monge-ferreiro pediu permissão para levar consigo a fechadura. Mas, por determinação do superior, ninguém dispunha de autorização para transladar alguma parte do mobiliário na mudança de uma cela para outra. Descontente com a deliberação do prior e não estando disposto a renunciar à sua excelente fechadura, o monge arrancou-a da porta e decidiu abandonar a vocação religiosa, recebida das mãos de Deus, portando consigo o objeto de seu apego e embrenhando-se nos caminhos do mundo...
O que está por detrás da história da fechadura desse monge? É o que nos ensina o Evangelho do 18º Domingo do Tempo Comum.
O perigo da ganância
O episódio narrado neste Evangelho se passa quando Jesus e seus discípulos estavam a caminho de Jerusalém, cidade onde Ele iria consumar sua missão divina. Anteriormente, por duas vezes, já havia predito a Paixão (cf. Lc 9, 22.44). Contudo, os discípulos não entendiam o elevado significado de tal anúncio e ainda tinham a esperança de serem os primeiros no suposto reino messiânico a ser fundado por Cristo neste mundo (Cf. Lc 9, 45-46). Para corrigir essa visualização humana, Ele os enviara em missão, dando-lhes poder para expulsar os demônios, e lhes ensinara o Pai-Nosso, incitando-os à perseverança e confiança na oração (cf. Lc 10-11). Foi em meio às atividades desse ministério tão sobrenatural que foi feito ao Mestre este singular pedido.

“Naquele tempo, 13 alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: ‘Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo’”.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM Lc 11, 1-13 - Ano C - 2013

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM  Lc 11, 1-13 -  Ano C - 2013
7 e ele respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados — não me posso levantar para tos dar.
A situação descrita é constrangedora. Não se sabe de quem se deve ter mais pena, se do anfitrião ou do pai de família. Reportando-nos aos costumes de então, não cabe dúvida estar este último numa posição de maior incômodo, pois todos os seus se encontravam alinhados nos respectivos leitos e, para chegar à despensa, sem luz elétrica, ele precisaria despertar cada um ou, eventualmente, pisar sobre este ou aquele... Portanto, era conveniente levantarem-se todos para executar tal operação. Ora, com um tal diálogo a altas vozes, não deveria haver um só na posse de seu sono a essas alturas. Faltava, aos vizinhos já despertos, somente boa vontade. Tratava-se, da parte destes, de mais um caso típico de mescla de preguiça com egoísmo, aí sim, característica de todas as épocas. Entretanto, torna-se claríssimo pela parábola que, apesar de sua má vontade, o pai de família acabou por se levantar, devido à importuna insistência de seu vizinho, disposto a entregar a este quantos pães quisesse.
8 Digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar.
Jesus quer nos convencer sobre a importância da perseverança na oração. Ademais, ensina-nos a não termos timidez ou receio em nossos pedidos a Deus. Evidentemente, no relacionamento humano, as regras de etiqueta e boa educação devem ser observadas sempre. Porém, não se pode ter a menor retração ao entrarmos em conversação com Deus. Neste caso as normas de polidez são contraproducentes, pois Ele quer a ousadia de nossa parte, Ele deseja ser importunado por nós e fará por nós muitíssimo mais do que o pai de família fez por seu vizinho.
De fato, Deus jamais se cansa e nem pode ser incomodado, não dorme e nem faz esforços para se despertar, e está com as portas sempre abertas para nos atender, pronto a nos ouvir durante as vinte e quatro horas do dia. Nunca se irrita e, muito pelo contrário, se alegra com nossa insistência. Quando nossa obstinação atingir o grau máximo de importunidade, aí teremos triunfado em nossa oração.
9 Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá.
As metáforas contidas nestes versículos confirmam nossa fé no grande e infalível poder da oração. São o resumo de uma lei sobrenatural, síntese da infinita misericórdia do Sagrado Coração de Jesus, e infundem em nossas almas a segurança feita de luz, serenidade e paz.
11 Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? 12 Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? 13 Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem.”
Se os pais nesta terra de exílio, imperfeitos como são, jamais desejam o mal para seus respectivos filhos e sempre procuram dar-lhes do bom e do melhor, quanto mais Deus, o Bem substancial, no trato com aqueles a quem criou.
CONCLUSÃO
A liturgia de hoje condensa em poucos versículos um verdadeiro tratado da oração. Nós devemos rezar sempre. Se Deus nos atende imediatamente, com alegria saibamos agradecer-Lhe, aproveitando-nos de sua infinita paternalidade nos submeta à prova da demora, jamais devemos desanimar, pois o viajante obteve sem tardança e dificuldade alimento e hospedagem de que necessitava, devido à amizade de seu anfitrião; e este, por sua pertinaz insistência, conseguiu os pães indispensáveis para atender a seu hóspede.
Enfim, tanto um quanto outro sairiam bem melhor servidos se pudessem ter recorrido a Maria, Mãe de Misericórdia, Medianeira de todas as graças.

1) Cf. Z.-C. Jourdain, Somme des grandeurs de Marie, livre I chapitre 3, I 2) Suma Teológica III, q. 21, a. 4. 3) Suma Teológica II-II, q. 83, a. 11 4) in Cat. Graec. Patr., apud Catena Áurea, in Lc XI, 1-4. 5) in Cat. Graec. Patr., apud Catena Áurea, in Lc XI, 1-4. 6) De Oratione, 29, apud CIC, nº 2.847.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM Lc 11, 1-13 - Ano C - 2013

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM  Lc 11, 1-13 -  Ano C - 2013
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
Muitos autores do passado, em especial os Padres da Igreja, consideravam ser esta petição relativa à Eucaristia; hoje, porém, sem negar essa interpretação, admite-se ser ela mais especialmente voltada para se obter o alimento material.
4 perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação.”
Comentando este versículo, São João Crisóstomo nos põe diante de uma situação inegável: “Conhecendo nós isto, devemos dar graças a nossos devedores, porque são para nós (se sabemos conhecê-lo assim) a causa de nosso maior perdão, e dando pouco, alcançamos muito; porque nós temos muitas e grandes dívidas para com Deus, e estaríamos perdidos se Ele nos pedisse uma pequena parte delas” (5).
Sobre as tentações, pondera Orígenes: “Deus não quer impor o bem, Ele quer seres livres... Para alguma coisa a tentação serve. Todos, com exceção de Deus, ignoram o que nossa alma recebeu de Deus, até nós mesmos. Mas a tentação o manifesta, para nos ensinar a conhecer-nos e, com isso, descobrir-nos na miséria e nos obrigar a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou” (6).
O AMIGO INOPORTUNO
Retrocedamos dois mil anos de História, e analisemos de perto uma caravana avançando pelo deserto, sobre asnos ou camelos, em pleno dia ensolarado de tórrido verão. Poeira, sede, calor e cansaço são os companheiros a cada passo, tornando muito penosos os translados. Esta era uma das razões pelas quais os orientais muitas vezes preferiam os deslocamentos noturnos, invertendo o período do sono.
Esta era uma das razões pelas quais os orientais muitas vezes preferiam os deslocamentos noturnos, invertendo o período do sono.
Pelo contrário, o inverno oferece condições mais agradáveis para viagens diurnas: o sol aquece suavemente, o desgaste físico é menor e a necessidade de água não tão frequente. A parábola de hoje se verifica numa noite de verão.
Aqueles tempos possuíam costumes bem mais simplificados em relação aos atuais e, sem aviso prévio, um amigo podia se apresentar à porta a qualquer hora do dia ou da noite. Caso a visita se desse durante o horário do sono, bastava estender uma esteira num canto da sala, que o hóspede ficaria muito contente. Se sua fome fosse considerável, sobretudo no caso de não haver jantado, alguns pães com azeite de oliva e especiarias, eram suficientes para torná-lo alegre e satisfazer-lhe o apetite.
As casas não eram grandes e nem com muitos cômodos. Em geral, toda a família se deitava na própria sala de visitas, cuja porta dava acesso direto à rua. Não imaginemos uma sequência de camas, mas sim esteiras ou tapetes estendidos ao solo, com leves colchas. Portanto uns golpes à porta, ainda quando suaves, facilmente despertavam quem junto a ela dormia.
É de dentro dessa moldura que devemos assistir à cena narrada pelo Salvador.
5 Disse-lhes mais: “Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um meu amigo acaba de chegar à minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar;
 Jesus sempre se apoia em fatos comuns e frequentes da vida quotidiana para fazer entender aos seus ouvintes as profundas verdades da Fé. Portanto, o caso contido nestes versículos 5 a 8 provavelmente já se havia dado com vários dos circunstantes.
Devido à inteira organicidade do modo de ser daquela civilização, as pessoas procuravam aproveitar a luz do dia para seus afazeres e, quanto ao repouso, utilizavam para dormir as horas que iam desde o declínio ao nascer do sol. Por volta das nove da noite, o silêncio penetrava em todos os lares, chegando ao auge no período de meia-noite às três horas da madrugada. O “amigo” dessa parábola chega justamente na hora mais incômoda: é muito tarde para deitar- se e terrivelmente cedo para acordar. Mas, o inconveniente maior desse acontecimento estava no fato de não ter sobrado pão na despensa do anfitrião e a essas alturas não era mais possível matar um animal para levá-lo às brasas... A única saída era recorrer às reservas do vizinho.

O vilarejo inteiro se encontra submerso em profundo sono mas, logo às primeiras batidas, o dono da casa desperta e, sem se mover de sua esteira, ouve a demanda. Tratava-se de conceder três pães para quem estava à porta. Sobre o porquê de serem três, várias hipóteses tecem os autores, procurando atribuir sentidos simbólicos a este número. Na realidade, segundo os costumes da época, os pães tinham um tal tamanho que três faziam uma refeição normal de um adulto.

sábado, 20 de julho de 2013

EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM Lc 11, 1-13 - Ano C - 2013

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS AO EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM  Lc 11, 1-13 -  Ano C - 2013
O PAI NOSSO
1 Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos seus discípulos disse- Lhe: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”.
Tal qual afirma São Cirilo (4), Jesus demonstra o quanto Lhe é própria a oração e com isso nos ensina como não devemos exercitá-la com preguiça, mas sim com toda piedade e atenção. Entre os discípulos de Jesus, estavam alguns que o haviam sido também de João. Por esta narração de São Lucas, percebe-se o grande valor atribuído por eles às ações do Mestre, reforçado pelo comportamento de seu Precursor a esse respeito. Fundamental é o papel do exemplo. Da admiração a um e a outro nasceu na alma dos discípulos o desejo de bem rezar. Quão grande é a responsabilidade dos que ensinam! Mais eficaz se torna a palavra saída dos lábios de quem é modelo vivo de sua própria didática, pois não basta saber explicar, sobretudo é preciso ser.
2 Ele respondeu-lhes: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
São Mateus nos transmite uma forma mais extensa para esta oração dominical (Mt 6, 9-13), criando para alguns autores um problema de critério: seriam duas maneiras diferentes de rezá-la ou uma só? Para uns, a original é a de Lucas e, neste caso, Mateus a teria ampliado. Para outros, ter-se-ia dado o inverso, ou seja, Lucas julgou melhor sintetizá-la. Analise-se como quiser, é compreensível que, por seu caráter pedagógico, muito provavelmente Jesus a tivesse repetido várias vezes, sobretudo por ter querido deixar-nos um modelo perfeito de oração.
Se bem não haja o menor inconveniente em nos utilizarmos de longas orações, quis Jesus conceder-nos uma fórmula breve e universal, contendo logo de início um louvor a Deus que d’Ele aproxima quem reza, a fim de tornar solícita a audição das petições a serem feitas. Pela introdução da Oração Dominical nos é fácil perceber o quanto Deus é também sensível a uma “diplomacia” religiosa. Desejar a santificação do nome de Deus, não é senão querer que todos os homens O conheçam, adorem e sirvam com perfeição. E trata-se aqui de um nome sobre todos os nomes: “Pai”.
É de se notar a diferença de significado desta palavra “Pai”, entre o Antigo e o Novo Testamento. Até então, a referência à paternidade de Deus era um tanto metafórica, considerando-O como o Criador e com vistas a realçar sua providência sobre o povo judeu. A partir da Encarnação, esse termo revestiu-se de uma realidade profundíssima, quer pela natureza humana de Jesus, quer pela divina. E também no que toca a nós, batizados, pois, como afirma São João, somos filhos de Deus, “e realmente o somos” (1 Jo 3, 1). Por isso Nosso Senhor usava a expressão “meu Pai” — nesta oração, somente “Pai” na versão de São Lucas, ou “Pai nosso”, segundo São Mateus — com relação à verdadeira paternidade de Deus e filiação divina de todos os batizados. E o próprio Jesus nos advertiu: “ A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, Aquele que está nos Céus” (Mt 23, 9).

Ora, o Batismo não só imprime em nossas almas o caráter de cristão e nos faz reais filhos de Deus pela graça, mas também nos introduz no reino de Deus, cuja plena participação de corpo e alma gloriosos se dará após o Juízo Final: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25, 34). Assim, o que era metáfora no Antigo Testamento tornou-se realidade com a Redenção.
Continua no próximo post.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM Lc 11, 1-13 - Ano C - 2013

Evangelho Lc 11, 1-13
Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos seus discípulos disse-Lhe: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”. 2 Ele respondeu-lhes: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3 O pão nosso de cada dia dá-nos hoje; 4 perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação”. 5 Disse-lhes mais: “Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar;7 e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados — não me posso levantar para tos dar. 8 Digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. 9 Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá. 11 “ Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, porventura, dar-lhe-á um escorpião? 13 Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem” ( Lc 11, 1-13).
COMENTÁRIO AO EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM  Lc 11, 1-13 -  Ano C - 2013
O poder da oração
Com insuperável beleza literária, neste domingo, Jesus não só nos ensina a bem rezar, como nos indica os meios de tornar infalível nossa oração, incentivando-nos a uma confiança sem limites em suas divinas palavras.
A ORAÇÃO DE JESUS
Jesus ora ao Pai enquanto homem
Um grande mistério e divino exemplo eram as orações de Jesus ao Pai. Como explicar a atitude do Homem-Deus rogando ao Pai por tantas intenções, se Ele mesmo é onipotente e, sobretudo, sendo Eles iguais entre Si? Não parece um tanto contraditório Deus pedir a Deus um auxílio para Si próprio? Não seria mais adequado Ele diretamente tornar efetivos seus anseios, ao invés de orar?
Essas dúvidas e muitas outras se desfarão se meditarmos sobre um comentário feito pelo santo Patriarca Hesíquio de Jerusalém (1). Diz-nos este autor que, desde toda eternidade, o Filho desejava poder dirigir-se ao Pai enquanto inferior, mas era-Lhe impossível realizá-lo, pois, segundo nos explica a Teologia com base na Revelação, as Pessoas da Santíssima Trindade são iguais entre Si. Por sua vez, também o Pai desejava doar algo ao Filho, mas através de que meio, se Eles são idênticos?
Maria resolveu essa questão com o seu “fiat”, permitindo ao Filho fazer-Se Homem. Era de dentro de sua natureza humana que Jesus elevava sua mente a Deus e exprimia os desejos de seu Sagrado Coração, rogando fossem eles concretizados. Ou seja, nunca Jesus rezou enquanto Deus — e nem teria sentido, aliás, Ele assim proceder — mas sempre o fez como homem, pois sabia que certas graças não seriam jamais obtidas senão por meio de seus pedidos, por isso “Ele andava retirado pelas solidões e a orar” (Lc 5, 16).
Exemplo insuperável de oração
Jesus foi para nós um exemplo insuperável da realização de seu próprio conselho: Oportet semper orare et non deficere — “Importa orar sempre e não deixar de o fazer” (Lc 18, 1). É preciso rezar como se respira,  portanto, em nenhum momento perder o fôlego nem o ânimo. A oração unida à de Jesus e feita por sua intercessão, é infalível: “Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará” (Jo 16, 23).
Se assim é, pode nossa oração ser realizada sempre de maneira incondicional? Não, os bens temporais, na medida de sua utilidade para nossa salvação, devem ser pedidos segundo a vontade de Deus. Nosso Senhor também a esse respeito nos deu exemplo, ao rogar: “Meu Pai, se é possível, que passe de Mim este cálice! Todavia, não se faça como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mt 26, 39). Ele havia por diversas vezes anunciado sua própria morte e até mesmo a forma de suplício pela qual passaria, e claramente sabia também que seu pedido não seria atendido. Entretanto, com toda antecedência, Ele externou esse anseio para deixar-nos claro o quanto é legítimo exprimirmos nossa dor, manifestando o desejo de que ela termine, mas sempre em conformidade com a vontade de Deus.
A oração infalível de Jesus sacerdote
Haverá orações que devem ser incondicionais? Sim, as graças claramente necessárias para a nossa salvação não podem ser pedidas de maneira condicional. Também quanto a essa forma de rezar, deu-nos exemplo Nosso Senhor. E, aqui sim, suas orações proferidas de maneira absoluta, jamais deixaram de ser atendidas, segundo no-lo explica São Tomás de Aquino (2). Por exemplo, ao rezar por Pedro: “Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32). Foi pelos frutos dessa oração de Jesus que Pedro perseverou, se santificou e chegou ao seu belíssimo martírio. E certamente será por essa mesma causa que o sucessor de Pedro confirma na fé todos os fiéis.
 Antes de ressuscitar Lázaro, “levantando os olhos ao Céu, disse: Pai, dou-te graças por me teres ouvido. Eu bem sei que me ouves sempre...” (Jo 11, 41-42). Eis uma pequena amostra do infalível poder da oração de Jesus. E alegremo-nos porque a esse propósito São Tomás de Aquino nos ensina o seguinte: “Como a oração pelos outros provém da caridade, quanto mais perfeita é a caridade dos santos que estão na Pátria, mais rezam por nós, para ajudar-nos em nossa viagem; e quanto mais unidos estão a Deus, mais eficaz é sua oração... Por isto se diz de Cristo: o que ressuscitou .... é quem intercede por nós” (3). Jesus é eternamente Sacerdote, e a principal função do ministério sacerdotal é a de interceder junto a Deus pelo povo a ele confiado; e assim como, no Céu, os Santos, os Anjos e a própria Santíssima Virgem pedem a Deus a aplicação dos méritos da Paixão de Jesus às almas, da mesma forma Ele também continua a rezar por nós. Jesus em corpo e alma salva “perpetuamente os que por Ele se aproximam de Deus” (Hb7, 25). Que grande esperança e conforto para nós!

Esta introdução nos auxiliará a melhor acompanharmos o Evangelho deste domingo.
Continua nos próximos posts

Evangelho XVI Domingo do Tempo Comum - Ano C - 2013 - Lc 10, 38-42

Conclusão dos comentários ao Evangelho XVI Domingo do Tempo Comum -  Ano C - 2013 - Lc 10, 38-42
A lição foi para as duas
Há neste Evangelho uma lição não só para as almas “Marta”, mas também para as almas “Maria”. Às primeiras, ensina Jesus que uma só coisa é necessária: o amor a Deus, pois apenas a caridade ultrapassa o umbral da eternidade, e todo o resto é secundário. Não devemos nos ocupar com os afazeres do dia a dia sem ter o coração voltado para o que há de mais elevado, tendo presente que em tudo dependemos da graça divina. E às segundas, mostra que não podem desprezar a parte menos perfeita, ignorando as providências necessárias para a boa ordenação da vida. Pois, como bem sublinha Teofilato ao comentar esta passagem do Evangelho, “o Senhor não vitupera a hospitalidade, mas sim o cuidado por muitas coisas, ou seja, a absorção e o alvoroço”.20
Na ação ou na contemplação, trata-se de manter a alma serena, pervadida de devoção e inteiramente voltada para o sobrenatural.
Ser perfeito na ação e na contemplação
Marta, por ser virtuosa, sem dúvida acolheu bem as palavras de Nosso Senhor e percebeu que, de fato, tinha andado por vias equivocadas.
Como procedeu ela após a repreensão divina? Certamente continuou a servi-Lo, mas sem febricitação. Cheia de paz, alegria e consolação, deve ter agradecido a lição recebida, aceitando-a até o fundo da alma pela ação da graça. “Repreende o justo e ele te amará” (Pr 9, 8). Assim, passou ela a amar mais Nosso Senhor, depois dessa afetuosa correção.
Devemos imitar as duas irmãs: fazer todos os atos cotidianos com o amor de Maria, mas, como Marta, cumprir nossas obrigações de modo exímio. Porque a vida dos homens tem momentos de ação e de contemplação e, tanto em uns quanto nos outros, é preciso ser “perfeito como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).
Da contemplação provém a ação
Nesta terra, nossa vida deve estar marcada pela preocupação primordial de cuidar das coisas eternas. Como bem explica o padre Romano Guardini, a existência humana se desenvolve em dois planos paralelos: o interior e o exterior. O mais importante, porém, é o interior, pois, em última análise, dele provém o exterior.
“Assim é que — acrescenta —, já na vida ordinária dos homens, o interior se sobrepuja ao exterior. Tem o caráter de ‘um necessário’, que tem primeiro de aparecer claramente. Se as raízes adoecem, a árvore pode continuar a crescer por algum tempo, mas acaba por morrer. Isso ainda é mais verdadeiro para a vida da fé. Também aí há um domínio exterior; fala-se e ouve-se, trabalha-se e luta-se, há obras e instituições, mas o sentido último de tudo reside no interior. O trabalho de Marta é justificado por Maria”.21
Atendendo ao convite que nos é feito neste trecho do Evangelho, façamos os esforços necessários para elevar ao Céu as nossas vistas deformadas pelo espírito naturalista, porque, no umbral da eternidade, as coisas concretas nos serão tiradas. Nossa fé se transformará em visão de Deus, face a face; nossa esperança, em posse definitiva do Sumo Bem; e a caridade atingirá sua plenitude.
Muito mais felizes do que Marta e Maria
Hoje somos muito mais afortunados do que Marta, pois recebemos Jesus, não em nossa morada, mas em nosso coração. Ele Se dá a nós na Eucaristia e, ao invés de nos afanarmos em preparar-Lhe uma refeição, Ele nos alimenta com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Situação, portanto, muito mais feliz e celestial que a da família de Betânia que tantas vezes hospedou Nosso Senhor! Assim, agradeçamos a Marta por seu zelo em acolher Jesus, louvemos Maria pelo exemplo do amor a Deus, mas, sobretudo, demos graças a Jesus pelo que Ele faz, a cada instante, por cada um de nós.
 1Cf. FILLION, Louis-Claude. Vida de Nuestro Señor Jesucristo. Madrid: RIALP, s/d., v.II, p.334. FERNÁNDEZ TRUYOLS, SJ, Andrés. Vida de Nuestro Señor Jesucristo. 2.ed. Madrid: BAC, 1954, p. 417-418. MALDONADO, SJ, Juan de. Comentarios a los cuatro Evangelios – II. Evangelios de San Marcos y San Lucas. Madrid: BAC, 1951, p.554 Cf. FILLION, op. cit., p.335. SAN AGUSTÍN. Sermo 104, 3, apud SANTO TOMÁS DE AQUINO. Catena Aurea. SAN AGUSTÍN. Comentarios de San Agustín a las lecturas litúrgicas (N.T.). Valladolid: Estudio Agustiniano, s/d, p.1073. SAN BERNARDO. Obras completas. Madrid: BAC, 1953, v.I, p.712. SAN CIRILO, apud SANTO TOMÁS DE AQUINO. Catena Aurea. SAN AGUSTÍN. Sermo 255, 2, apud ODEN, Thomas C. e JUST Jr., Arthur A. La Biblia comentada por los Padres de la Iglesia – Evangelio según San Lucas. Madrid: Ciudad Nueva, 2000, v.III, p.258. GOMÁ Y TOMÁS, Isidro. El Evangelio explicado. Barcelona: Casulleras, 1930, v.III, p.134. SANTA TERESA DE JESÚS. Camino de perfección, c.17, 5. In: Obras Completas. 3.ed. Burgos: El Monte Carmelo, 1939, p.396-397. SAN AGUSTÍN. Sermo 104, 2. apud ODEN e JUST Jr., op. cit., p.1073-1074. GOMÁ Y TOMÁS, op. cit., p.134. Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, II-II, q.182, a.1 e 2. Cf. Idem, II-II, q.188, a.6, r. FILLION, op. cit., p.336. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, n.222. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 1978, p.214-215. FILLION, op. cit., p.335. SAN BUENAVENTURA. Meditaciones de la vida de Cristo. Buenos Aires: Santa Catalina, p.184. TEOFILATO, apud SANTO TOMÁS DE AQUINO. Catena aurea. GUARDINI, Romano. O Senhor. s/l: Agir, s/d, p.196.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Evangelho XVI Domingo do Tempo Comum - Ano C - 2013 - Lc 10, 38-42

Continuação dos comentários ao Evangelho XVI Domingo do Tempo Comum -  Ano C - 2013 - Lc 10, 38-42
Almas “Marta” e almas “Maria”
Detenhamos-nos na importante questão que aqui se apresenta e tantas vezes é mal interpretada.
Pode-se inferir da resposta do Divino Mestre que Ele condenava o cuidado das coisas concretas, as quais não passarão para a eternidade e, portanto, não merecem nossa atenção? Deveriam todos, então, dedicar-se exclusivamente à contemplação das verdades eternas?
Não é essa a lição que devemos tirar desta passagem do Evangelho, pois, como observa Santa Teresa de Jesus de modo pitoresco e cheio de bom senso, se Marta “permanecesse, como Madalena, embevecida aos pés do Senhor, ninguém daria de comer a este Divino Hóspede”.11
Cristo não afirma aqui que Marta deveria abandonar aquelas indispensáveis ocupações, o que é posto em evidência por Santo Agostinho, com sua característica vivacidade:
“Devemos pensar que Jesus vituperou a atividade de Marta, ocupada no exercício da hospitalidade, ao recebê-Lo em sua casa? Como podia ser com justiça censurada quem se deleitava em acolher tão notável Hóspede? Se assim for, cessem os homens de socorrer os necessitados e escolham para si a melhor parte, a qual não lhes será tirada; dediquem-se à meditação da palavra divina, almejem ardentemente a doçura da doutrina, consagrem-se à ciência da salvação; não se preocupem em saber se há na aldeia algum peregrino ou algum pobre sem alimento ou roupa; desinteressem-se de visitar os enfermos, de resgatar o cativo, de enterrar os mortos; abandonem as obras de misericórdia e apliquem-se à única ciência. Se esta é a melhor parte, por que não nos dedicarmos todos a ela, já que, nessa matéria, temos o próprio Senhor como nosso defensor?”.12
A resposta dada por Jesus fora muito sutil e, como bem observa o Cardeal Gomá, “encerra todo um programa de vida que é a concretização do sumo equilíbrio do Cristianismo na ordem da ação”.13 Nas pessoas de Marta e Maria, deixou o Divino Mestre uma lição para toda a humanidade.
Contemplação operativa e ação contemplativa
Contemplação e ação não são realidades excludentes. Ensina São Tomás que a primeira é, sem dúvida, mais excelente e meritória que a segunda.14 Entretanto, acrescenta ele, a ação que procede da plenitude da contemplação é preferível à simples contemplação.15 A este ensinamento do Doutor Angélico, faz eco Fillion: “Embora a parte de Maria tenha algo de mais celestial, o melhor, nas situações ordinárias, é unir a condição de Marta com a de Maria”.16
A perfeição está, pois, na junção entre contemplação e ação. Disso dá-nos supremo exemplo a Sagrada Família. Nossa Senhora cuidava com inigualável esmero da casa em Nazaré, e São José era com certeza o mais consciencioso dos carpinteiros. Ambos trabalhavam, cada um nos seus afazeres. Entretanto, tinham constantemente a atenção voltada para Jesus e para os aspectos mais elevados da realidade, a ponto de São Luís Maria Grignion de Montfort afirmar que Nossa Senhora, ao dar um ponto com a agulha, glorificava mais a Deus do que São Lourenço sofrendo na grelha as terríveis dores do seu martírio.17
Então, podemos também nós dar muita glória a Deus nos atos concretos do dia a dia, desde que os realizemos com a atenção posta nas coisas celestes, e não apenas nas terrenas. Assim fez Cristo Jesus durante Sua vida pública: ocupadíssima, intensíssima, entretanto, sempre impregnada de oração e contemplação.
A preocupação naturalista de Marta
Como deveria, então, ter agido Marta neste episódio?
Ela era, como vimos, a responsável pela casa e cabia-lhe tomar as providências para o bom atendimento de Nosso Senhor. Assim, começou bem ao querer servi-Lo e agradá-Lo. Porém, sem ela se dar conta — como sói acontecer — essa louvável aspiração foi sendo substituída por uma preocupação naturalista, acompanhada pelo desejo de fazer bela figura diante d’Ele e dos demais.
Se executasse todas aquelas tarefas pondo em Jesus a atenção principal, ficaria ela também com a melhor parte, os frutos de seu trabalho teriam outra beleza e outra substância. Não lhe era preciso, portanto, deixar suas ocupações para ir sentar-se, como Maria, aos pés de Jesus, mas, segundo sublinha acertadamente Fillion, ter em vista que “o único necessário é preferir as coisas interiores às exteriores, dar-se a Cristo sem restrições, adorando-O, amando-O e vivendo só para Ele”.18


O amor imperfeito de Maria
O Divino Mestre diz que Maria escolheu a melhor parte, mas não afirma ter ela agido impelida por um amor perfeito.
Nosso Senhor é cioso da obediência devida às autoridades intermediárias e, portanto, deveria Maria ter se submetido às determinações de sua irmã mais velha, cumprindo as obrigações que lhe cabiam sem perder o enlevo, mantendo o coração todo posto no Senhor. “Não imagines — adverte o Doutor Seráfico — que teu amor à quietude te autorize a subtrair-te, mesmo em coisas mínimas, aos exercícios da santa obediência ou das regras estabelecidas pelos anciãos”.19
Portanto, pode-se afirmar que Maria não atuou de forma exímia, na medida em que menosprezou a parte menos perfeita, esquivando-se de assumir incumbências necessárias para o bom atendimento a Jesus.